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BETH LIBRAS

ALFABETO PARA SURDOCEGO

 

CURSO PARA IGREJAS

SERVIÇO DE INTÉRPRETE DE LIBRAS PARA EMPRESÁRIOS, PALESTRANTES E CONGRESSITAS

 

CURSO DE LIBRAS PARA EMPRESAS

CURSO DE LIBRAS CAPACITAÇÃO DE PROFESSORES DA REDE DE ENSINO

CURSO DE LIBRAS - PARA ESCOLAS

 

APRENDA O ALFABETO EM LIBRAS"

 

O DIREITO DO TRABALHO EM "LIBRAS"

Há muito tempo os surdos se manifestam reivindicando acesso à informação, mobilizando-se para driblar a segregação e o preconceito. Esta realidade vem se transformando aos poucos e a cada conquista uma vitória é comemorada com muita alegria, porque é a teoria se configurando prática e alcançando as necessidades mais primárias para uma inclusão social cada vez mais efetiva.

 

O Ministério Público do Trabalho (MPT), oferece uma biblioteca virtual acessível a todos os brasileiros. Além de apresentar seu conteúdo em português e em Libras (Língua Brasileira de Sinais), o site PCDLEGAL possibilita o acesso aos deficientes visuais que fazem uso de leitores de código HTML.

 

O projeto é uma iniciativa do MPT, por meio da Coordenadoria Nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidade e Eliminação da Discriminação do Trabalho (Coordigualdade). O objetivo é aproximar o MPT da sociedade e oferecer conhecimento acessível a todos, em especial às pessoas com deficiências, sobre temas relevantes para o desenvolvimento da cidadania, como os direitos dos trabalhadores.

 

A primeira publicação disponibilizada nesse formato é a cartilha “Ministério Público do Trabalho e os Direitos dos Trabalhadores”, desenvolvida pelo MPT no Espírito Santo. Estruturada em 170 itens divididos em 38 tópicos, a cartilha apresenta, em linguagem simples e direta, os principais direitos trabalhistas.

 

"EMPREGO APOIADO"

O surgimento do Emprego Apoiado aconteceu nos Estados Unidos, a mais de trinta anos, e com o passar do tempo essa metodologia vem tomando fôlego e provocando mudanças nos paradigmas da sociedade, prova disso é que rapidamente ela se espalhou pela Europa demonstrando que a um jeito de fazer inclusão de forma objetiva, clara e eficaz.         Conquistou também espaço para efetivação enquanto política social, em vários países, como Estados Unidos e países Europa, bem como aprovação para financiamento em esfera governamental.       Segundo o site do ITS (instituto de Tecnologia Social), o Emprego Apoiado foi incluído naRevista de Inovação Social de Stanford como uma das “dez recentes inovações sociais”.Trata-se de uma metodologia consolidada, e institucionalizada em vários países da Europa e nos Estados Unidos (país de origem). Consideramos como uma metodologia solidificada porque, em termos de inclusão de pessoas com deficiência no mundo do trabalho, o Emprego Apoiado conta com uma vasta fundamentação teórica e uma experiência prática com mais de 25 anos, gerando resultados positivos no âmbito de inclusão econômica de pessoas comincapacidade mais significativa.         A ideia do Emprego Apoiado é simples, prática e eficiente, pois está pautada na participação da pessoa, nos apoios, nas competências, no planejamento individualizado, no trabalho mútuo. Não no romantismo e na esperança de programas para tornar o indivíduo mais próximo da “normalidade”. O emprego Apoiado erradica esta ideia e proporciona a interação entre a pessoa, o processo, o contexto e a realidade, levando em consideração suas especificações e multidimensionalidade, permitindo que a pessoa viva em comunidade, pois acredita que, uma vez dispondo dos apoios necessários a pessoa torna-se pertencente em seu meio ecológico (Convenção dos direitos da pessoa com deficiência – ONU 2006 e ratificada pelo Brasil em 2008, defende o direito da participação da pessoa no meio comum) A fim de possibilitar às pessoas com deficiência viver de forma independente e participar plenamente de todos os aspectos da vida, as Estados partes tomarão as medidas apropriadas para assegurar as pessoas com deficiência o acesso, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, ao meio físico, ao transporte, à in­formação e comunicação, inclusive aos sistemas e tecnologias da informação e comunicação, bem como a outros serviços e instalações abertos ao público ou de uso público, tanto na zona urbana como na rural. Essas medidas, que incluirão a identificação e a eliminação de obstáculos e barreiras à acessibilidade, serão aplicadas, entre out­ros. (Convenção sobre os direitos da pessoa com deficiência, 2006, p.57). 

           O Emprego Apoiado não caracteriza-se como um programa de assistencialismo, mas sim, de respeito e valorização das capacidades das pessoas, incentivando a autodeterminação e empoderamento, ou seja, quando um empreendedor emprega uma pessoa com deficiência, ambos necessitam de satisfação no que se refere a suas atividades, a produção e a positividade nas relações com a equipe. Essas atitudes torna a prática do Emprego Apoiado um sucesso, considerando que a construção progressiva em conjunto enriquece e valoriza o trabalho, reestrutura as relações, tornando-os mais produtivos, participantes e contribuindo com a sociedade e com  a economia.

          Trabalhar significa possibilitar que a pessoa pertença ao meio comum como cidadão, o Emprego Apoiado é uma metodologia inclusiva que valoriza a participação da pessoa com deficiência e o seu pertencimento na comunidade em que vive, visa buscar os recursos naturais e tecnológicos para que a pessoa com incapacidade mais significativatenha autonomia e independência em casa, na comunidade, no trabalho, na escola, entre outros.

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POSTURA ÉTICA DO INTERPRETE DE LIBRAS

Intérpretes
Postura

O intérprete é a pessoa em que o surdo mantém extrema confiança, tanto profissional como pessoal. Devendo ser uma pessoa íntegra e cumprir somente com o seu papel de interpretar priorizando sempre em sua prática a ética.  

O intérprete independente de seus conceitos e valores pessoais deverá sem preconceito interpretar em locais como: grupo de conscientização de homossexuais e em eventos religiosos.

O intérprete deverá manter sigilo quando for acompanhar o surdo não devendo revelar  seu nome e o local aonde foi designado para atuar. 
O intérprete por ser a voz do surdo e do ouvinte deverá manter sempre sua neutralidade diante de qualquer situação.

O intérprete deverá sempre estar se aprimorando, se possível, freqüentando cursos de capacitação e outros eventos que venham colaborar para o seu aperfeiçoamento profissional e na aquisição de conhecimentos sobre a cultura surda.

O intérprete precisa ter expressão facial para que o surdo possa entender melhor a situação e, principalmente, ter postura, ou seja, não atuar de forma exagerada com o intuito de chamar a atenção.

O intérprete durante a sua atuação deverá ter intervalo de vinte em vinte minutos de revezamento com outro profissional em eventos de longa duração.

O intérprete precisa ser um profissional ético tanto com os surdos como com os seus colegas de profissão. Devendo estar sempre pronto a apoiar o próximo e estar disposto para o trabalho em equipe.

 

 

 

 

SIGN WRITING

É um sistema de escrita visual direta de sinais, desenvolvido pela norte-americana Valerie Sutton (1998), e sistematicamente descrito e desenvolvido em Capovilla e Sutton (2001). Estudiosa da dança, Sutton criou um sistema de notação de coreografias conhecido como DanceWriting. Na década de 70 começou a fazer experiências no registro da fascinante Língua de Sinais. Hoje, SignWriting é usado em todo o mundo. Há também um programa de computador chamado SignWriter (Gleaves & Sutton, 1995), especialmente delineado para esta escrita. No Brasil, SignWriting vem sendo usado em cursos de informática e língua de sinais para crianças surdas (Stampf 1998), escrever estórias de contos infantis em LIBRAS (Strobel 1995), para documentar a gramática da LIBRAS (Quadros 1999), e para documentar os sinais da LIBRAS no Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilingue de LIBRAS (Capovilla, Raphael e Luz, 2001b e 2001c).

Os sistemas de escrita alfabéticos representam os fonemas de que se compõem as palavras, enquanto que o SignWriting representa os quiremas de que se compõem os sinais. Ele emprega diferentes símbolos para representar os diversos componentes da LIBRAS tais como as configurações de mão; sua localização no espaço, e sua orientação, os tipos formas, frequências e dimensões dos movimentos, expressões faciais e corporais. Uma descrição detalhada pode ser encontrada no Dicionário Enciclopédico Trilingue de LIBRAS, CAPOVILLA Fernando & RAPHAEL Walkíria, ou no endereço www.signwriting.org.

Diferentemente das línguas orais, que podem ser registradas na modalidade escrita, as línguas sinalizadas, historicamente, eram e ainda são, até hoje, na maioria das vezes, registradas fielmente, com o recurso de vídeo.

A escrita de sinais, Sign Writing, foi criada para que, os registros das línguas sinalizadas não dependessem das traduções das línguas orais, que possuem outras estruturas gramaticais e culturais, ocasionando assim distorções. Signwriting é um sistema rico que mostra a forma das línguas de sinais.

 

 

ICONICIDADE E ARBITRARIEDADE NAS LIBRAS

ICONICIDADE E ARBITRARIEDADE NA LIBRAS

SINAIS ICÔNICOS

A modalidade gestual-visual-espacial pela qual a LIBRAS é produzida e percebida pelos surdos leva, muitas vezes, as pessoas a pensarem que todos os sinais são o “desenho” no ar do referente que representam. É claro que, por decorrência de sua natureza linguística, a realização de um sinal pode ser motivada pelas características do dado da realidade a que se refere, mas isso não é uma regra. A grande maioria dos sinais da LIBRAS são arbitrários, não mantendo relação de semelhança alguma com seu referente.

 

Uma foto é icônica porque reproduz a imagem do referente, isto é, a pessoa ou coisa fotografada. Assim também são alguns sinais da LIBRAS, gestos que fazem alusão à imagem do seu significado. Isso não significa que os sinais icônicos são iguais em todas as línguas. Cada sociedade capta facetas diferentes do mesmo referente, representadas através de seus próprios sinais, convencionalmente, (FERREIRA BRITO, 1993).

 

SINAIS ARBITRÁRIOS

São aqueles que não mantêm nenhuma semelhança com o dado da realidade que representam.

Uma das propriedades básicas de uma língua é a arbitrariedade existente entre significante e referente. Durante muito tempo afirmou-se que as línguas de sinais não eram línguas por serem icônicas, não representando, portanto, conceitos abstratos. Isto não é verdade, pois em língua de sinais tais conceitos também podem ser representados, em toda sua complexidade.

# COMUNIDADE SURDA - A ORIGEM DAS ASSOCIAÇÕES DE SURDOS NO BRASIL #

 

 Numa viagem ao exterior, o professor ouvinte Dr. Brasil Silvado Júnior entrou em contato com as associações de surdos dos países da Europa e trouxe a idéia de fundar a primeira associação de surdos do Brasil, no Rio de Janeiro. Segundo a revista Ephaphatha (1915), a idéia foi bem acolhida entre os surdos. Na primeira reunião para a organização dessa associação de surdos, em 24 de maio de 1913, foi registrada a presença de quase todos os surdos residentes no Rio. Dessa forma, iniciou a estruturação da Associação Brasileira de Surdos. Nesse período, ao mesmo tempo em que os surdos se organizavam, também surgia, no Distrito Federal (atualmente o Estado de Rio de Janeiro), com sua força avassaladora, as idéias do oralismo, cujo resultado final culminou com o controle dessa associação pelos ouvintes.

Em 16 de maio de 1953, uma outra associação denominada "Associação Alvorada de Surdos" surgiu no Rio de Janeiro. Era uma organização especial para um grupo de surdos oralizados da classe alta, da qual os surdos pobres e sinalizantes não podiam participar. A presidente dessa associação era a Sra. Ivete Vasconcelos, famosa professora ouvinte e adepta do oralismo, entretanto ela, bem mais tarde, aderiu às idéias da comunicação total e também aos ideais de Gallaudet, porém, com a sua morte, assumiu a presidência dessa associação o Padre Vicente de Paulo Penido Burnier que, por quase dezoito anos, esteve à sua frente. Essa associação mantém suas atividades até hoje, mas a grande diferença dos movimentos iniciados pelos surdos no Brasil está nas Associações de Surdos fundadas pelas lideranças surdas, que inauguraram um novo capítulo nas relações políticas entre surdos e ouvintes.
Em 1950, na cidade de São Paulo, alguns surdos que tinham liderança e ex-alunos do INES, costumavam encontrar-se para um bate-papo na praça da Matriz ou em alguma rua-ponto, independentemente de sua classe social. Essa prática teve sua origem com os alunos do INES, que se reuniam para conversar quando saíam das aulas. Tal comportamento se justificava principalmente pela possibilidade de trocarem informações na sua própria língua, sem o controle dos ouvintes e, também, pelo prazer de estarem juntos. Sempre que um surdo tinha tempo disponível, ele procurava se reunir com outros surdos em algum ponto de encontro.
Naquele período, também existiam as atividades de esporte, porém elas eram realizadas em conjunto com ouvintes devido à dificuldade que tinham para encontrar espaços para praticarem esportes entre si. Esses grupos, apesar de se reunirem permanentemente para um bom "bate-papo", não tinham idéia da existência das Associações de Surdos.
Essa reunião de surdos nas ruas de São Paulo não está distante da historia dos surdos de todas as capitais e cidades brasileiras. Quase todas as Associações de Surdos, nos dias de hoje, têm o início de sua história nas reuniões em algum ponto de encontro, tanto nas ruas quanto nas praças. São raras as Associações de Surdos que iniciaram suas atividades na casa de surdos ou de algum ouvinte.
O início da Associação de Surdos de São Paulo deu-se devido a uma viagem de passeio a Buenos Aires realizada por um surdo (Armando Melloni) que participava de um desses grupos de encontro em Campinas/SP. Nessa viagem, ele conheceu surdos da Argentina que participavam de uma Associação (Associocion dos Sordosmudos Ayuda Mutua, primeira associação fundada da América Latina, originada nas comunidades surdas da França) que funcionava naquela capital argentina. Convidado a conhecê-la, constatou que os surdos tinham um espaço próprio para a associação. No retorno de sua viagem, esse surdo de Campinas relatou a sua experiência para os grupos de surdos que se encontravam nas ruas. Ao mesmo tempo em que ficaram admirados com a notícia, também tomaram a iniciativa de fazer contato com a diretoria dessa Associação, trazendo para o Brasil a sua forma de ver a organização dos surdos. Assim, os surdos de São Paulo fundaram a primeira Associação realmente de surdos no Brasil.
Ao ser fundada, em 19 de março de 1954, a Associação de Surdos de São Paulo passou a ter como meta criar novas associações, nos mesmos moldes, em outros Estados do país. Dessa forma, em janeiro de 1955, foi fundada a Associação dos Surdos do Rio de Janeiro e, em 30 de abril de 1956, a Associação dos Surdos de Minas Gerais.
Engajado nesse novo projeto de construção de Associações de surdos pelo Brasil afora, estava o professor Francisco de Lima Júnior, de Santa Catarina que, a exemplo dos outros surdos, fundou, em 1955, o Círculo dos Surdos em Florianópolis, além de colaborar com Salomão Watnick na fundação da Associação dos Surdos de Porto Alegre.
Segundo o surdo Dellatore, "as Associações de Surdos, além de funcionarem como ponto para encontro esportivo dos surdos, funcionavam também como divulgadoras da língua de sinais e como identificadoras da capacidade do surdo como cidadão", apud FENEIS,2002.
A Comunidade Surda Brasileira comemora, 26 de setembro, o Dia Nacional do Surdo, data em que são relembradas as lutas históricas vividas por melhores condições de vida, trabalho, educação, saúde, dignidade e cidadania, bem como pelo pleno reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais e da cultura surda em todas as instâncias sociais. Esse dia é sugerida devido ao fato desta data lembrar a inauguração da primeira escola para Surdos no país em 1857, com o nome de Instituto Nacional de Surdos Mudos do Rio de Janeiro, atual INES - Instituto Nacional de Educação de Surdos.

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# DIFERENÇAS HUMANAS #

OUVINTE E SURDOS

Os ouvintes são acometidos pela crença de que ser ouvinte é melhor que ser surdo, pois, na ótica ouvinte, ser surdo é o resultado da perda de uma habilidade 'disponível' para a maioria dos seres humanos. No entanto, essa parece ser uma questão de mero ponto de vista.
Segundo Montesquieu (apud Maupassant, 1997: 56-57), um órgão a mais ou a menos em nossa máquina teria feito de nós uma outra inteligência. Maupassant, em seu conto 'Carta de um louco', reflete sobre a tese acima, defendendo que 'todas as idéias de proporção são falsas, já que não há limite possível, nem para a grandeza nem para a pequenez (...) a humanidade poderia existir sem a audição, sem o paladar e sem o olfato, quer dizer, sem nenhuma noção do ruído, do sabor e do odor. Se tivéssemos, portanto, alguns órgãos a menos, ignoraríamos coisas admiráveis e singulares; mas se tivéssemos alguns órgãos a mais, descobriríamos em torno de nós uma infinitude de outras coisas de que nunca suspeitaremos por falta de meios de constatá-las'.
Se não há limite entre a grandeza e a pequenez, e nenhum ser humano é exatamente igual a outro, podemos concluir que ser surdo não é melhor nem pior que ser ouvinte, mas diferente. É por não se tratar necessariamente de uma perda, mas de uma diferença, que muitos surdos, especialmente os congênitos, não têm a sensação de perda auditiva. Os surdos sem o sentimento de perda auditiva são levados a descobrir a surdez.
Quebrar o paradigma da deficiência é enxergar as restrições de ambos: surdos e ouvintes. Por exemplo, enquanto um surdo não conversa no escuro, o ouvinte não conversa debaixo d'água; em local barulhento, o ouvinte não consegue se comunicar, a menos que grite e, nesse caso, o surdo se comunica sem problemas. Além disso, o ouvinte não consegue comer e falar ao mesmo tempo, educadamente, e sem engasgar, enquanto o surdo não sofre essa restrição. Se consideramos que os surdos não são 'ouvintes com defeito', mas pessoas diferentes, estaremos aptos a entender que a diferença física entre pessoas surdas e pessoas ouvintes gera uma visão não-limitada, não-determinística de uma pessoa ou de outra, mas uma visão diferente de mundo, um 'jeito Ouvinte de ser' e um 'jeito Surdo de ser', que nos permite falar numa cultura de visão e noutra da audição.

 

# A QUESTÃO MULTICULTURAL SURDA #

 

Todavia, pelo fato de surdos e ouvintes encontrarem-se imersos, normalmente, no mesmo espaço físico e partilharem de uma cultura ditada pela maioria ouvinte, no caso do Brasil, a cultura brasileira, surdos e ouvintes compartilham uma série de hábitos e costumes, ou seja, aspectos próprios da Cultura Surda, mesclados a aspectos próprios da Cultura ouvinte, fato que torna os surdos indivíduos multiculturais. Por esse motivo, Skliar (2001:28) é possível aceitar o conceito de Cultura Surda por meio de uma leitura multicultural, em sua própria historicidade, em seus próprios processos e produções, pois a Cultura Surda não é uma imagem velada de uma hipotética Cultura Ouvinte, não é seu revés, nem uma cultura patológica.'
Em suma, caracterizar a Cultura Surda como multicultural é o primeiro passo para admitir que a Comunidade Surda partilha com a comunidade ouvinte do espaço físico e geográfico, da alimentação e do vestuário, entre outros hábitos e costumes, mas que sustenta em seu cerne aspectos peculiares, além de tecnologias particulares (vide mais abaixo), desconhecidas ou ausentes do mundo ouvinte cotidiano.
Sobretudo, os surdos possuem história de vida e pensamentos diferenciados, possuem, na essência, uma língua cuja substância 'gestual', que gera uma modalidade visual-espacial, implica uma visão de mundo, não-determinística como dito anteriormente, mas, em muitos aspectos, diferente da que partilha a Comunidade Ouvinte, com sua língua de modalidade oral, cuja substância é o 'som'. Em concordância com essa visão, Felipe (2001:38) afirma que os surdos possuem 'uma forma peculiar de apreender o mundo que gera valores, comportamento comum compartilhado e tradições sócio-interativas. A essemodus vivendis dá-se o nome de 'Cultura Surda'.

UMA SÍNTESE DA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE SURDOS E O MODELO EDUCACIONAL BILINGUE.

A educação de surdos consiste num grande desafio, algo que inquieta professores e outros profissionais ligados à educação dessas pessoas. O grau de dificuldade existente no processo educacional do surdo está intimamente ligado ao fato de que durante séculos, o método de ensino utilizado nesse processo educacional, ter sido determinado por ouvintes e não por aqueles que, na prática sabem como aprendem melhor, como é mais fácil se comunicar e se fazer entender. Assim justificamos este estudo sobre a temática em questão, construído a partir de levantamento de dados e análise de documentos, que tem o objetivo de fornecer informações históricas sobre o processo educacional vivido pelos surdos desde a Idade Média, bem como conhecer métodos de ensino desenvolvidos para alfabetizar pessoas surdas como o Oralismo, a Comunicação Total e o Bilingüismo, uma nova linha de trabalho, uma nova proposta de ensino, analisando suas contribuições e influências. Palavras-chave: História; educação; Bilingüismo. 

A linguagem prova clara da inteligência dos homens, permite ao mesmo, estruturar seu pensamento, traduzir o que sente registrar o que conhece e comunicar-se com outros homens. Ela marca o ingresso do homem na cultura, como um sujeito capaz de produzir transformações nunca antes imaginadas. A linguagem humana constitui uma característica marcante e isolada da espécie. A capacidade mental de alguns primatas antepassados dos homens, deve ter sido bem mais desenvolvida do que qualquer vivente daquela época, pois, por mais imperfeita que possa ter sido a forma de linguagem por ele difundida, seu uso contínuo e desenvolvimento agindo sobre suas mentes, proporcionaram as condições favoráveis à formulação ou formação do pensamento e, por conseqüência, o surgimento da Língua. Possuir uma Língua constitui um atributo que nos diferencia dos outros animais.

Todo ser humano, no convívio de uma comunidade lingüística, fala uma língua, a sua língua materna. Ninguém ensina uma criança a andar ou a falar. Aprender a falar é diferente de aprender a escrever. As crianças, na maioria das vezes, até os cinco anos de idade, aprendem a falar como aprendem a andar, naturalmente.

 

COMUNICAÇÃO - ( SURDEZ) -  ENTENDA UM POUCO MAIS SOBRE ESSE TEMA!!!

 

A comunicação é o ato ou efeito e emitir, transmitir e receber mensagens por meio de métodos e/ou processos convencionados, quer através da linguagem escrita e falada, quer de outros sinais, signos ou símbolos, quer de aparelhamento técnico especializado, sonoro e/ou virtual.

E os conjuntos linguísticos diferentes, com elementos determinadores internacionais diferenciados, padrões estes culturalmente fixados, supõe a possibilidade de que todos estejam, em suas ações transculturais recíprocas, orientando-se por regras e adequações. Que esforços estão sendo feitos para a compreensão da cultura internacional do surdo?

Existem surdos que conseguem aprender a falar e outros que aprender a Língua de Sinais. Estes desenvolvem a habilidade espacial no cérebro de forma mais significativa do que o outro. A possibilidade de ter um desenvolvimento mai s natural no espaço pode favorecer o processo educacional da criança surda. É uma forma de aproveitar o potencial dos surdos, pois eles estabelecem  de uma forma visual espacial, relações diretas com a imagem que o pensamento lhes permite.

 

“” possuir linguagem é de fundamental importância para qualquer ser humano no que se refere ao seu desenvolvimento cognitivo. Se a LIBRAS é a língua natural dos surdos (assim como o português é a língua natural dos ouvintes Brasileiros), é através dela que um surdo se desenvolve e se comunica. Precisamos, portanto, respeita-lo e, por que não?, aprende-la.

 

SEU FILHO É SURDO?  PRESTE ATENÇÃO NESTE RECADO!!!

 

A comunicação precoce com os surdos é importantíssima para o desenvolvimento cognitivo e psicossocial. E o primeiro passo é saber os gestos dos SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO, enfatizando a leitura oral/facial, principalmente partindo do concreto, mostrando o objeto que o surdo visualiza a imagem e faz o sinal classificador. O segundo passo é conhecer o ALFABETO MANUAL para a comunicação com o filho, ensinando o nome, sobrenome, os nomes dos membros da família, nome da rua onde mora, bairro etc...

É importante ressaltar que o surdo, mais do que qualquer outra pessoa, precisa a prender a ler, escrever, cantar e entender. Precisa estudar – estudar muito.

O surdo que viveu no “isolamento” da comunicação, hoje enfrenta muitos problemas e não consegue fazer parte ativa da sociedade onde vive. Ou seja, só consegue viver “feliz” na comunidade surda. Já os surdos cujos pais deram apoio, atenção e estímulo, hoje são bem sucedidos e se comunicam em qualquer lugar, seja  na agência bancária, nas compras, em viagens, em reuniões sociais, eventos etc.

Por isso apoie seu filho, dando a ele total reconhecimento e apoio, leve-o para ter um relacionamento com outras pessoas, ouvinte e surdos.

Com isso você terá um filho participante da Sociedade, feliz e dinâmico

AS CONSEQUÊNCIAS DA SURDEZ (DIFICULDADES DOS SURDOS)

 

As consequências da surdez existem, sobretudo ao nível do desenvolvimento. O Surdo fica privado, em termos auditivos, de um conjunto de informações. do dia-a-dia, que invadem permanentemente o ouvinte, sem que este exerça algum esforço deliberado. Esta privação pode provocar sentimentos como a desconfiança e insegurança, pois, a criança Surda “experimenta os acontecimentos que podem ocorrer sem previsão ou explicação. A falta de preditibilidade ou explicação dos eventos pode fazer com que uma criança possa sentir-se mais insegura e impotente, e supomos que, em consequência, também terá menos probabilidades de estabelecer relações de causa-efeito”. Ao não lhe ser possível dominar, por completo, o ambiente em que se movimenta, a criança Surda “arrisca-se a acostumar-se a viver num mundo incompreensível de que adopta os comportamentos por mimetismo visual”. Recorde-se, por exemplo, o testemunho da atriz Surda Emmanuelle Laborit, quando refere que as suas recordações da primeira infância são estranhas, pois existia “um caos na minha cabeça, uma sequência de imagens sem relação entre si, como sequências de um filme montadas umas atrás das outras, com longas tiras negras, grandes espaços vazios” (Laborit). Este fato resulta da ausência de uma linguagem estruturada que dê sentido ao que se vê e que permita a evocação da imagem, mesmo quando ela não está presente.

O SURDO NA VIDA PROFISSIONAL

 

O trabalho na vida de um surdo é um fator essencial, pois é a partir desta experiência que o surdo adquire independência e autonomia, indispensáveis para o ser humano. Existem projetos com parcerias de empresas e indústrias que promulgam a inserção do surdo na comunidade profissional.

 A Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, da Constituição de 1988, regula às Pessoas com Necessidades Especiais (PNE’s) o direito de acesso ao mercado de trabalho (público e privado), conforme trecho abaixo:

“A Constituição Federal veta a discriminação no tocante a salários e critérios de admissão para os trabalhadores com qualquer tipo de deficiência (art. 7, XXXI) e instituiu a reserva de 20% de cargos e empregos públicos para PNE’s (art. 37, VIII). Já a Lei 8.213/91 (art. 93), a chamada Lei de Cotas, estabeleceu que todas as empresas privadas com mais de 100 funcionários devem preencher entre 2% e 5% de suas vagas com trabalhadores que tenham algum tipo de necessidade especial. Esse percentual varia em função do número de funcionários da instituição: empresas com até 200 funcionários devem ter 2% de suas vagas preenchidas por PNE’s; entre 201 e 500 funcionários, 3%; entre 501 e 1000 funcionários, 4%; empresas com mais de 1001 funcionários, 5% das vagas.” (ARAÚJO e SCHMIDT, 2006).

Com o apoio desta Lei, as pessoas surdas estão cada vez mais conquistando seu espaço na sociedade, adquirindo experiência, profissionalizando e alcançando seus objetivos. 


 

UMA EXPERIÊNCIA, REFLEXO DO PARADIGMA DA EDUCAÇÃO!!!

 

A pouca qualificação profissional de professores e intérpretes atrelados a um contexto curricular defasado e carente de significados em sala de aula, repercute-se no abandono da escolarização e nos baixos níveis de satisfação, auto-estima e valoração do papel social da escola.
Numa sala inclusiva onde todos recebiam os mesmos conteúdos diários surgiram dezenas de conflitos, as críticas à metodologia e a postura dos professores e intérpretes em sala de aula como: excesso de termos para conceituação, comunicação verbalizada rápida, sem direcionamento físico para os surdos com verbalização de costas para a sala e sem articulação labial fonética acessível para leitura labial, vocabulário rebuscado e repleto de sinônimos descontextualizados à Libras.  Estes foram alguns dos pontos mais críticos observados pelos surdos na avaliação pedagógica. 
Abaixo alguns relatos de surdos sobre a qualidade do ensino e as necessidades para obter aprendizagem:
 “Também os professores falam muito, não tem claro, mas os surdos sempre olham o intérprete, não tem claro, não é igual aos professores. As matérias são muito difícil... os surdos não dá memória essa as matérias diferentes, também os ouvintes não tenha ajudam”(Depoimento de um pré-vestibulando)

Outros conflitos na relação com os ouvintes que chegavam à sala mais cedo e guardavam lugar para os colegas que “tomavam” os lugares dos surdos que queriam sentar na frente.  Mas os surdos não se esforçavam para chegar cedo, sempre atrasados quase 1 hora.
 “Na aula, os ouvintes surdos conclusão atrapalha um pouco mas professores falam muito rápido e muito escreve complicado quadro”. (Depoimento de um pré-vestibulando)

Muitos desistiram do curso para trabalhar ou porque não acreditavam nas suas potencialidades acadêmicas.  No final apenas oito chegaram ao vestibular. Nenhum sequer passou na primeira fase. 
“Acho impossível falou os surdos tem 10% de redação igual ouvinte nossos surdos estamos dificuldade de fazer uma redação perfeito como podemos fazer isso. Nós estamos com medo perder para futuro universidade acho perdemos este ano vestibular”. (Depoimento de um pré-vestibulando)

Assim concordamos com o professor SKLIAR quando afirma que 
A escola atual não proporciona oportunidades para o desenvolvimento das identidades pessoais, ao contrário, dá-se prioridade às habilidades técnicas que são sugeridas pela lógica contemporânea do mercado. Esta lógica impõe, por exemplo, a inclusão de surdos em escolas regulares, justificando tal decisão com argumentos do politicamente correto, do fazer surdos mais eficazes, mais eficientes.

ESPAÇOS E PROJETOS AMEAÇADOS POR UMA POLÍTICA EQUIVOCADA PARA OS SURDOS

 

O MEC está promovendo uma grande mudança na educação dos surdos no Brasil, cujo objetivo mais relevante é a inclusão da população surda nas escolas de ouvintes. Para alcançar essa meta o MEC iniciou a capacitação de professores ouvintes no uso da LIBRAS e reconheceu as figuras do professor e do instrutor surdos.

Muitos especialistas alimentam os discursos de inclusão, sem perceberem as consequências deste processo que só tem contribuído mais e mais para a frustração educacional dos alunos surdos. Estes especialistas não têm nenhuma experiência na prática em sala de aula com surdos e acabam por considerá-los no mesmo patamar de deficientes visuais, mentais e outros, sem se dar conta de que as pessoas surdas possuem uma identidade linguística e cultural que as diferencia dos demais portadores de necessidades educativas especiais.

 

            """" SURDO ESTE DESCONHECIDO """"

Não raro é possível vivenciar situações em que os que ouvem chamam aos que não ouvem de "surdo-mudo", "mudo", "mudinho", na crença de que todo surdo é mudo. A verdade, porém, é que bem poucos surdos são mudos, e há muitas pessoas mudas que não são surdas. O mudo é a pessoa privada de algum órgão do aparelho fonador que o impeça de produzir sons, por exemplo, ter nascido sem cordas vocais. Como não pode produzir espécie alguma de som, consequentemente, ele não utiliza a fala. A fala, enquanto atividade que envolve a produção de sons, também não é empregada por boa parte dos surdos, o motivo é simples: eles podem produzir som - entendido, nesse caso, como barulhos, ruídos -, mas como não podem captá-lo, ficam, na maioria das vezes, impossibilitados de produzir ou reproduzir sons da fala. Na condição de atividade linguística oral, a fala é aprendida por meio da audição. Assim, a surdez dificulta ou impede a aprendizagem dos sons ditos linguísticos. Para compreender a diferença, basta pensar numa cena em que um surdo dá uma topada numa pedra. Ele vai, possivelmente, urrar de dor, fará barulho, sua expressão de dor será tão ruidosa quanto à de um ouvinte. A diferença reside no fato, malvisto pelos politicamente corretos, de que o ouvinte empregará uma (ou umas) expressãozinha de baixo calão para extravasar sua dor/raiva. O exemplo acima é apenas um possível. Surdos também podem produzir muito barulho - sons vocais - para chamar a atenção de um ouvinte, pelo motivo que for. Embora o usual seja encontrar surdos que não se utilizam da língua oral, há os que após anos de tratamento com fonoaudiólogos e professores de português conseguem se comunicar muito bem por meio da fala. Seus diálogos, nesse caso, são sempre travados frente a frente com o receptor, de forma que o surdo possa efetuar a leitura labial. Enganam-se os que pensam que a leitura labial é uma constante entre os surdos. Tal habilidade requer gastos dispendiosos, paciência e muitos anos de treino para ser adquirida e, o pior, nem sempre pode ser empregada - muitos fatores acabam por prejudicar a leitura labial, como o uso de barba e/ou bigode, a distância entre as pessoas envolvidas no ato comunicacional, a forma particular como algumas pessoas articulam certas palavras da língua etc. Pelos motivos apontados acima, o meio natural de comunicação entre surdos e entre surdos e ouvintes é o uso da língua brasileira de sinais - Libras -, já reconhecida por lei como a língua oficial de comunicação dos surdos brasileiros. Trata-se de um sistema linguístico visual, em que as palavras são articuladas em sinais, ou melhor, os sinais são palavras. Estes, por sua vez, organizam-se em frases e estas, em texto/discurso. Ao “sistema de comunicação” empregado pelos que não ouvem, chamamos língua, e não linguagem. O português e a Libras são “sistemas de comunicação” distintos, são línguas diferentes, cada uma com suas próprias regras gramaticais. E, não, línguas de sinais não são universais. No Brasil, aliás, não existe apenas a Libras, há também a língua de sinais empregada pelos índios caapores-urubus, consideravelmente distinta daquela. Infelizmente a Libras ainda é uma desconhecida para a população ouvinte e mesmo para uma parcela significativa de surdos, circunstância ocasionada, em relação a esses últimos, por alguns fatores históricos, sociais e "acidentais" - desculpe, leitor, a falta de um termo melhor. Fatores aos quais pretendo me ater em um próximo texto sobre os surdos, que, lembre-se bem, raramente são mudos. 

FONTE: Prof. Cristiane S. Rodriguesferida

QUEM SÓ VÊ A DIFERENÇA NÃO ENXERGA A COMPETÊNCIA!!!

CADA VEZ MAIS AS ESCOLAS E EMPRESAS ESTÃO DISPERTANDO PARA AS NECESSIDADES, 

DE SE TORNAREM INCLUSIVAS. AINDA HÁ MUITO O QUE AVANÇAR, MAS JÁ EXISTEM INICIATIVAS SUFICIENTES,

PARA NOS COLOCAR DIANTE DO DILEMA PESSOAL: E AGORA, COMO DEVO AGIR COM MEU COLEGA DIFERENTE?

ANTES DE TUDO É PRECISO TER EM MENTE QUE NÃO É A DIFERENÇA DE DETERMINA A COMPETÊNCIA.

TENDO ESTA VISÃO POR PRINCÍPIO, AS DEMAIS BARREIRAS SÃO SUPERADAS COM NATURALIDADE.

A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO DESENVOLVIMENTO NA VIDA DA PESSOA SURDA

 O desenvolvimento da expressão corporal é de máxima importância para o surdo em qualquer idade, mas principalmente quando este é criança. É a partir da estimulação e desenvolvimento recebido na infância, que a criança surda terá maiores possibilidades de comunicação, interação e convivência social, assim como de sua realização pessoal.    Tem-se a Educação Física, portanto, como uma aliada no desenvolvimento dos níveis motores, perceptivo, cognitivo e sócio-cultural para todas as pessoas e em especial para os surdos, porque suas aulas possuem características diferenciadas, são desenvolvidas no “pátio” ou no ginásio, permite maior liberdade, os alunos tornam-se mais espontâneos, mais criativos e produzem mais e com maior facilidade, mantendo uma constante troca de relações sociais. Nesta troca de relações, libera-se a criatividade, as emoções e produzem-se formas diferenciadas de movimentos e expressões tornando o aluno surdo mais ativo, produtivo e integrado.    Destaca-se a criatividade e a espontaneidade dentre as características da Educação Física já citadas, já que a criatividade proporciona novas descobertas, novas percepções, revela novas formas e movimentos, onde estão interligados, principalmente os aspectos emocional, cognitivo e o corporal, e juntamente com ela percebe-se a manifestação da espontaneidade, através da demonstração das expressões corporais, a criação de novos gestos, formando uma linguagem corporal única e individual, que exprime um sentimento positivo e importante para a sua formação e desenvolvimento.

    E é dessa forma, que a Educação Física torna-se importante e necessária, e a capacitação de seus profissionais para atuarem nesta área torna-se imprescindível, visto que a atuação é também competência deste profissional, além de constituir uma área de trabalho e de uma linha de pesquisa emergente. Dessa forma, não nos resta dúvidas com relação à importância e a influência que a atividade física, ou a prática esportiva ou recreativa, ou o exercício físico, representam para a formação de todo e qualquer ser humano, e aqui em especial para a criança surda, pois além de possibilitar que ela se movimente descobrindo-se, permite também que ela descubra o mundo a sua volta desenvolvendo-se física, mental, emocional, lingüística e socialmente. É neste sentido que está a relação e a grande influência da Educação Física para o surdo e a contribuição que esta pode proporcionar para o melhor desenvolvimento de sua capacidade de comunicação e de sua melhor integração social.    Por desconhecimento, receio ou mesmo preconceito, a maioria das pessoas com deficiência foram e são excluídas das aulas de Educação Física (EF). A participação nessa aula pode trazer muitos benefícios a essas crianças, particularmente no que diz respeito ao desenvolvimento das capacidades afetivas, de integração e inserção social.

 

CONCEITUAÇÃO E TERMINOLOGIA DA SURDEZ (DIFERENTE OU DEFICIENTE?)

Assim como as pessoas que enxergam, as pessoas com deficiências querem ser aceitas e respeitadas como indivíduos, sendo o comprometimento visual apenas uma de suas diversas características pessoais, e não o traço que os define.

Ser normal ou não antecede a discussão de que o portador da surdez é diferente ou deficiente. Definir o normal do anormal, não diz apenas respeito a questão biológica e também a questão social, o normal não é o ser humano destituído de norma, e sim aquele que possui características diferentes e não faz parte da média considerada normal, que segue as normas estabelecidas socialmente.

Características individuais distintas do esperado não são bem-vistas. Esse processo ocorre tanto em contexto social, quanto são discriminados que não conhecem a norma culta da língua falada e escrita, quando clinica, em que de fato é feita uma "cisão", referendada por uma autoridade, que faz o individuo deixe de pertencer ao normal para integrar o patológico.
 

O termo deficiência tem sido discutido por vários autores, há muito tempo tem sido utilizado para descrever indivíduos com algum tipo de deficiência, tendo significados diferentes.. A declaração dos direitos das pessoas deficientes, aprovada pela assembléia geral da ONU, em 9 de dezembro de 1975, especifica em seu artigo 1° que: o termo "pessoa deficiente" refere-se a qualquer pessoa incapaz de assegurar a si mesma, total ou parcialmente, as necessidades de uma vida individual ou social normal, em decorrência de suas capacidades físicas ou mentais. 

[...] pessoas portadoras de deficiência são seres que possuem potencialidades, limitações e diferenças que os constituem como um ser ímpar. Outro termo também utilizado pelo autor é "pessoa portadora de necessidades especiais, que para ele caracteriza alguém que não é necessariamente portadora de deficiência. É um termo abrangente e define a pessoa como a que apresenta, em caráter permanente ou temporário, algum tipo de deficiência física, sensorial, cognitiva, múltipla, condutas típicas ou altas habilidades, necessitando de recursos especializados para minimizar suas dificuldades.


 

POLÍTICAS PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO NO BRASIL: INTEGRAÇÃO E BILINGUISMO NA VIDA DO SURDO!!!

As políticas de educação brasileira têm sua trajetória marcada por avanços significativos ao longo da historia. Segundo Ball (1997) afirma que nenhuma política é neutra, pois se insere em um campo de representações codificadas e decodificadas, engendradas, em determinado contexto histórico e espaço geográfico, de uma forma complexa e multifacetada, por meio de conflitos, lutas e correlações de forças.

As políticas públicas voltadas para o atendimento de sujeitos com necessidades especiais têm estado presente quase sempre em um campo muito contestado. Em 1961, com a primeira LDB (Lei 4024/61) já se dava ênfase no sentido de conceber a educação como direito de todos e de recomendar a integração da educação especial ao sistema nacional de educação. Já a Lei 5692/71 que alterou a referida Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional também reafirmou a necessidade de se conferir um tratamento adequado aos alunos com necessidades especiais.

A Constituição de 1988 em seu artigo 208, essa Lei Maior Brasileira determinou ser dever do Estado, o atendimento educacional especializado, aos portadores de deficiência, na rede regular de ensino. Mas foi só depois da LDBEN (9394/96) é que a educação especial passa a ser objeto de muitos debates, principalmente no que se refere ao seu artigo 58 onde conta que “essa modalidade de educação deve ser oferecida, preferencialmente, na rede regular de ensino para os alunos portadores de necessidades especiais”. Recomenda também que deve contar com: apoio especializado, para o atendimento adequado aos alunos especiais e classes, escolas ou serviços especializados quando, não for possível, a inclusão em classes regulares.

Buscando atender as especificidades impostas pela nova LDB, começou-se a procurar a maneira mais adequada de comunicação culminando no ano de 2002 com a oficialização da LIBRAS e, gerando a partir daí surge novas discussões, sobretudo, por parte dos surdos oralizados e de profissionais que trabalhavam com surdos, que não sentiam-se inclusos numa comunidade surda e que a partir de então passam a encarar a nova língua como objeto hostil para o sistema educacional.

Outro problema ainda a ser vencido desde a criação da LIBRAS é que muitos profissionais ainda não entendem a mesma como uma linguagem vendo-a apenas como uma maneira de comunicação para aqueles surdos que não conseguem desenvolver a forma oralista de comunicação, existindo por parte destes profissionais, a predominância da visão oralista (DIZEU & CAPORALI, 2005). Este fator acaba contribuindo de maneira negativa no processo de integração social do surdo indo, portanto, na contramão do que busca a LDB, pois na grande maioria dos surdos o desenvolvimento desta forma de comunicação não é possível devido a sua limitação.

Passou-se a partir das novas concepções determinadas por marcos legislativo, a vigorar a idéia de que a inclusão do aluno surdo na rede de ensino regular possui um papel determinante para o desenvolvimento, não apenas educativo, mais de todo o contexto sócio-cultural do indivíduo uma vez que o comprometimento da perda da capacidade auditiva acarreta enormes dificuldades de socialização com pessoas ouvintes carecendo, então, de intervenções pedagógicas, familiares e sociais, para que o processo de integração ocorra de forma agradável ao portador da dificuldade levando-o a uma socialização completa com o mundo que o rodeia (SOUZA & MACÊDO, 2002).

Essa idéia de inclusão imposta pela legislação, não é vista por todos como uma proposta redentora uma vez que possui contrapontos que devem ser analisados com especial atenção visando de, uma forma geral, a melhor opção daquilo que pode ser considerado a verdadeira integração do aluno portador de surdez no conjunto da comunidade. A idéia predominante ainda hoje, no entanto, é que constitui um ato de discriminação colocar os alunos surdos, ou portadores de outras deficiências, em salas de aulas de escolas especiais. Esta idéia é vista ainda como um ato de atentado a modernidade, ou ao avanço tecnológico e, de outro lado, a inclusão de alunos “deficientes” juntamente com alunos “normais” é um ato de solidariedade e um grande avanço educacional ignorando o fato de que apesar a aproximação física o aluno surdo afastado pela restrição de comunicação vez que, os alunos não surdos possuem apenas o conhecimento da língua oral e a eles não são oferecidos o ensinamento da LIBRAS (SÁ, 2006).

Propiciar a inclusão dos alunos portadores de surdez num ambiente onde a maioria dos alunos são ouvintes, aí fica a indagação, isso é inclusão ou exclusão? Como fica a socialização destes, uma vez que sua forma de comunicação é gestual-visual e a do aluno ouvinte é oral-auditiva? E o desenvolvimento da aprendizagem deste dentro da sala de aula comum pode ser satisfatório? São estas questões, propostas por Sá (2006), que devemos analisar com muito cuidado, para não cometermos erros que possam prejudicar o desenvolvimento do aluno portador de surdez.

ESCOLAS AINDA NÃO ESTÃO PREPARADAS PARA RECEBEREM ALUNOS SURDOS!!!

Muitos questionamentos estão sendo feitos quanto a Inclusão de surdos em escolas comuns no Brasil, principalmente no que condiz às séries iniciais. O surdo tem como sua primeira língua, a Língua de Sinais (LIBRAS), necessitando de um período de maturação cognitiva (em seus primeiros anos), para somente depois iniciar um processo de bilinguismo propriamente dito, ou seja, usar de Libras e da Lingua Oral. Por outro lado, as escolas brasileiras de ensino comumnão estão capacitadas para receber crianças surdas, nem a nível físico (salas, materiais), nem a nivel especifico (metodologias), e ainda nem a nivel de pessoal (professores especializados e/ou intérpretes). Para tanto, há necessidade de se montar uma infra-estrutura adequada, que atenda as diferenças da criança surda. As autoridades precisam refletir melhor sobre o assunto, antes de criarem impasses significativos quanto à identidade e o processo de aprendizagem das crianças surdas no Brasil, através do que chamam de Inclusão, numa educação para todos. Pois incluir, no contexto do surdo,não significa apenas inserir numa sala de ensino comum, mas respeitar suas diversidades, atendendo todas as suas especificidades.

 

RESPEITE!!!

LEI Nº 8.213, DE 24 DE JULHO DE 1991,

 

 lei de contratação de Deficientes nas Empresas.  Lei 8213/91, lei cotas para Deficientes e Pessoas com Deficiência dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência e dá outras providências a contratação de portadores de necessidades especiais.

Art. 93 - a empresa com 100 ou mais funcionários está obrigada a preencher de dois a cinco por cento dos seus cargos com beneficiários reabilitados, ou pessoas portadoras de deficiência, na seguinte proporção:

- até 200 funcionários.................. 2%
- de 201 a 500 funcionários........... 3%
- de 501 a 1000 funcionários......... 4%
- de 1001 em diante funcionários... 5%

LEI DE COTAS PARA PESSOAS DEFICIENTES

 

Mudança na Lei (BPC) abre espaço para trabalho de pessoas com deficiência
o No Dia Nacional de Luta das Pessoa com Deficiência (21/09), os beneficiários do BPC (Beneficio de Prestação Continuada) teve um motivo a mais para comemorar: a possibilidade de ingressar no mercado de trabalho sem a o risco de perder o beneficio. A notícia foi dada no encontro Panorama Atual da Empregabilidade da Pessoa com Deficiência, realizado na terça-feira, 20/09, no Centro Publico de Economia Solidária, em Osasco. 

A lei que cria essa possibilidade é a 12.470, a qual foi publicada no Diário Oficial da União em 1 de setembro. De acordo com o texto, os beneficiários do BPC que ingressarem no mercado de trabalho ficam com o beneficio suspenso. Mas extinta a relação trabalhista poderá ser requerida a continuidade do beneficio que foi suspenso, sem necessidade de realização de perícia médica ou da reavaliação da deficiência e do grau de incapacidade. Se os beneficiários forem contratados como aprendizes, acumulam o salário e o benefício, limitado ao período de dois anos.

Tais mudanças foram apresentadas no encontro pelo coordenador de Gestão de Políticas Públicas da Gerência Regional do Trabalho e Emprego de Osasco, Ronaldo Freixeda, que vê a mudança como a grande chave para garantir com que as pessoas com deficiência exerçam seu direito de cidadão: trabalhem. "E um incentivo para que possam ir para o mercado de trabalho", afirma Freixeda.

De acordo com o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome, recebem o BPC 1,27 milhões de pessoas com deficiência em idade para trabalhar.

RAIS - Os participantes do encontro também foram convidados a compreenderem e utilizarem os dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) como instrumento de trabalho pela inclusão. Alexandre Guerra, coordenador do Observatório do Trabalho apresentou dados da RAIS de 2009 que mostram que as pessoas com deficiências são apenas 0,7% dos trabalhadores no mercado formal.

As informações também jogam abaixo preconceitos como o de baixa escolaridade de pessoas com deficiência. Tanto quem tem, como quem não tem alguma deficiência tem níveis de escolaridade muito semelhantes. "É um argumento furado", resume Guerra.

Todas essas informações estão detalhadas no livro “Pessoas com Deficiência no Trabalho Formal: Por que não?”, lançado recentemente pelo Espaço da Cidadania.

Fiscalização – Porém, ainda que os números sejam pequenos, correm o risco de ficarem menores, caso não sejam retomados os investimentos em pessoal e em infra-estrutura na Gerência de Osasco, que responde pelo maior percentual de contratações no país.

A denúncia foi feita pelo presidente do CISSOR (Conselho Intersindical de Saúde e Seguridade Social), José Elias de Góes. “Os órgãos que deveriam fiscalizar estão sucateados. A Gerência está na iminência de ser despejada [do prédio que ocupa em Osasco] e há poucos fiscais”, alertou.

As informações foram passadas aos 125 participantes do encontro, que também conheceram o Osasco Inclui, da Prefeitura de Osasco, se informaram sobre fontes alternativas para recrutamento e trocaram experiências sobre inclusão.

Nota do Espaço da Cidadania:

• Apenas 25% das vagas da Lei de Cotas são respeitadas no país.
• Apesar de existir 17 milhões de pessoas com deficiência em idade de trabalhar com carteira registrada apenas 306 mil estão nesta condição representando apenas 0,7% dos trabalhadores formais.

• O baixo percentual de contratação reflete o alto nível de preconceito cultural e barreiras atitudinais existentes nas organizações e na sociedade, aliado à frouxidão do sistema de fiscalização trabalhista frente a esta questão.

O MUNDO DO SURDO - LEIA E COMPARTILHE

 

Todos os dias, acordamos, lavamos o rosto, tomamos nosso café da manhã e saímos para trabalhar. Ao lavarmos o rosto, o barulho da água saindo pela torneira nos anima para começar o dia. Na cozinha, a torradeira apita e nos avisa que a torrada está pronta. No caminho para o trabalho, o som dos automóveis nos orienta para atravessarmos a rua.

Mas... e se você não pudesse ouvir? Não se animaria para trabalhar, queimaria a torrada e não conseguiria atravessar a rua?

Você sabe de quem estamos falando? Sim, estamos nos referindo às pessoas surdas. Pessoas que não fazem de sua condição um limite para alcançar seus objetivos e sim uma ponte para descobrir novas fronteiras, novas formas de ver e viver o mundo.

O mundo do surdo é especial e diferente. É um mundo cercado de luz, cores, movimento, expressões de tristeza e alegria e tudo o que se pode captar com os olhos.

(...)

Algumas características atribuídas às pessoas surdas como agressividade, falta de educação, egocentrismo, isolamento, timidez, na maioria dos casos, trata-se de um único problema: falta de comunicação. Alguém que não entende e que não é capaz de se fazer entender pode desenvolver atitudes radicais, que, muitas vezes, são incompreendidas pela sociedade e pela própria família. Perdendo o referencial familiar e da sociedade, de uma forma geral, o surdo perde a noção de seu espaço e de sua função no mundo, sentindo-se inútil e um fardo a ser carregado.

 

 

A ABORDAGEM BILÍNGUE NA ESCOLARIZAÇÃO DE PESSOAS COM SURDEZ

A abordagem educacional por meio do bilingüismo visa capacitar a pessoa com surdez pra a utilização de duas línguas no cotidiano escolar e na vida social, quais sejam: a língua de sinais e a língua da comunidade ouvinte.

Os dois  enfoques, oralista e comunicação total de flagraram um processo que não favoreceu o pleno desenvolvimento das pessoas com surdez, por focalizar o domínio das modalidades orais, negando a língua natural desses alunos e provocando perdas consideráveis nos aspectos cognitivos, sócio-afetivos, lingüísticos, políticos, culturais e na aprendizagem.

As pessoas com surdez não podem ser reduzidas ao chamado mundo surdo, com uma identidade e uma cultura surda.

Na abordagem bilíngüe, a Libras e a Língua Portuguesa, em suas variantes de uso padrão, quando ensinados no âmbito escolar, são deslocadas de seus lugares especificamente lingüística e devem ser tomadas em seus componentes histórico-cultural, textual e pragmático, além de seus aspectos formais, envolvendo a fonologia, morfologia, sintaxe, léxico e semântica. Para isso ocorra, não se discute o bilingüismo com olhar fronteiriço ou territorializado, pois a pessoa com surdez não é estrangeira em próprio país, embora possa ser usuária de Libras, um sistema lingüístico com característica e status próprios.

 

O PRECONCEITO CONTRA A PESSOA COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA.

 A falta de uma preparação melhor a respeito das diferenças torna nossa sociedade insalubre e despreparada para lidar com situações que ainda são tabus em pleno século XXI, o preconceito contra a pessoa com deficiência. O desconhecimento pode nos levar a erros bastante comuns. Por exemplo: o conceito de que todo surdo é mudo não é verdade. Existem surdos oralizados, quer dizer, apesar de uma deficiência auditiva, conseguem verbalizar palavras, mesmo que com alguma dificuldade. Existem também aqueles que ouvem pouco, mas que também estão enquadrados na turma dos deficientes auditivos. Por isso, quando se deparar com algum surdo que entenda o que você fala, não o marginalize.

 Além disso, alguns são exímios na leitura labial. Pessoas que possuem um familiar com surdez lidam melhor com a situação, pois convivem com tais pessoas e têm noção de sua vivência, bem como capacitação e limites. Ter contato com os surdos e mudos, muda toda nossa realidade para melhor. Primeiro porque paramos de sentir pena, segundo porque nos faz ver que o preconceito existe e a luta para anulá-lo ainda é grande. Daí, passamos a engrossar este cordão. Ainda não foi comprovado cientificamente, mas é visivelmente notável que as pessoas com algum tipo de deficiência possuem uma característica peculiar, a de aprender com os outros “sentidos” melhor do que os que não têm nenhum tipo de deficiência, e a partir de então desempenhar funções ou atividades melhores do que tais pessoas sem deficiência. Como exemplo, podemos citar Beethoven, que após ficar surdo produziu suas melhores obras e o marcaram mundialmente como um dos melhores compositores de todos os tempos.

 Pena que muitas pessoas deixam passar despercebidos tais acontecimentos e continuam a subestimar a capacidade e inteligência de pessoas com surdez. São pessoas como todas as outras, com as mesmas capacidades de aprender e de contribuir com o nosso mundo. Somente com uma sociedade melhor preparada, ou seja, melhor capacitada para entender a realidade, estaremos aptos a vencer os preconceitos e tornar nossa sociedade mais humana

 

COMO VOCÊ CONVIVE COM AS DIFERENÇAS?

Saber conviver com as diferenças significa reconhecer e aceitar no outro aquilo que difere de você. É também um dos meios de se relacionar de forma mais respeitosa e ética com as pessoas ao seu redor. As diferenças podem ser encontradas tanto em sua própria casa como em espaços públicos, como a escola e a rua. Como é seu convívio com as diferenças?

 

LÍNGUA DE SINAIS, FAMÍLIA E BILÍNGUISMO! LEIA COM ATENÇÃO:

Reis (1997) observou em seus estudos com pais que o que mais os angustia com relação ao filho surdo não é a surdez, mas as dificuldades comunicativas acarretadas por esta. Infelizmente, os pais ainda sofrem por causa desse obstáculo existente na sua relação com o filho surdo, conseqüência do direcionamento oral, clínico e educacional inserido na vida da criança surda. Se os pais recebessem orientações adequadas quanto à importância da LIBRAS para o desenvolvimento da criança, sobre as possibilidades que essa língua oferece para a criança se comunicar com eles de forma clara, contar-lhes sobre suas brincadeiras, aprender seus ensinamentos e adquirir conhecimento, com certeza seriam poupados dessa criança e de seus pais transtornos e prejuízos, e principalmente os problemas emocionais a que estes são submetidos.

É imprescindível para essa criança e para sua família que o contato com a língua de sinais seja estabelecido o mais rápido possível. Quando a família aceita a surdez e a LIBRAS como uma modalidade comunicativa importante e passa a utilizá-la com a criança, esta irá apresentar condição para realizar novas aquisições, impulsionando seu desenvolvimento lingüístico. A família, então, exerce papel determinante para o estabelecimento da língua de sinais, como língua funcionante no discurso da criança surda nos primeiros anos de vida. Quando a criança não recebe o suporte familiar, apresentará, muitas vezes, resultados insatisfatórios quanto ao desenvolvimento de linguagem e comunicação, o que irá afetá-la emocionalmente. A família é o alicerce para a criança e quando esta base não está firme advirão conseqüências para o desenvolvimento, gerando comportamentos agressivos e frustrações.

Segundo Kyle (1999), a língua de sinais é natural para o surdo, pois é adquirida de forma rápida e espontânea, por isso a criança surda precisa ter acesso à língua de sinais o mais cedo possível, antes mesmo do seu ingresso na escola. Daí a necessidade de a criança surda, filha de pais ouvintes, bem como de sua família terem contato com adultos surdos, usuários de língua de sinais. Cárnio et al. (2000) ressaltam que não se pode negar que a crianças surdas filhas de pais ouvintes serão expostas constantemente à língua oral. Dessa forma algumas dessas crianças poderão adquirir simultaneamente a língua de sinais e a língua de seus pais. O bilingüismo possibilita ao surdo adquirir/aprender a língua que faz parte da comunidade surda. O trabalho bilíngüe educacional respeita as particularidades da criança surda, estabelecendo suas capacidades como meio para essa criança realizar seu aprendizado. Esta proposta também oferece o acesso à língua oral e aos conhecimentos sistematizados, priorizando que a educação deve ser construída a partir de uma primeira língua, a de sinais, para em seguida ocorrer a aquisição da segunda língua, o português (oral e/ou escrito).

O Projeto de Educação Bilíngüe para os Surdos busca a aceitação da surdez sem almejar transformações culturais e de identificação do sujeito surdo. Segundo essa proposta, o indivíduo ao adquirir uma língua natural é capaz de se desenvolver plenamente, vivenciando, aprendendo e se comunicando, além de se identificar com sua cultura. Assim, a concepção bilíngüe lingüística e cultural luta para que o sujeito surdo tenha o direito de adquirir/aprender a LIBRAS e que esta o auxilie, não só na aquisição da segunda língua (majoritária), mas que permita sua real integração na sociedade, pois ao adquirir uma língua estruturada o surdo pode criar concepções e oportunidades, participando ativamente do convívio em seu meio.

Dentro dessa proposta, Lacerda & Mantelatto (2000) afirmam que o bilingüismo visa à exposição da criança surda à língua de sinais o mais precocemente possível, pois esta aquisição propiciará ao surdo um desenvolvimento rico e pleno de linguagem e, conseqüentemente, um desenvolvimento integral. Um dos grandes benefícios do bilingüismo para o surdo é a oportunidade de utilizar concomitantemente os recursos das duas línguas adquiridas, mas é importante entendermos a ressalva de Góes (1999), ao referir-se à limitação da surdez para o aprendizado da língua oral.

Decorrente desse fato podem surgir dificuldades quanto ao seu uso, o que porém não impossibilita a aquisição em alto nível da modalidade escrita. Mas para que o indivíduo surdo seja aceito como bilíngüe é preciso que ocorra primeiro a aceitação da LIBRAS pela sociedade, na qual esta não é tida como língua, e sim como "gestos" e "mímicas", desconhecendo-se sua estrutura lingüística, bem como seus constituintes fonológicos, morfológicos e sintáticos.

Compartilhamos da idéia de Reis (1997) de que a linguagem será construída nas interações estabelecidas pela criança, pois a aquisição do sistema lingüístico surge da reorganização de seus processos mentais. A autora também afirma que a linguagem apresenta grande importância na formação da consciência, promovendo a ampliação da percepção de mundo, assegurando o processo de abstração e generalização, sendo, então, o elo de transmissão de informação e cultura entre a criança e o mundo.

Telles (1998, p. 7) afirma que "a formação do pensamento representacional é assegurada pelo desenvolvimento processual harmônico da função simbólica, sendo a linguagem uma das mais satisfatórias". Com isso a autora refere que por intermédio das significações e concepções construídas por meio de um desenvolvimento pleno do sujeito, este é capaz de fazer parte integrante das relações que constroem e fortalecem sua cultura e comunidade.

 

 

INTRODUÇÃO AO ESTUDO SOBRE A LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais.

Muitas pessoas acreditam que a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é o português nas mãos, na qual os sinais substituem as palavras. Outras pensam que é linguagem como a linguagem das abelhas ou do corpo. Muitas pensam que são somente gestos iguais ao das línguas orais. Entre as pessoas que acreditam que é uma língua, há algumas que crêem que é limitada e expressa apenas informações concretas e que não é capaz de transmitir idéias abstratas.

Pesquisas sobre LIBRAS vêm sendo desenvolvidas, mostrando que, esta língua é comparável em complexidade e expressividade a quaisquer línguas orais. Esta língua não é uma forma do português; ao contrário, tem suas próprias estruturas gramaticais, que deve ser aprendida do mesmo modo que outras línguas. A LIBRAS difere das línguas orais por utilizar outro canal comunicativo, isto é, a visão em vez da audição. A LIBRAS é capaz de expressar idéias sutis, complexas e abstratas. Os seus usuários podem discutir filosofia, literatura ou política, além de esportes, trabalho, moda, etc. A LIBRAS pode expressar poesia e humor. Como outras línguas, a LIBRAS aumenta o vocabulário com novos sinais introduzidos pela comunidade surda em resposta à mudança cultural e tecnológica. (Quadros e Karnopp, 2004)

A LIBRAS não é universal. Assim como as pessoas ouvintes em países diferentes falam diferentes línguas, também as pessoas surdas por toda parte do mundo usam línguas de sinais diferentes.

A LIBRAS foi criada e desenvolvida por surdos do Brasil para a comunicação entre eles e existe há tanto tempo quanto a existência das comunidades de surdos. A maior divulgação da língua de sinais no Brasil começou quando foi fundado o Instituto Nacional da Educação dos Surdos (INES) em 1857, chamada, então, de mímica. Sendo o INES a primeira escola para surdos por muitos anos; funcionando em regime de internato, recebia alunos de todas as regiões do Brasil, os quais, ao voltarem para suas cidades, nas férias, difundiam essa língua por todo país. Assim, a LIBRAS difere da língua de sinais de Portugal. Como havia professor que dominava a Língua de Sinais Francesa no INES, na sua fundação, a LIBRAS hoje traz um pouco das características desta língua de sinais francesa e difere da língua de sinais de Portugal, embora os dois países, Brasil e Portugal tenham historicamente dividido a mesma língua oral.

A partir do Congresso em Milão, Itália, em 1880, a filosofia educacional começou a mudar na Europa e, conseqüentemente, em todo mundo. O método combinado que utilizava tanto sinais como o treinamento em língua oral foi substituído em muitas escolas pelo método oral puro, o oralismo. Muitas pessoas acreditavam que a única forma possível para que as crianças surdas se integrassem ao mundo dos ouvintes seria falar e ler os lábios. E assim muitas escolas passaram a insistir com os alunos surdos para que entendessem a língua oral e aprendessem a falar. Os professores surdos já existentes nas escolas, naquela época, foram afastados, e os alunos desestimulados a usarem a língua de sinais (mímica), tanto dentro quanto fora da sala de aula. Era comum a prática de amarrar as mãos das crianças para impedi-las de fazer sinais. Isso aconteceu também no Brasil. Mas apesar dessas tentativas de desestimular o uso da língua de sinais, a LIBRAS continuou sendo a língua preferida da comunidade surda. Os surdos, quando viram que o uso de sinais estava proibido, reconheceram e consideram a LIBRAS como sua língua natural, a qual reflete valores culturais e guarda suas tradições e heranças vivas.

PROFESSOR: COMO RECEBER UM ALUNO SURDO EM SALA DE AULA.

 

- Aceitar o aluno surdo como os demais alunos; 
- Ajudar o aluno a raciocinar, não lhe dar soluçães prontas; 
- Não superproteger; 
- Não ficar de costas para o aluno, nem de lado, quando estiver falando; 
- Preparar os colegas para recebê-lo; 
- Dirigir-se ao surdo em língua de sinais; se não for possível, utilizar frase curtas, bem pronunciadas num tom normal, sem exageros; 
- Ao chamar atenção do aluno, utilizar gestos convencionais; 
- Colocar o aluno surdo nas primeiras carteiras, longe de janelas e portas, para não se distrair; 
- Utilizar todos os recursos que facilitem sua compreensão (dramatização, mímicas e materiais visuais); 
- Se utilizar vídeos, certificar se são legendados; 
- Fazer resumos do conteúdo das aulas no quadro negro e depois repassá-los em língua de sinais; 
- Incluir a família no processo educativo; 
- Cumprimentá-lo sempre que possível em língua de sinais e ou com sorriso; 
- Todos na escola (professores e funcionários) devem aprender a língua de sinais; 
- As aulas devem ser em língua de sinais; se não for possível, solicitar ajuda de intérpretes até que os professores se preparem para esse atendimento; 
- A escola deve receber assessoria de uma equipe (pedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos) enviada pela Secretaria de Educação Especial do Estado; 
- A escola deve incluir no Plano Político Pedagógico estratégias de trabalho com o aluno surdo; 
- Avaliar o aluno pela mensagem e pelo conteúdo, não pela escrita; 
- Acreditar nas potencialidades do aluno.

SURDEZ E EDUCAÇÃO DEVEM CAMINHAR JUNTAS "RESPEITE ESTE DIREITO"

Para educar o surdo, muitos autores discutem a respeito da busca por melhores práticas. Conforme KIRK & GALLAGHER (1996), boa parte da educação enfatiza métodos e procedimentos especiais para ensinar as habilidades de comunicação e linguagem, esperando que as mesmas, uma vez adquiridas, permitam aos alunos dominarem o currículo regular.

Esse descaso pela escolaridade do surdo é decorrente da interpretação que foi construída a respeito da sua educação, que não se situa no campo do direito, mas da obrigação moral.

Segundo ALMEIDA (2000, p.3), "Surdos e ouvintes têm línguas diferentes, mas podem viver numa única comunidade, desde que haja um esforço mútuo de aproximação pelo conhecimento das duas línguas, tanto por ouvintes como por surdos".

Faz parte das expectativas dos surdos e de seus pais, que estudem em escolas para ouvintes. A permanência do surdo na escola regular é à custa do acobertamento das dificuldades encontradas pelo mesmo. Os professores das salas regulares não estão preparados para o trato com os surdos, a maioria não sabe nem mesmo como comunicar-se. É necessário que exista uma formação adequada para o professor trabalhar com os surdos. Além disso, as escolas precisam se adequar a eles, e não eles se adaptarem a elas.

Muitos pais procuram a escola regular para seus filhos surdos porque a escola especial não apresenta um modelo pedagógico eficiente, uma vez que subestima suas capacidades cognitivas. No entanto, para o surdo é importante estar inserido numa comunidade onde ele possa ser compreendido. Quando um aluno surdo estuda numa escola regular, suas dificuldades de aprendizagem acabam sendo vistas como problemas de cognição. Nós, seres humanos, temos a tendência de nos reunirmos com nossos iguais. Com os surdos não é diferente, eles buscam um grupo em que possam se sentir à vontade, onde se utilize a mesma língua, a língua de sinais.

Muitas vezes, as metodologias de ensino aplicadas aos surdos resumem-se apenas  ao ensino de palavras. Por acharem que os surdos têm dificuldade de abstração, trabalha-se com a escolarização de baixa qualidade, uma vez que  são considerados incapazes de aprender.

Os surdos precisam de uma escola que atenda às suas necessidades especiais, que seja capaz de desenvolver a Língua de Sinais como primeira língua e que seja vista como uma postura política e ideológica de respeito ao grupo.

"LIBRAS X PRECONCEITO" APAGUE ESTA IDÉIA É UM DIREITO DO SURDO E UM DEVER DA SOCIEDADE.

A LIBRAS permite ao surdo uma forma de comunicação diferente que deve ser respeitada, pois trata-se de uma língua legalmente reconhecida, apesar de apenas uma minoria utilizá-la. Além disso, são os ouvintes que fazem dela um problema,  uma vez que não conseguem entendê-la. Várias pesquisas já demonstraram que a língua de sinais cumpre com os aspectos linguísticos, uma vez que possui todo o processo próprio da língua, que leva a comunicação.

Foi enfatizado também que a primeira língua a ser adquirida pelo surdo é a LIBRAS, e que sua difusão é muito importante para que as pessoas tenham conhecimento da influência  que ela exerce na comunicação dos surdos.

Percebe-se que há pouco uso da LIBRAS pelos ouvintes que trabalham diretamente com os surdos em sala de aula. Os professores alegam não ser esta a disciplina deles, e não se esforçam para estabelecer contato com o surdo.

No que diz respeito ao preconceito, ele existe, visto que o surdo, na maioria das vezes, não consegue estabelecer contato com o ouvinte. Por outro lado, a discriminação é algo sutil no caso dos surdos, pensa-se que o domínio da língua de sinais é suficiente para incluí-los na sociedade. Assim, a inclusão passa por uma transformação muito mais profunda no pensar, ver e agir de cada um. A discriminação vem do ato de encarar o outro como alguém menor ou menos capaz do que o eu. Isto, no entanto, é algo cultural, que nenhuma lei no mundo sozinha pode mudar.

Portanto, a linguagem de sinais deve passar a ser reconhecida na prática social como uma verdadeira língua, com organização e estrutura próprias, passando do status de mímica para o de língua.

A REALIDADE DA SOCIEDADE EM RELAÇÃO A LIMITAÇÃO AUDITIVA

 

Os surdos sempre foram, historicamente, estigmatizados, considerados de menor valor social. Afinal, faltava-lhes a característica eminentemente humana: a linguagem (oral, bem entendido) e suas virtudes cognitivas. Sendo destituídos dessas "virtudes", os surdos eram "humanamente inferiores".A língua de sinais era considerada apenas uma mímica gestual, e sempre houve preconceitos com relação ao uso de gestos para a comunicação.A exclusão profissional e social dos surdos ainda hoje confirma que a linguagem pode ser fonte de discriminação e de organização social restritiva. Essa discriminação não ocorre apenas quando há diferenças de nacionalidade, cor, perfil socioeconômico ou religião. Entre os surdos e os ouvintes há uma grande diferença que os distingue: a linguagem oral.

A pessoa surda tem mais dificuldades em adaptar-se ao mundo que o rodeia e à sociedade em que vive, do que uma pessoa ouvinte. Professores, estudiosos e os próprios surdos têm, ao longo do tempo, alcançando muitos êxitos na integração do surdo na sociedade.

A capacitação profissional é imprescindível. Capacitar-se para o trabalho, porém, não se refere a um adestramento com fins de realizar uma tarefa ou uma atividade. Não é apenas repetir algo que lhe foi mostrado ou ensinado. Deve-se pensar a capacitação e qualificação como na possibilidade de um sobre o fazer, entendendo não só o que acontece, mas por que acontece e em que isto irá resultar. Capacitação deve significar a possibilidade de se ter prazer no que se faz (bem feito, com menos esforço em um curto espaço de tempo) de se poder relacionar com os demais e de, juntos, sentirem que estão participando.

Na escola é importante que lhes sejam oferecidos programas socioeducativos que contemplem atividades de lazer, esporte, expressão artística, educação ambiental e busca incessante da informação, essa como forma de iniciação ao mundo do trabalho. Com esses programas será possível desenvolver valores e atitudes que promovam a sociabilidade, a criatividade, o potencial cognitivo, estimulando a vontade de aprender e buscando o desenvolvimento da autonomia e da cidadania, pressupostos estes para a formação de um trabalho qualificado.

É importante que o surdo adulto adquira a sua independência econômica e sinta-se produtivo dentro da comunidade. Para tanto, sugere que a escola, sempre com a participação dos pais, busque parceria junto aos órgãos disponíveis, como por exemplo, CEFET, SESC, SESI, SENAI, SENAC, para a profissionalização dos seus filhos, permitindo-lhes utilizar eficientemente as técnicas da informação. O encaminhamento para o mercado de trabalho deverá ter, inicialmente, um caráter de orientação, informando o aluno sobre a legislação, os documentos, os deveres e direitos, hábitos e atitudes frente à situação de trabalho, as opções profissionais, cargos e funções existentes e sobre as normas que regem o mundo do trabalho.

O surdo adulto encontra dificuldades em ser aceito no mercado de trabalho, uma vez que suas reais potencialidades ainda não são reconhecidas pela classe empresarial, talvez, por falta de informações Revista Diálogo Educacional, Curitibaou pelo preconceito relativo aos portadores de necessidades especiais em geral. Em vista dessas dificuldades, a integração dos educandos com deficiência auditiva no mercado de trabalho deverá ser uma preocupação da família, da escola e dos próprios portadores de deficiências. A esse respeito, uma profissionalização com a utilização das modernas tecnologias da informação, proporcional ao seu nível de escolarização, pode ser considerada a meta a ser alcançada com vistas à independência do surdo, mediante seu ingresso no mercado de trabalho. O acesso à Internet por meio de um Portal Web é uma medida de largo alcance para os surdos. É importante que os pais tenham uma participação efetiva no processo de inclusão de seu filho no mercado de trabalho.

A escola deverá desenvolver ações que possibilitem a integração do surdo no mercado de trabalho. Essas ações envolvem a implantação de serviços de esclarecimento junto a empresas sobre a verdadeira capacidade do portador de deficiência auditiva e disponibilizar serviços de apoio para conscientizá- lo a respeito de seus direitos e deveres trabalhistas.

O receio da dificuldade de comunicação com os surdos e o constrangimento do setor empresarial não devem ser fatores impeditivos ao seu ingresso no mercado de trabalho. Eles só precisam de oportunidades e formação adequadas para mostrarem suas competências. A escolha da profissão dos surdos, assim, como de qualquer outra pessoa, vai depender de suas aptidões, habilidades, interesses e do nível de escolarização que alcançarem, deduzindo-se que quanto maior for esse nível, mais facilidade terão para ingressar no mercado de trabalho competitivo. Os surdos têm desempenhado bem as funções relacionadas a serviços gráficos, à digitação (na informática), a serviços bancários e administrativos, às funções docentes, entre outras.

As tecnologias da informação, aplicadas no processo ensino-aprendizagem dos surdos, irão melhorar substancialmente seu desempenho escolar. A tecnologia da informação pode alargar os horizontes dos surdos, na medida em que possibilita um universo maior de dados, informações e conhecimentos. Isso se reflete diretamente na formação profissional, garantindo uma participação mais efetiva no mercado de trabalho.

 

MEDITANDO SOBRE A INCLUSÃO DOS "SURDOS" EM QUALQUER ÁREA DA SOCIEDADE

A inclusão de surdos em escola regular é um assunto muito complexo, onde a situação deve ser pensada como um todo, a partir da realidade de cada local. Para conseguir analisar a situação amplamente, necessita-se conhecer melhor sobre o surdo, sua situação cotidiana de inclusão/exclusão na sociedade como um todo, discutir práticas e teorias partindo de uma questão sociocultural (não apenas audiológica), onde o surdo é um sujeito que possui uma língua natural, a Língua de Sinais.

"Na inclusão o que está em jogo é a ruptura com o conceito estático do homem, de mundo, de conhecimento; é a necessidade de cruzar experiências, de compartilhar caminhos, de compreender a complexidade e a diversidade através da abertura de canais para o diferente, o que não é meu, nem igual ao meu, mas por isso mesmo, merece respeito. E esse respeito descortina a possibilidade da descoberta de coisas. pessoas, situações, - insuspeitáveis, fascinantes. - É certo que esse caminho provoca ferimentos pela insegurança, pela quebra de certezas, de normas estáveis."

Há uma diversidade de fatores e experiências em cada indivíduo e, quando fala-se de inclusão de surdos, além da diversidade, retrata-se o diferente (língua, cultura, tradições,...). Neste convívio, entre duas comunidades (surda e ouvinte), há sempre a situação de uma nova língua, ou seja, para o ouvinte, a língua de sinais e para o surdo, a língua portuguesa. Retratando da segunda língua, pode-se reportar à Poersch (1995), "há três fatores para o aprendizado de uma segunda língua: - fatores motivacionais, fatores construídos no sujeito aprendiz devido ao contexto comunicacional lingüístico em que ele se insere; - atenção, que é derivada da motivação, ou seja, dependerá da maneira como o aprendiz tem contato com a língua a ser aprendida (métodos e técnicas utilizadas no ensino, oportunidades e qualidades da utilização da língua); - memória, que provém da atenção e está relacionada à aptidão do indivíduo para o aprendizado de novas línguas".

Na inclusão, é importante lembrar de alguns fatores primordiais quando pensamos em surdos:

Oportunizar o aprendizado favorecendo a diferença sócio-lingüística e valorizando a comunicação espaço/visual em todos os momentos deste processo, já que, segundo Skliar (1998), "... todos os mecanismos de processamento da informação, e todas as formas de compreender o universo em seu entorno, se constróem como experiência visual".

A língua de sinais não deve ser encarada pelo professor como um instrumento de trabalho, mas sim, como parte da cultura da comunidade surda, sendo sua língua oficial.

Deve-se favorecer o aprendizado do indivíduo surdo utilizando a língua de sinais, se ao iniciar o trabalho de inclusão esta não for possível, utilizar todos os recursos de comunicação (não simultaneamente), para que a partir destes tenha-se a certeza de que o surdo adquiriu o conhecimento. A partir disto pode-se reportar ao livro "O vôo da gaivota" da autora surda Emmanuelle Laborit (1996): "Utilizo a língua dos ouvintes, minha segunda língua, para expressar minha certeza absoluta de que a Língua de Sinais é nossa primeira Língua, aquela que nos permite ser seres humanos comunicadores. Para dizer, também, que nada deve ser recusado aos Surdos, que todas as linguagens podem ser utilizadas, a fim de se ter acesso à vida."

 

INCLUSÃO  x  EXCLUSÃO SOCIAL

O conceito de inclusão vem se apresentando como exemplo de (re-)conhecimento social, beleza e desejável numa ampla reforma educacional.  Na prática, porém, funciona como exclusão.  Exclusão da relação inter e intrapessoal e da comunicação, exclusão da real participação, convivência e interação, tanto no ambiente escolar, como muito mais ainda no ambiente familiar que não desperta do luto da deficiência, permanece no argumento da perfeição e de que o filho de forma compensatória é capaz de realizar, sem perceber-se como modelo híbrido na formação da personalidade autônoma. 
Existe toda uma discussão filosófica, educacional e psicológica na constituição da personalidade e da educação das pessoas para conviver em sociedade.  A criticidade e a revolução educacional são caminhos que estruturam e se baseiam na fundamentação ideológica do que é ensinar-aprender e muito mais ainda no papel da escola como emancipadora e estimuladora da autonomia apoiados invariavelmente pelo espaço familiar.
Repensar o papel do binômio família-escola na educação de surdos é, acima de tudo, fundamentar e conceituar a acessibilidade e a inclusão social que carecem de conhecimento integrado entre os saberes populares e científicos

É essencial para as crianças surdas utilizarem a Língua de Sinais de sua comunidade com seus pais, com os profissionais da área educacional e com as pessoas de convívio mais próximo para que garanta o desenvolvimento psíquico, social, político e psicológico.  É de fundamental importância a interação entre as crianças na sociedade, sem formação de guetos nem de comunidades isoladas, onde todos convivem e interagem física e linguisticamente.
A convivência interpessoal e dialética deve ser percebida com naturalidade e refletida sobre os papéis sociais cuja vida, dignamente vivida, funciona como referencial histórico e cultural e não como modelo para ninguém.  É preciso atribuir perspectivas e possibilidades humanas entendendo o surdo como um ser eficiente, que se comunica por outro canal e, conseqüentemente, tem outra língua.

 

UM BREVE HISTÓRICO DOS SURDOS E SUA LUTA  POR SEUS DIREITOS

Até os dias atuais, a comunidade surda trabalha com grande afinco por espaço e reconhecimento perante a sociedade ouvinte.
É através do Movimento surdo que ocorre as articulações de lutas políticas dos surdos (THOMA, 2009). Esse movimento está representado em várias entidades no mundo inteiro. No Brasil, é a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos, FENEIS, a responsável por cuidar das demandas e necessidades dos surdos no país. Temos que saber, porém, que a história de tentativas dos surdos de serem aceitos e respeitados tanto linguisticamente como em termos de identidade e cultura é de muitos séculos atrás:
Século XVI: Só a partir desse século é que passam a ocorrer as primeiras tentativas de educação dos surdos. Antes disso, a sociedade acreditava que os surdos não podiam ser ensinados.
Entre 1712 – 1789: A educação dos surdos passa a ser mais explorada. Em 1750 surge a primeira escola pública baseada no método oral e em 1760, é criada a primeira escola para surdos, com base no método gestualista, graças ao abade Charles L´Epeé, que transforma sua casa nesse local de ensino depois de observar duas crianças surdas se comunicando por gestos (THOMA, 2009). Embora ambas as escolas tenham surgido quase que concomitantemente, o método oral era extremamente mais divulgado e aceito.
1815 – 1817: O melhor aluno do abade é convidado para implantar nos Estados Unidos o ensino de surdos utilizando a Língua de Sinais. Posteriormente, é fundada uma escola para surdos no país.
1857: D. Pedro II convida o professor surdo Eduard Huet para criar no Brasil o Instituto Nacional dos Surdos-Mudos (THOMA, 2009). Podemos, a partir disso, perceber que o interesse pelos surdos no nosso país aconteceu bem mais tarde que em outros lugares.
1880: Consideramos esta uma data muito importante, pois mostra claramente que os surdos já lutavam por um lugar linguístico e eram causadores de muitas polêmicas. Ocorre, nesse ano, o Congresso de Educadores de Surdos, na Itália, onde grandes nomes como Graham Bell e Juan Jacob estavam presentes. É apresentado um método de educação visando eliminar gestos e Língua de Sinais. Ficou proibido o uso dessa língua nas escolas.
Século XX: A maioria das escolas usava o método oral puro.
1960: William Stokoe faz um estudo linguístico demonstrando que a Língua de Sinais é equivalente as que usam a modalidade oral. Esse estudo foi muito importante na história dos surdos, pois foi a partir daí que os surdos começaram a reivindicar ainda mais a aceitação da Língua de Sinais de maneira mais forte e segura. Nessa mesma década, Dorothy S., mãe de menina surda, começa a utilizar em uma escola: linguagem sinalizada + fala + leitura labial + treino auditivo = Total Approach.
Final de 1970: No Brasil é introduzida a Comunicação Total.
1983: É criada no nosso país a Comissão de Luta pelos Direitos dos Surdos. No mesmo ano, na Alemanha, os surdos reivindicam o reconhecimento da Língua de Sinais.
1986: O centro SUVAG, em Pernambuco, faz sua opção metodológica pelo Bilinguismo (THOMA, 2009).
1987: É criada a FENEIS, que luta pelos surdos no nosso país.
2002: Através da FENEIS ocorre a oficialização de LIBRAS em todo território nacional. Mais precisamente dia 24 de abril de 2002.
A partir desse breve histórico podemos ver que a comunidade surda passou por imensas dificuldades ao longo dos séculos para se estabelecer com tal. Apesar de grandes feitos terem sido conquistados, ainda existe o preconceito contra uma língua que não tem como modalidade ser oral-auditiva e sim gestual-visual. Acreditamos que através da FENEIS, e outros movimentos, os surdos tendem a conquistar cada vez mais espaço em todos os sentidos. O que importa, atualmente, é tirar a ignorância que ronda a sociedade através de informações sobre os surdos, que de deficientes já provaram não ter nada

BILINGUISMO E CULTURA SURDA

O movimento multicultural abrangeu minorias dos mais variados tipos, que reclamavam o direito de uma cultura própria. Essas minorias englobavam minorias étnicas e estenderam-se às minorias com necessidades especiais, que se negavam a ser consideradas como cidadãos de segunda classe. Foi neste ambiente que os Surdos encontraram um caminho para que sua língua fosse "ouvida".
No século XIX os Surdos reivindicaram os seus direitos e a sua língua já foi reconhecida. Entre esses direitos estava a utilização da sua língua na educação dos Surdos, que eles fossem reconhecidos não como deficientes, mas como diferentes e que sua cultura fosse respeitada. Assim, dentro da comunidade ouvinte, eles construíram uma comunidade própria, com a sua língua, a sua cultura e tentaram estabelecer-se como grupo minoritário que pudesse ser aceite numa visão multicultural.
Os Surdos têm experiências diferentes da cultura ouvinte, a partir da perda auditiva, da sua língua e tudo o que implica o uso de uma língua com características tão diferentes no seu comportamento do dia-a-dia. Eles têm uma história de Surdos que se destacaram em aspectos da vida pública, da sua educação, do desenvolvimento das suas comunidades e têm regras de comportamento, costumes e tradições.
De acordo com a complexidade humana, com os factores sociais pertencentes à sociedade como um todo e com os factores educacionais e familiares, no entanto, o Surdo pode ter uma identidade cultural (e Orgulho Surdo) ou não, de acordo com o seu próprio critério de se admitir pertencente ao mundo ouvinte e/ou ao mundo Surdo, ou pode ainda circular por ambos.[5]
O movimento de reconhecimento da cultura, comunidade e identidade dos Surdos, além de afirmar a sua autenticidade, conseguiu mobilizar alguns responsáveis pela educação dos Surdos para a reformulação da situação da educação do Surdo. Essa nova proposta de trabalho recebeu o nome de Bilinguismo.
A língua gestual não pode constituir-se apenas numa ferramenta para aceder a outra língua, ou funcionar como um prémio de consolação para os Surdos; enquanto língua, tem um estatuto e um lugar privilegiado na definição de uma identidade e na expressão de uma cultura.[3]

BILINGUISMO DESDE A INFÂNCIA?

Para a maioria das crianças, a língua oficial do país onde vivem é, simultaneamente, língua materna e língua de escolarização – não o é, no entanto, para os Surdos. Para essa população, a língua de aquisição espontânea e natural terá de ser uma língua gestual. Há que lembrar, contudo, que a língua de escolarização, em que se aprende a ler, e se estuda, é uma língua oral (no nosso caso, a Língua Portuguesa), o que faz com que a escola precise de ensinar estas crianças a ler e a escrever, isto é, a conhecer o Português escrito. O uso de uma língua gestual e de uma língua oral torna imperioso que na educação da criança se tenha sempre presente o desenvolvimento de competências que lhe permitam funcionar, eficaz, cómoda e adequadamente nas duas línguas e nas duas comunidades.
A linguagem escrita é uma modalidade linguística de cariz secundário, no entanto, a impossibilidade de ler e escrever numa língua (sem o conhecimento da estrutura gramatical e do vocabulário da língua) é um problema real ao ensino das crianças surdas. Ao contrário do que acontece com as crianças ouvintes, a aprendizagem da leitura e da escrita, por parte dos Surdos, não pode partir da mobilização do conhecimento da língua oral; antes, é através da aprendizagem do vocabulário escrito e pelo ensino explícito da estrutura gramatical da língua oral que a criança surda, quando desconhecedora da língua oral, tem acesso ao conhecimento dessa língua, e assim extrai significado do material escrito – estamos assim diante da aprendizagem de uma segunda língua e não de um uso secundário de uma língua oral.
O grande objectivo do ensino da linguagem escrita é tornar o aluno autónomo na procura e uso de informação, que lhe permita a integração dessa informação na sua vida escolar e social.
É ainda imprescindível a aquisição da língua gestual nos primeiros anos de vida da criança, sob pena das seguintes consequências:
o Surdo perderá a oportunidade de usar a linguagem;
não irá recorrer ao planeamento para a solução de problemas;
não adquirirá independência da situação visual concreta;
não controlará seu próprio comportamento e o ambiente;
não terá vida social adequada.[4]

O ENSINO REGULAR É A MELHOR OPÇÃO PARA UMA CRIANÇA COM NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS?

Será o ensino regular a melhor opção para uma criança com necessidades educativas especiais?

O Suporte Emocional
Em primeiro lugar, deve reconhecer-se que o contacto e o convívio, formal e informal, entre os diversos alunos, com e sem deficiências, é um meio para que os comportamentos, típicos de cada um e/ou de cada deficiência se normalizem. 
É uma oportunidade para a construção de relações afectivas, que podem vir a revelar-se, ao longo dos anos, como um suporte emocional fundamental na construção da personalidade dos alunos com deficiência. Faz com que ganhem forças para superar modificações sociais, geralmente mais autónomas e diversificadas. Por sua vez os alunos ditos “normais” poderão desenvolver uma maior capacidade da aceitação da diferença.

Suporte Social e instrução 
Num envolvimento normal, as pessoas com deficiência podem ter um suporte social e/ ou um suporte instruidor. A convivência com colegas, o apoio destes nas actividades da escola contribui para um suporte social. O suporte instruidor deriva da aprendizagem cooperativa, da aprendizagem por imitação, etc. Estes suportes são bastante importantes no desenvolvimento dos alunos com deficiência mental acentuada. No entanto, especialistas concluem que não se têm valorizado suficientemente o papel que as redes de suporte social podem fazer com estas crianças, bem como com as suas famílias.
O apoio de especialistas pode ir reduzindo as distâncias entre crianças normais e crianças com deficiência, os professores de apoio que trabalham fora da sala de aula, com pequenos grupos de alunos, podem passar a dar apoio dentro dela. Este caminho implica a organização do trabalho interagindo, solidariamente, os dois professores (normal e de ensino especial) assim, podem definir e construir a melhor forma de trabalharem. 
Algumas pessoas entendem que o apoio na sala de aula pode ter algumas consequências negativas nas aprendizagens, como por exemplo, uma quebra de atenção por parte do aluno durante a realização de uma tarefa, situações de discriminação, etc. 
No entanto, o objectivo fundamental é criar melhores condições de aprendizagem para todos os alunos, a presença de outros recursos na sala de aula, no caso um segundo professor, pode constituir uma ajuda importante. 
O aluno com necessidades especiais necessitará sempre de apoio extra aula, o apoio na sala de aula é importante mas não é o suficiente, este deve ser alargado a outros espaços/ambientes.

Cooperação e Organização da Sala de Aula
Uma boa organização na sala de aula exige a presença de regras claras, quer no que respeita ao comportamento, como na forma de execução das tarefas e actividades de aprendizagem. No entanto, todo esse processo de organização e funcionamento deve passar pelo respeito mútuo, pela aceitação e compreensão das necessidades do outro, por um processo aberto e dinâmico de negociação onde o aluno se sente responsável e participante. 

Inclusão e suporte social às familias
A implementação da inclusão escolar não deve ignorar o funcionamento das famílias com crianças deficientes. O facto de crianças com necessidades educativas especiais frequentarem uma escola regular é uma fonte geradora de stress.

Stress Familiar e a escola a escolherem
Como já referimos anteriormente as famílias de pessoas com necessidades educativas especiais, embora consideradas competentes e capazes de responder às necessidades dos seus filhos, são particularmente vulneráveis ao stress. Assim, a deficiência influencia as relações familiares a vários níveis tais como a ruptura matrimonial, os desentendimentos entre pais e filhos, a qualidade da relação entre irmãos, o aumento das dificuldades económicas, num maior isolamento, etc. 

Mudar a escola tornando-a mais receptiva à diferença (mais inclusiva) é difícil, se esta não se ajustar às expectativas e necessidades das famílias e dos alunos será um factor/fonte considerável de stress e violência para o aluno e para a família.
O aumento do stress familiar, motivado pela decisão da criança com deficiência frequentar uma escola regular, parece resultar de vários factores, tais como:
• Do confronto diário com a diferença entre os seus filhos e as crianças ditas “normais”;
• Do sentimento de discriminação;
• Das dificuldades encontradas na adaptação social e escolar dos seus filhos;
• Do receio da integração levar à perda de outros serviços prestados à criança e à família;
• Do receio de colocarem os seus filhos num envolvimento que consideram “não preparado” para os receber e onde estarão “menos protegidos”.

A diversidade de apoios sociais, formais e informais, parecem reduzir o stress familiar. Uma investigação mostrou que as famílias que apresentam menos stress são as que recebem ajudas a vários níveis. Os parentes e amigos podem desempenhar um papel fundamental no alargamento das relações sociais das famílias com crianças deficientes. Também os profissionais são um apoio importante com que as famílias deverão contar, apesar da história de relações entre pais e profissionais nem sempre tenha sido positiva.

FILOSOFIA NO ESPAÇO DE ENUNCIAÇÃO DAS LIBRAS:

Assim como em muitas outras línguas, na LIBRAS, fazer uma tradução coerente de conteúdos filosóficos não é fácil, sobretudo por conta de sua modalidade particular, ou seja, a espaço-visual, já que para o surdo o desenvolvimento de sua linguagem e consequentemente do pensamento se dá a partir do campo visual. Dessa forma, encontra-se a grande dificuldade de expressar em sinais os conceitos filosóficos, pois como diz Silvio Gallo defendendo a definição de Deleuze e Guattari, na obra O que é filosofia? (1992), afirma: a tarefa da filosofia é a de “produzir conceitos” (2003, p. 2), e acrescenta:

Se a filosofia consiste na atividade de criar conceitos, que é isso então que ela cria? Podemos dizer que o conceito é uma forma eminentemente racional de equacionar um problema ou conjunto de problemas, exprimindo com isso uma visão coerente do vivido. Sendo assim, o conceito não é abstrato nem transcendente, mas imanente, uma vez que parte necessariamente de problemas experimentados, isto é, na medida em que não se cria conceito no vazio (GALLO, 2003, p. 3-4).

Nessa perspectiva, a proposta pedagógica de educação bilíngue para surdos propõe levar o conteúdo filosófico para o espaço de enunciação da LIBRAS, ou seja, para a janela imaginária frente ao corpo ou próxima ao corpo, onde são articulados os sinais dentro do raio de alcance das mãos, onde contém todos os pontos de articulação dos sinais. Assim, como nos diz Audrei Gesser, os surdos podem muito bem fazer uso de tais recursos já que eles, assim como os ouvintes, são capazes de expressar os mais variados conceitos abstratos:

Tal como os falantes de línguas orais, os falantes de línguas de sinais podem discutir filosofia, política, literatura, assuntos cotidianos etc. nessa língua, além de transitar por diversos gêneros discursivos, criar poesias, fazer apresentações acadêmicas, peça teatrais, contar e inventar histórias e piadas, por exemplo. (GESSER, 2011. p.23)

Aqui, com essa proposta, o objetivo não é apenas que o surdo venha a conhecer o conteúdo histórico da filosofia, mas também que a filosofia possa se tornar um instrumento crítico para a sua leitura visual da realidade, pois assim como a filosofia é para o ouvinte esse instrumento, poderá ser também para o surdo, desde que o método de ensinagem mostre não só o conteúdo, mas o valor para a vida, destacando, sobretudo o respeito ao outro em todos os sentidos, como diz o método Progressista Libertador de Paulo Freire.

Portanto, em uma relação de igual para igual, ou seja, horizontalmente, em que visa levar professores e alunos a atingir um nível de consciência da realidade em que vivem na busca da transformação social. Pois, para Paulo Freire, aprender é compartilhar conhecimentos e para aprender é preciso ver sentido para a vida prática, fazer parte do projeto de vida do indivíduo. Por isso, para se trabalhar a filosofia é necessário que haja um interesse por parte do aluno. Consequentemente, que ela o cative a uma reflexão que o permita e aqui de forma particular o sujeito surdo, procurar conhecer o sentido de sua própria experiência existencial humana. Para os surdos, com certeza, o visual é o cativante indispensável para a construção do seu conhecimento.

FATORES DE RISCO QUE PODEM CAUSAR DEFICIÊNCIA AUDITIVA:

• Antecedentes familiares de deficiência auditiva, levantando-se se há consangüinidade entre os pais e/ou hereditariedade. 
• Infecções congênitas suspeitadas ou confirmadas através de exame sorológico e/ou clínico (toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes e sífilis) 
• Peso no nascimento inferior a 1500g e/ou crianças pequenas para a idade gestacional (PIG) 
• Asfixia severa no nascimento, com Apgar entre 0-4 no primeiro minuto e 0-6 no quinto minuto. 
• Hiperbilirrubinemia com índices que indiquem exanguíneo transfusão. 
• Ventilação mecânica por mais de dez dias 
• Alterações crânio-faciais, incluindo as síndromes que tenham como uma de suas características a deficiência auditiva. 
• Meningite, principalmente a bacteriana. 
• Uso de drogas ototóxicas por mais de cinco dias. 
• Permanência em incubadora por mais de sete dias. 
• Alcoolismo ou uso de drogas pelos pais, antes e durante a gestação.

ATENDIMENTO PSICOLÓGICO PARA SURDOS

A terapia com surdos é uma tarefa penosa, que requer muita dedicação e paciência, pois além do surdo, o trabalho se estende à família, um dos principais focos dos conflitos da pessoa surda. Poucos se dão conta da dimensão do sofrimento psicológico e moral do surdo. A falta de comunicação, o isolamento, o preconceito, fazem do surdo um ser dependente do ouvinte, ainda que tenha conseguido avançar em sua educação e desenvolvimento cognitivo. Essa dependência reduz sua auto-estima, produzindo conflitos que muitas vezes são interpretados equivocadamente como comportamentos típicos do surdo, como: agressividade, intolerância, individualismo, incapacidade intelectual, quando na verdade essa visão resulta do desconhecimento do mundo dos surdos. Contudo, não se pode negar que a cada dia os surdos progridem em suas conquistas e afirmação como cidadãos.

Abordagens clínicas e terapêuticas

Muitas vezes me perguntam qual a abordagem terapêutica que adoto no atendimento ao surdo. É uma curiosidade natural. Afinal os psicólogos seguem geralmente uma tendência teórica pela qual tem afinidade e preferência. Mas eu afirmo que se nos limitarmos a uma única abordagem terapêutica no caso dos surdos, vamos restringir nosso campo de ação.Há um universo muito amplo de variáveis e especificidades no tratamento psicológico do surdo.

É preciso considerar:

a)     Faixa etária

b)     Período de aquisição da surdez ( pré ou pós-lingual)

c)     Nível de capacidade auditiva ( leve, moderada, severa, profunda, uni ou bilateral)

d)     Outras sequelas ( motoras, neurológicas, surdocegueira)

e)     Ambiente familiar

f)      Nível de oralidade/ leitura labial e sinalização em língua de sinais

g)     Nível socioeconômico

h)     Preferências sexuais (atualmente existem associações de surdos gays)

i)       Envolvimento com drogas e atividades ilícitas

Essa gama de condições e peculiaridades exigem do terapeuta uma postura profissional eclética, além da possibilidade de ter que intervir com aconselhamento em conflitos familiares, judiciais e nas relações de trabalho.

Não basta, portanto, dar consultas no consultório, e torcer para que o surdo resolva seus problemas. É fundamental que o terapeuta esteja aberto a uma visão holística do atendido, em suas dimensões física, mental e espiritual ( no sentido de espiritualidade e não de religiosidade).

Não se descarta, portanto, o uso de técnicas e procedimentos da terapia comportamental, cognitiva, gestaltista, e mesmo psicanalítica, e de outras abordagens. Cada caso requer procedimentos próprios e compatíveis com a especificidade do cliente. Sem falar na necessidade do trabalho interdisciplinar, com o fonoaudiólogo, o psicopedagogo, o psiquiatra e outros profissionais.

Na condição de terapeuta de surdos, muitas vezes precisei participar de audiências na justiça, em processos criminais e  de direito de família, para justificar laudos, esclarecer condutas do cliente diante do juiz, bem como visitar empresas para dialogar com empregados e chefes ouvintes, com o objetivo de melhorar as relações de trabalho.

 

DICAS IMPORTANTÍSSIMAS PARA UM BOM RELACIONAMENTO COM A PESSOA SURDA !!!

  • Não é correto dizer que alguém é surdo-mudo.. Muitas pessoas surdas não falam porque não aprenderam a falar. Muitas fazem a leitura labial, e podem fazer muitos sons com a garganta, ao rir, e mesmo ao gestualizar. Além disso, sua comunicação envolve todo o seu espaço, através da expressão facial-corporal, ou seja o uso da face, mãos, e braços, visto que, a forma de expressão visual-espacial é sobretudo importante em sua língua natural.
  • Falar de maneira clara, pronunciando bem as palavras, sem exageros, usando a velocidade normal, a não ser que ela peça para falar mais devagar.
  • Usar um tom normal de voz, a não ser que peçam para falar mais alto. Gritar nunca adianta.
  • Falar diretamente com a pessoa, não de lado ou atrás dela.
  • Fazer com que a boca esteja bem visível. Gesticular ou segurar algo em frente à boca torna impossível a leitura labial. Usar bigode também atrapalha.
  • Quando falar com uma pessoa surda, tentar ficar num lugar iluminado. Evitar ficar contra a luz (de uma janela, por exemplo), pois isso dificulta a visão do rosto.
  • Se souber alguma língua de sinais, tentar usá-la. Se a pessoa surda tiver dificuldade em entender, avisará. De modo geral, as tentativas são apreciadas e estimuladas.
  • Ser expressivo ao falar. Como as pessoas surdas não podem ouvir mudanças sutis de tom de voz, que indicam sentimentos de alegria, tristeza, sarcasmo ou seriedade, as expressões faciais, os gestos ou sinais e o movimento do corpo são excelentes indicações do que se quer dizer.
  • A conversar, manter sempre contato visual, se desviar o olhar, a pessoa surda pode achar que a conversa terminou.
  • Nem sempre a pessoa surda tem uma boa dicção. Se houver dificuldade em compreender o que ela diz, pedir para que repita. Geralmente, os surdos não se incomodam de repetir quantas vezes for preciso para que sejam entendidas.
  • Se for necessário, comunicar-se através de bilhetes. O importante é se comunicar. O método não é tão importante.
  • Quando o surdo estiver acompanhado de um intérprete, dirigir-se a ele, não ao intérprete.
  • Alguns preferem a comunicação escrita, alguns usam linguagem em código e outros preferem códigos próprios. Estes métodos podem ser lentos, requerem paciência e concentração.

Em suma, os surdos são pessoas que têm os mesmos direitos, os mesmos sentimentos, os mesmos receios, os mesmos sonhos, assim como todos. Se ocorrer alguma situação embaraçosa, uma boa dose de delicadeza, sinceridade e bom humor nunca falham.

 

A NECESSIDADE DO  INTÉRPRETE EDUCACIONAL

O Intérprete Educacional é aquele que atua como profissional intérprete de língua de sinais na educação. É a área de interpretação mais requisitada atualmente. Na verdade, essa demanda também é observada em outros países.

Considerando a realidade Brasileira na qual as escolas públicas e particulares tem surdos matriculados em diferentes níveis de escolarização, seria impossível atender ás exigências legais que determinam o acesso e a permanência do aluno na escola observando-se suas especificações sem a presença de intérpretes da língua de sinais. Assim, faz-se necessário investir na especialização do intérprete de língua de sinais da área da educação.

NÃO EXISTE MAIOR BARREIRA DO QUE A DA COMUNICAÇÃO

Você consegue imaginar-se criança, querendo dizer pra sua mãe que sente alguma dor,
Sem que ela te entenda. Ou mesmo, você sentir algum medo, e ela achar que você
Esta com dor de barriga e te dar aquelas gotinhas no copo e dizer: “Você vai sarar...”
Mas o que você realmente esta pedindo é a sua companhia; ou ainda você querer dizer
O quanto a ama e que ela é importante para você e isto parecer impossível?
A vida do “SURDO” é cheia de momentos como estes, desde criança e como adultos também.
Começando com o termo “DEFICIENTE AUDITÍVO”, a sociedade trata o surdo como se fosse
Incapaz.
Conhecemos as necessidades de muitas pessoas com deficiência, mas para os surdos não há
Condições mínimas de atendimento. Em repartições públicas, hospitais, lojas e locais adaptados que lidam com questões de acessibilidade, raramente há alguém preparado para atendê-los.

O que você sabe sobre “SURDEZ”? Aquele Alfabeto Brasileiro de Sinais que você já deve ter visto é quase nada. Você pensa que a comunicação do surdo é daquela forma?
Mesmo os profissionais da área, precisam saber mais. Eles sabem sobre ouvido, mas será que sabem sobre a “Pessoa Surda”?
Pais e familiares precisam saber o que fazer, afinal de contas um filho surdo não nasce com um manual de instruções.
Nosso objetivo é que o “Surdo” conquiste sua total cidadania. O primeiro passo é a informação. O reconhecimento de uma língua própria, a “LIBRAS” já foi uma vitória. Você tem ideia do que é LIBRAS?
Por isso quero te convidar a conhecer este mundo maravilhoso, humano e verdadeiro, o mundo dos SURDOS, você vai ficar encantado, assim como eu, e ao mesmo tempo surpreso.

‘’QUE TAL VENHA FAZER VOCÊ A DIFERENÇA”

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TIPOS DE SINAIS NAS LIBRAS

QUANTO À COMPOSIÇÃO: os sinais podem ser:

Simples: quando formados por um único sinal.

Ex: internet, inteligente

Compostos: quando formados por dois ou mais sinais.

Ex: mãe, escola, faqueiro.

 

QUANTO À FORMA: os sinais podem ser:

Icônicos: quando há compromisso com a forma e/ou o movimento do objeto ou ação.

Ex: copo, bola, nadar

Arbitrários: quando não apresentam compromisso algum com a forma ou o movimento. São sinais codificados que em geral expressam idéias abstratas, sentimentos e emoções, e precisam ser aprendidos.

Ex: particular, próprio

 

QUANTO À SEMÂNTICA: os sinais podem ser:

Polissêmicos: quando possuem dois ou mais significados, de acordo com o contexto.

Ex: egoísta/problema meu, à toa/tédio/”ficar”

Tautológicos: quando possuem dois ou mais sinais que representam o mesmo significado Ex: verde, branco. 

QUANTO À CONCORDÂNCIA: podem ser:

1) Sinais que não possuem marca de concordância, embora possam ter flexão para aspecto verbal;

Quando se faz uma frase, é como se o verbo “invariável” ficasse no infinitivo.

Exemplo: comprar, trabalhar

2) Sinais que possuem marca de concordância. Este é o grupo de sinais mais complexo por apresentar diversas formas de concordância podem ser subdivididos em:

     a) Concordância número-pessoal: são geralmente verbos direcionais,. Onde a orientação (ou direção), aspectos do movimento, marcam as pessoas do discurso. No ponto inicial a concordância com o sujeito, e no final com o objeto. Pode também ser equivalente à voz ativa e passiva do verbo.

Exemplo 1:

1sPERGUNTAR2s “eu pergunto a você”;

2sPERGUNTAR1s “você me pergunta”

Exemplo 2:

1sRESPONDER2s “eu respondo a você”;

2sRESPONDER1s “você me responde”

     b) Concordância de gênero: são verbos classificadores porque apresentam a característica de incorporação do “objeto”. a eles estão incorporados, através da configuração de mão, a uma concordância de gênero: PESSOA, ANIMAL ou COISA.

Por exemplo:

pessoaANDAR (configuração da mão em V ou D);

veículoANDAR/MOVER (configuração da mão em B, palma para baixo)

animalANDAR (configuração da mão em 5, palma para baixo);

Outros exemplos: cortar, lavar, crescer, abrir, fechar. Dependendo do objeto a ser incorporado a ação se transforma em concordância com o tipo do “objeto”.

     c) Concordância com a localização: são verbos que começam ou terminam em um determinado lugar que se refere ao lugar de uma pessoa, coisa, animal ou veículo, que está sendo colocado, carregado, etc. Portanto o ponto de articulação marca a localização.

Exemplos:

COPO MESA coisa arredondadaCOLOCAR

CABEÇA ATIRAR

 

Existe ainda um grupo especial de sinais chamado de multidirecionais, como é o caso dos verbos andar e ver, que têm características próprias e pouco se relata sobre eles. Sabe-se que esta direcionalidade está relacionada com a concordância de número-pessoal ou de gênero.

 

Estes tipos de concordância podem coexistir em um mesmo verbo. Assim, há verbos que possuem concordância de gênero e localização, como o verbo COLOCARacima; e concordância número-pessoal e de gênero, como o verbo DAR. Concluindo, pode-se esquematizar o sistema de concordância verbal, na Libras, da seguinte maneira:

a) concordância número-pessoal = parâmetro orientação de mão

b) concordância de gênero e número = parâmetro configuração de mão

c) concordância de lugar = parâmetro ponto de articulação

 

Há quem diga que “direcional” obrigatoriamente deva ser uma característica exclusiva dos verbos. É bem verdade que é em maioria. Porém, na contramão desta afirmação estão vários sinais que não têm função verbal e se comportam com as mesmas características de concordância, como: MEU-SINAL, MEU-NOME.

 

VOCE SABE O QUE FAZ O "AEE" ?

• apóia o desenvolvimento do aluno com deficiência, transtornos gerais de desenvolvimento e altas habilidades
• disponibiliza o ensino de linguagens e códigos específicos de comunicação e sinalização
• oferece tecnologia assistiva – TA
• adéqua e produz materiais didáticos e pedagógicos, tendo em vista as necessidades especificas dos alunos
• oportuniza ampliação e suplementação curricular (para alunos com altas habilidades)
O AEE deve se articular com a proposta da escola comum, embora suas atividades se diferenciem das realizadas
em salas de aula de ensino comum.

ATRIBUIÇÕES DO PROFESSOR DE AEE DE ACORDO COM A RESOLUÇÃO CNE/CEB N° 04/2009

 

Art. 13. São atribuições do professor do Atendimento Educacional Especializado:
I – identificar, elaborar, produzir e organizar serviços, recursos pedagógicos, de acessibilidade e estratégias considerando as necessidades específicas dos alunos público-alvo da Educação Especial;
II – elaborar e executar plano de Atendimento Educacional Especializado, avaliando a funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos pedagógicos e de acessibilidade;
III – organizar o tipo e o número de atendimentos aos alunos na sala de recursos multifuncionais;
IV – acompanhar a funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos pedagógicos e de acessibilidade na sala de aula comum do ensino regular, bem como em outros ambientes da escola;
V – estabelecer parcerias com as áreas intersetoriais na elaboração de estratégias e na disponibilização de recursos de acessibilidade;
VI – orientar professores e famílias sobre os recursos pedagógicos e de acessibilidade utilizados pelo aluno;
VII – ensinar e usar a tecnologia assistiva de forma a ampliar habilidades funcionais dos alunos, promovendo autonomia e participação;
VIII – estabelecer articulação com os professores da sala de aula comum, visando à disponibilização dos serviços, dos recursos pedagógicos e de acessibilidade e das estratégias que promovem a participação dos alunos nas atividades escolares.

TIPOS DE TRADUÇÃO

"FIXA"

Tradução Fixa: são traduções de textos ou “falas” já conhecidas como a oração do Pai Nosso, textos escritos conhecidos, poesias da cultura ouvinte adaptadas para Libras, textos do Estatuto dos Direitos Humanos, Estatuto dos Direitos da Criança, leis, documentos oficiais, atas, peças teatrais com textos de falas decoradas etc. Nessas situações, provavelmente, o intérprete-tradutor terá in loco o material a ser traduzido.

Entretanto, cuidado: ainda que o texto seja o mesmo, cada sinalizador imprimirá seu registro linguístico personalizado, seu ritmo, sua poesia, sua personalidade, inclusive podendo ser diferente em comparação à última vez em que ele mesmo sinalizou esse mesmo texto – dificilmente falamos a mesma coisa da mesma forma duas vezes!

 

TIPOS DE TRADUÇÃO

"PREPARADA"

Tradução Preparada: é a situação considerada ideal para uma boa tradução porque o intérprete terá condições de se preparar com antecedência. A quantidade dessa preparação varia de acordo com o que cada situação requer, podendo ser breve ou extensa. Veja a seguir alguns exemplos em que a preparação se faz importante.

Defesas de teses, apresentação de TCCs, monografias, palestras científicas etc. devem ser lidas e estudadas com muita antecedência.

Apresentações de peças teatrais: os tradutores devem participar de todos os ensaios porque serão “co-atores” durante toda a encenação.

Palestrantes de cidades diferentes das cidades dos tradutores, ainda que enviem textos com antecedência, devem estudar juntos, pois há sinais específicos que são diferentes para cada região do país

 

É importante enfatizar que o intérprete-tradutor deve estar aberto e preparado para mudanças espontâneas do sinalizador, mesmo dentro da proposta tradução preparada, tais como: ilustrações que surgem na hora, pequenas dramatizações, novas anáforas, acréscimo de novas idéias, sinais, personagens, linha de pensamento, novas ênfases e entonações etc., além do fator nervosismo do palestrante, que também poderá alterar a sua “fala”.

PERCORRENDO HISTÓRICAMENTE O PROCESSO EDUCACIONAL DOS SURDOS

 

A forte ênfase no papel da linguagem verbal no funcionamento cognitivo humano gerou distintas representações, principalmente no caso dos surdos, uma vez que a dificuldade encontrada por eles na linguagem foi vista, por vezes, como geradora de obstáculos ao desenvolvimento do pensamento. Um desses obstáculos seria o de que a linguagem de sinais levaria a uma redução no universo intelectual ao mundo concreto, restringindo, assim, as funções de caráter abstrato. Por isso, o oralismo dominou em todo o mundo até a década de 1970. Porém, segundo Góes (1999, p.26), as discussões teóricas sobre cognição e linguagem começaram a alterar-se a partir da década de 80, com base em outros aportes, tais como a teoria de L. S. Vygotski. Com isso, passa a expandir-se uma nova proposta, que parte do pressuposto que a comunicação deve ser privilegiada e não a língua propriamente dita. Assim, a deficiência não torna a criança um ser que tem possibilidades a menos, ou seja, ela tem possibilidades diferentes, e não menores (Góes, 1999, p. 34).

Partindo disso, entra em questão um novo fator, pois, junto com uma língua distinta para os surdos, surge também uma nova cultura, ou seja, junto ao bilingüismo, veio o biculturalismo, revelando um processo antes ignorado, que é o processo de construção da identidade cultural surda, uma vez que o surdo tem contato com dois grupos culturais distintos, o ouvinte e o surdo. Assim sendo, estréia uma nova tendência, a de vincular o processo educacional às experiências culturais dos surdos, para que seu desenvolvimento alcance maior êxito. Como conseqüência, a discussão sobre as formas de atenção às pessoas e aos grupos surdos tem sido deslocada do campo da educação especial para o campo antropológico, pois a educação deveria dar acesso aos bens culturais de acordo com as características singulares decorrentes da surdez.

Mesmo com todo esse processo de luta pelo direito à diferença, ou seja, por uma política afirmativa da cultura surda, no atendimento educacional ainda se faz presente, em menor escala, a dominação da oralização, seja ela na prática ou na memória dos que vivenciaram essa dominação.

 

SURDOS: QUE MUNDO É ESSE? (LEIA COM ATENÇÃO E COMPRTILHE)

Bem, essas pessoas que nomeamos como “SURDOS” e ainda hoje muitas pessoas ainda tem uma ideia que “SURDOS” ainda são “MUDOS”. Talvez isso seja ainda muita falta de informação e conhecimento.  “SURDOS NÃO SÃO MUDOS”, apenas não foram ensinados a falar, muitos pais de surdos, ao saberem que seus filhos nascem ou por alguma doença perdem a audição, são ainda infelizmente tratados como pessoas incapazes, infelizes, e são totalmente excluídas da sociedade e do convívio com outras pessoas consideradas “NORMAIS” e também com outros surdos. Esses pais colocam seus filhos trancados dentro de um quarto, e são impedidos de manterem relacionamentos normais, com isso esses “SURDOS” crescem com um preconceito interior, com um sentimento de impossibilidade. Mas para você que não tem conhecimento sobre esse tipo de “DEFICIENTE”, surdo é uma pessoa normal, com sentimentos, desejos e sonhos, assim como qualquer pessoa dita ”COMUM”, mas em meio a uma  sociedade materialista e consumista, ainda essas pessoas surdas passam por um grande preconceito, sofrem por terem muitas portas fechas, tanto na vida pessoal quanto em uma vida social. São tratados como incapazes pelas empresas, sofrem discriminação nas escolas, e são muitas vezes excluídos da sociedade tida como “PERFEITA”.

Saiba “SURDO NÃO É DEFICIENTE , ELE Á APENAS DIFERENTE”.

Mas graças á Deus esta ideia vem mudando gradualmente, e podemos ver as comunidades surdas crescendo cada vez mais, tendo um maior relacionamento com as pessoas “NORMAIS”, empresas estão entendendo e percebendo quão capazes são essas pessoas, escolas “BILINGUES” estão sendo criadas, enfim pessoas tidas como Deficientes estão sendo mais valorizadas e elogiadas por seu desempenho.

 

 

SURDEZ: UMA DEFICIÊNCIA OU EFICIÊNCIA ?

Surgiu a ideia em escrever sobre a comunicação, uma vez que observamos o cotidiano das pessoas que tem pressa em resolver as coisas de maneira “eficaz”, porque tempo é dinheiro! Porém, aparecem os desentendimentos prejudicando os negócios que não são fechados, os relacionamentos que se rompem, esses acontecimentos são devido à falha de comunicação, o qual cada um interpreta de uma forma diferente. Mas, por que estamos falando sobre a comunicação?  

  

Observamos que os surdos que se comunicam apenas por Libras, o processo cognitivo é totalmente diferente daqueles que possuem a língua portuguesa como nativa. Embora que o LIBRAS, atualmente é língua oficial usada pelos surdos, sancionada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2002, que dá a conotação de ideias dependendo do contexto, possui aproximadamente 6 mil verbetes contra os 500 mil da língua portuguesa, é uma diferença gritante! Daí a dificuldade de comunicação entre os ouvintes (incluindo os deficientes auditivos oralizados) e os surdos que só se comunicam por esse meio. Sem o vasto vocabulário, as complicações de entendimento para dar a continuidade na comunicação fazem com que os ouvintes, aparentemente, se afastem do surdos e estes, se fecham e acabam indo para seus grupos, os quais se identificam.  É um círculo vicioso. 

 

E quanto aos deficientes auditivos oralizados, como ficam? Aparentemente, com a generalização que a sociedade se deu em relação aos surdos, ficam prejudicados. Estes sujeitos, com perseverança, acreditaram em seu potencial e suas habilidades, deslancharam na lingua portuguesa, em sua maioria convivem com os ouvintes e são ávidos pela literatura, procuram se aperfeiçoar na compreensão escrita e verbal, como? Treinando e buscando no dicionário, as palavras desconhecidas. Deste modo, a vida torna-se mais leve e fácil e obviamente, os deficientes auditivos oralizados, batalham por um emprego e salário melhor. 

 

No mercado de trabalho, por exemplo, é exigente no quesito do conhecimento da lingua nativa: o português e são descartados, os sujeitos que não apresentam o mínimo de conhecimento dessa língua. Aparentemente, as pessoas que são leitores vorazes, são os que tem chances maiores de encontrar trabalho, porque a comunicação empresarial é imprescindível para o sucesso do negócio.  

 

Muitas empresas acabaram criando vagas operacionais com salários baixos, devido à falta de conhecimento que existem deficientes auditivos ou não com nível superior, os quais são em minoria, podem perfeitamente ser aproveitados, alavancando no crescimento e sucesso do negócio e consequentemente, melhora a diversidade dentro das corporações. Todos ganham, mas, para isso acontecer, os salários e os benefícios precisam ser atrativos. 

 

Contudo, a língua portuguesa é rica em termos de vocabulário e é complexa na gramática, vai depender de cada indivíduo melhorar a comunicação. Como? Ter sacrifício e tempo para leitura, principalmente livros, visando o aumento de vocábulos e o progresso na interpretação de texto, os quais ajudam tanto na compreensão escrita como na verbal.  Consequentemente, a pessoa vai  se beneficiar e ter sucesso nas relações intrapessoais e interpessoais, seja familiar, afetiva, profissional e social.  

fonte: deficienteonline.com.br

SURDEZ E A MEDICINA - CONHEÇA UM POUCO MAIS SOBRE ESTE ASSUNTO!!!

As graves limitações provocadas pela surdez, bem como suas conseqüências psicossociais, foram significativamente aliviadas no século XX por meio de terapias educacionais, aparelhos auditivos (amplificadores) e técnicas cirúrgicas restauradoras.
Surdez é a perda total ou parcial da capacidade auditiva. Decorre de fatores genéticos, traumáticos ou tóxicos. Quando surge devido a condições inadequadas de trabalho, o que é freqüente, classifica-se como doença profissional. Pode limitar-se a um único ouvido, ou manifestar-se como surdez específica para certas freqüências sonoras, o que muitas vezes prejudica seriamente a percepção da fala.
As deficiências auditivas podem ser causadas por problemas de transmissão do som entre o ouvido e o tímpano — no caso da surdez de condução — ou por lesões em células sensoriais ou no ouvido interno — na chamada surdez neurossensorial. A capacidade auditiva ainda pode ser reduzida ou mesmo eliminada por alterações nas áreas cerebrais correspondentes à audição.
A surdez de condução pode ser produzida por malformações congênitas, passíveis de correção cirúrgica, obstruções do conduto auditivo externo (geralmente por cerume ou por corpos estranhos), redução da movimentação da membrana do tímpano ou por imobilização parcial ou total dos ossículos do aparelho auditivo.
A idade é a causa mais importante da surdez neurossensorial. O desenvolvimento da perda auditiva para freqüências altas parece ser decorrência natural do envelhecimento. Drogas, alérgenos e ruídos são responsáveis por perdas auditivas neurossensoriais e até mesmo pela surdez total. A quinina e os derivados do ácido salicílico (aspirina) são há muito tempo conhecidos como causadores de perdas auditivas, principalmente em indivíduos sensíveis. Antibióticos, como a dihidroestreptomicina e a kanamicina e, em menor grau, a estreptomicina e a neomicina, são comprovadamente ototóxicos.
Fenômenos alérgicos podem comprometer o ouvido médio e a trompa de Eustáquio, o que leva a perdas relativamente acentuadas da audição. Ruídos intensos podem levar à perda temporária da audição, principalmente para sons agudos; quando ouvidos por longo tempo, podem provocar lesões permanentes. A lesão produzida depende tanto da intensidade quanto da duração do som. Para produzir lesões instantâneas, a intensidade sonora deve ultrapassar os 150 decibéis.

A surdez congênita determina a mudez: por não ser capaz de ouvir as palavras, desde o nascimento, o indivíduo é incapaz de aprender a falar naturalmente. Essa situação se reverte por meio de terapias de educação e correção da surdez
Durante muito tempo, os surdos foram discriminados como portadores de deficiências mentais, devido à dificuldade de relacionamento. O médico italiano Gerolamo Cardano, no século XVI, foi o primeiro a se preocupar seriamente com o problema e afirmou que os surdos-mudos podiam ser postos em condições de “ouvir lendo e falar escrevendo”. Mais tarde, o espanhol Juan Pablo Bonet escreveu o primeiro livro sobre o assunto, no qual explicava como exercitar o surdo-mudo para a emissão de sons.
O abade francês Charles-Michel de l”Épée foi, no entanto, quem sistematizou definitivamente a educação do surdo, no século XVIII. Sem desprezar o uso da palavra, L”Épée criou uma linguagem de sinais manuais que denominou “método silencioso”. Posteriormente, desenvolveu-se o “método oral”, baseado no emprego da palavra e na leitura labial. No século XIX, houve grande controvérsia entre os defensores de um e outro métodos, mas, a partir do século XX, cresceu a tendência a empregá-los simultaneamente.
No Brasil, somente em 1857, por iniciativa do imperador D. Pedro II, criou-se, no Rio de Janeiro, o primeiro estabelecimento destinado a ministrar educação para surdos o Instituto Nacional dos Surdos, ainda hoje a mais importante escola desse gênero no país, com o nome de Instituto Nacional de Educação dos Surdos.

 

PROFESSOR E ALUNO SURDO, UMA SINERGIA PARA A ESCOLA E A VIDA!!!

 

A presença de professores surdos na trajetória escolar de crianças igualmente surdas é extremamente importante, uma vez que esses professores serão a grande referência para os alunos e seus familiares.  É sabido que a maioria dos surdos nasce em famílias de pessoas ouvintes, que desconhecem as necessidades e potencialidades da comunidade surda e abordam o fato como limitações e impossibilidades.  Ao se depararem com professores surdos, os pais de crianças surdas começam a compreender melhor o universo da surdez, passam a entender o significado da Língua de Sinais no desenvolvimento da pessoa surda e visualizar novas perspectivas de futuro para seu filho surdo.

A criança surda, ao passar a viver em um ambiente linguístico rico e ter contato com adultos surdos,  tem possibilidade de formar um sentimento positivo em relação a sua identidade surda, reconhecendo-se como diferente e não como deficiente ou ouvinte imperfeito. Um professor é uma referência para a criança. É um exemplo de que o surdo pode ter uma profissão, ser uma pessoa independente, ter objetivos e projetos de vida, que é uma pessoa capaz e não um "coitadinho".

 Acredito que os professores surdos e ouvintes têm um papel fundamental no desenvolvimento educacional e social de seus alunos.  Ao analisar meus 11 anos de trabalho como professor na Escola para Crianças Surdas Rio Branco, não tenho dúvidas quanto à importância do papel do professor surdo para cada um dos alunos.  A começar pelo aprendizado da Libras (Língua Brasileira de Sinais), a ser entendida e percebida como língua natural e de direito do surdo. Também noto uma percepção maior para a questão do surdo por importantes organismos internacionais, como a ONU.

 

Fonte:  Jornal do Brasil -  Alexandre Jurado Melendes *

 

LIBRAS: DESMISTIFICAÇÃO E CONHECIMENTO:

Somente a partir da segunda metade do século XX, a comunidade surda, mais especificamente, teve o reconhecimento de suas expressões lingüísticas, a Língua de Sinais. Assim, mostrou?se uma nova língua que, independente do falar local, mantém?se como língua mãe. A Libras como qualquer outra língua, também possui expressões que diferem de região para região (os regionalismos) - o que a legitima ainda mais como língua. Como os sinais não são aleatórios nem criados exclusivamente por quem está se comunicando, eles possuem o que os especialistas chamam de parâmetros, ou seja, são formados a partir da combinação da posição das mãos, movimento, direção.
O encontro da língua de sinais com a lingüística é deveras próximo, visto que ao partir da enunciação pela significação dos símbolos, ambos objetivam, que independente da oralidade, posto que tanto o conhecimento como a aprimoramento da inteligência se dão por mecanismos mentais, podendo apenas ser registradas graficamente e somente em segunda instância, oralizados. Desse modo, se a expressão pantomima exerce a comunicação, logo há um discurso sendo desenvolvido em dois âmbitos: oral e possivelmente escrito, considerando o processo de alfabetização contemporâneo dos surdos.
Os pronunciamentos do governo e as propagandas políticas já trazem uma janela no vídeo com o intérprete de Libras. Alguns programas televisivos de igrejas também utilizam esse recurso. São "janelas" que estão permitindo que os surdos tenham acesso ao conteúdo que está sendo divulgado na televisão. Mas são também "janelas" para despertar a curiosidade dos ouvintes para esse universo. Essas iniciativas, aliadas aos cursos de Libras para os "ouvintes", começam a permitir a interação entre os dois lados. 
Uma das primeiras alternativas a serem tomadas para a desmistificação e conhecimento sobre a libras foi a inclusão da disciplina de Libras nos cursos de formação de professores. Entretanto essa atitude é pequena para que a pessoa tenha competência no uso da língua de sinais, mas permite um conhecimento prévio da língua e das questões envolvidas com os surdos. Ela espera que isso seja o início de um interesse das pessoas em aprenderem mais, buscarem novos conhecimentos ou o seu aprofundamento e quebrarem os preconceitos. 
Quando se promove a Inclusão, não se "joga" uma criança na sala de aula, nem a deixa sob a custódia de um estagiário ou babá. Quando se promove a Inclusão, ensina-se a todos os alunos sem distinção, a Inclusão pressupõe o respeito ao direito à educação com qualidade, pressupõe o respeito ao modo e tempo de aprendizagem do aluno, pressupõe dar condições de igualdade de acesso ao conhecimento etc., logo, qualquer dessas falas são despropositadas e nada têm que ver com Inclusão.
A inclusão é um movimento dos diversos grupos de pessoas em situação de vulnerabilidade, que, ao longo dos séculos sempre lutaram para ser reconhecidas como pessoas humanas e que, no presente, vêm logrando êxito.

TODOS NÓS TEMOS OS MESMOS DIREITOS E DEVERES ABAIXO, E POR QUE AINDA TANTO PRECONCEITO COM A COMUNIDADE SURDA? SOCIEDADE X SURDOS., APAGUE ESTA IDEIA. SOMOS TODOS IGUAIS PERANTE A SOCIEDADE.

1. Toda pessoa tem o direito de aprender uma ou várias línguas.
2. Toda pessoa tem o direito de se identificar com qualquer língua e de ter sua opção lingüística respeitada por todas as instituições públicas e privada.
3. Toda pessoa tem o direito de ouvir, falar, ler e escrever em qualquer língua.
4. Toda pessoa tem o direito de se expressar em qualquer língua.
5. Toda pessoa tem o direito de receber educação lingüística especial, caso tenha algum distúrbio de linguagem.
6. O ensino de nenhuma língua pode ser proibido.
7. Toda pessoa tem o direito de receber instrução na língua ou nas línguas com as quais essa pessoa e sua família mais se identifiquem, no ensino público, na comunidade ou em seu contexto familiar.
8. Toda pessoa tem o direito de ser ensinada na língua oficial ou nas línguas oficiais do Estado, da nação ou da região onde essa pessoa reside.
9. Toda pessoa tem o direito de, no contexto educacional público, aprender outra língua a fim de ampliar seus horizontes sociais, culturais, educacionais e promover a compreensão intercultural.
10. Toda e qualquer pessoa poderá gozar destes direitos. Medidas devem ser tomadas para assegurar esses direitos às pessoas que ainda não usufruem dos mesmos, através do ensino de natureza comunitária, supletivo, da educação de adultos ou educação universitária.

 

QUE TIPOS DE PRECONCEITOS OS SURDOS SOFREM AINDA HOJE? INFESLIMENTE:

Hoje em dia, o preconceito ainda persiste na nossa sociedade e, infelizmente, as pessoas com deficiências sensoriais são ainda bastante afectadas.

Muitos têm ainda de lidar com a rejeição em empregos e escolas, sendo estes obrigados a procurar ajuda em várias associações.

CONHEÇA UM POUCO MAIS SOBRE O "ALFABETO DE LIBRAS"

 

O Alfabeto de Libras – ( Língua Brasileira de Sinais), teve sua origem ainda no império. Em 1856, o conde francês Ernest Huet, desembarcou no Rio de Janeiro com o alfabeto manual francês e alguns sinais. O material trazido pelo conde, que era surdo, foi adaptado e deu origem à Libras. Este sistema foi amplamente difundido e assimilado no Brasil.

 

No entanto, a oficialização em lei da Libras só ocorreu um século e meio depois, em abril de 2002 – nesse período, o Brasil trocou a monarquia pela república, teve seis constituições e viveu a ditadura militar. O longo intervalo deve-se a uma decisão tomada no Congresso Mundial de Surdos, na cidade italiana de Milão, em 1880. No evento , ficou decidido que a língua de sinais deveria ser abolida, ação que o Brasil implementou em 1881.

 

A Libras quase mudou de nome e só voltou a vigorar em 1991, no Estado de Minas Gerias, com uma lei estadual. Só em agosto de 2014, com o Programa Nacional de Apoio à Educação do Surdo. Os primeiros 80 professores foram preparados para lecionar a Língua Brasileira de Sinais. A regulamentação da  Libras em âmbito federal só se deu em 24 de abril de 2002, com a lei n° 10.436

 

VERSÍCULO DO DIA

JOSUÉ 1:7

TÃO SOMENTE ESFORÇA-TE, E SÊ MUI CORAJOSO.

CUIDA EM FAZER CONFORME TODA A LEI QUE MEU SERVO MOISÉS

TE ORDENOU; DELA NÃO TE DESVIES, NEM PARA A DIREITA E 

NEM PARA A ESQUERDA, PARA QUE SEJAS BEM SUCEDIDO

POR ONDE QUER QUE ANDARES.

 

EDUCAÇÃO PARA SURDOS: AINDA TEMOS MUITO O QUE FAZER, VOCÊ CONCORDA?

A identidade surda foi reconhecida há muito pouco tempo, sendo esta uma luta da comunidade surda. A escola para surdos passou por modelos educacionais (oralismo, comunicação total, bilingüismo, pedagogia surda) demonstrando na história da educação dos surdos uma constante luta, onde os surdos lutaram para conquistar seus direitos, como o reconhecimento de sua própria língua, a Língua de Sinais.
A luta pelas conquistas na educação ainda continua, pois são poucas as escolas ainda no Brasil que possuem incluídos professores surdos, o que foi comprovado que para os alunos surdos seria uma melhor, pois assim contribui para uma harmonia ainda melhor entre professor-aluno.
As possibilidades de mudanças propostas pelos surdos são de que:
“as escolas respeitem a língua e a cultura surda e os preparem para o mercado de trabalho e meio social, que os professores trabalhem e desenvolvam em aula fatos culturais próprios dos surdos, tendo por base a Língua de Sinais.”(Texto:Pedagogia Surda)
Acredito que pelo desenrolar da história da comunidade surda, suas lutas e conquistas ainda sejam necessárias uma maior inclusão e aceitação social do surdo como uma comunidade que possui identidade e língua própria para sua comunicação e que os ouvintes devem aprender com os surdos para que realmente ocorra uma comunicação entre a língua de ouvintes e língua de surdos.
Como cita Harlan Lane:
“Se o sistema audista continuar a por de parte os próprios surdos, silenciar a sua narrativa e evitar a sua colaboração teremos de esperar que os adultos surdos sigam a via que tipicamente tem sido seguida por outras minorias lingüísticas frustradas. <
>,”
(LANE, Harlan. A Máscara da Benevolência: a comunidade surda amordaçada. Lisboa: Instituto Piaget, 1992.)
É necessário, entretanto que nesta luta todos se engaje, um bom começo é a disciplina de LIBRAS nos cursos de graduação para professores. Pela educação e informação talvez possamos mudar estas estatísticas de preconceito em que ainda os surdos hoje sofrem em nossa sociedade.

A CAPACITAÇÃO DO SURDO PARA O MERCADO DE TRABALHO

Cada vez mais, as pessoas portadores de deficiência têm conseguido avanço na inclusão social. Contudo, infelizmente, segundo o CONADE (Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiência Física) as pessoas passam ainda por muitas dificuldades de comunicação e aceitação no ambiente de trabalho.

A inclusão social do surdo já começa quando a pessoa se relaciona com o mundo, adquirindo experiência com outras pessoas e trocando informações. Para o surdo que nasce em uma família na qual só tem ouvintes, a troca de informações e experiências tornam-se mais complicadas e atrasam seu desenvolvimento. Mesmo sem querer, o surdo fica isolado. Desta forma, sua experiência é apenas visual: os adultos ouvintes conversam entre eles e o surdo só observa os movimentos labiais, ficando sem entender. O mundo para ele é diferente.

A língua de sinais é a linguagem que o surdo utiliza para a sua comunicação. Essa língua faz parte da sua cultura, ele necessita dela para auxiliar na sua formação, para que ele tenha uma profissão digna e seja independente economicamente e se realize profissionalmente.

Com a formação, o surdo terá mais facilidade no mercado de trabalho e oportunidade de mostrar sua competência. Só dependerá de as empresas abrirem as portas para ele, dando oportunidades.

Mesmo com leis de inclusão social para os deficientes, ainda há uma grande resistência com os surdos dentro do mercado de trabalho.

Enorme é a dificuldade de capacitação e especialização em seus diversos níveis, começando em casa e se expandindo nas escolas e entidades que oferecem cursos profissionalizantes.

As empresas deveriam confiar e investir mais nesses profissionais, que tanto têm para oferecer. Precisamos nos conscientizar que todos têm direito ao ensino.

Em 2012, sabendo da importância da capacitação para todos, a Dtcom começou a disponibilizar tradução em libras para seus cursos (disponíveis no AVA - Ambiente Virtual de Aprendizagem) e está se preparando cada vez mais para oferecer conteúdos específicos para esse público.

 

SURDOS AINDA ENFRENTAM SÉRIOS PROBLEMAS DE COMUNICAÇÃO!

Receber atendimento em uma agência bancária, supermercado ou posto de saúde, geralmente, é tarefa corriqueira e que não necessita, na maioria dos casos, de imensos esforços – fora as longas filas, que muitas vezes podem causar estresse e cansaço. Após o atendimento, a comunicação entre atendente e cliente, na maioria dos casos, dá-se livre de maiores infortúnios. Porém, e quando algum dos envolvidos nesta comunicação não escuta? Quando o mesmo necessita de linguagem? 
Esse é um dos maiores incômodos das pessoas com surdez, seja completa ou parcial. Lucas Keller Botti, um jovem professor universitário de Lingua Brasileira de Sinais (Libras) de Ibiporã, sofre na pele esse problema desde o nascimento. “Muitos surdos não sabem contar dinheiro. No caixa dos supermercados, não nos dão atenção o suficiente e ficamos sem saber o que fazer, sem entender”, comentou. Botti é completamente surdo, mas consegue falar de forma bem articulada, embora com esforço – tanto que quase não precisou de intérprete enquanto foi entrevistado.
A lista das mais variadas dificuldades continua. “Nos bancos, muitas vezes não há atendentes que compreendam o que queremos dizer, assim como nos postos de saúde, nos centros de assistência social”, explicou. Problemas envolvendo a intimidade dos surdos também podem ocorrer. Em atendimentos psicológicos, por exemplo, pode causar constrangimento ao paciente. Em postos de saúde, um atendimento errado, por falta de comunicação entre o usuário surdo e o atendente, pode levar a complicações sérias – ou até à morte.
Essas situações acarretam desgaste físico e emocional aos surdos. Acessos de raiva são frequentes nesses casos, e a reação de quem se depara com isso é a pior possível: o riso, o deboche, o descaso.

A SURDEZ COMO CULTURA

Surdez é mais do que uma condição médica. Para os indivíduos que são surdos, a surdes não é apenas ter "ouvidos doentes". Eles pertencem a uma comunidade, uma cultura. Neste sentido, a surdez é única entre os tipos de deficiência. O sentido da cultura é mais forte entre aqueles que a linguagem gestual é o seu idioma principal. É este vínculo linguístico, talvez mais do que outros fatores, que liga os membros desta comunidade. Em muitos aspectos, o caráter social da cultura surda pode ser comparado à da cultura Afro-americana. Da mesma forma que existe um forte sentimento de orgulho entre os Afro-americanos em respeito ao seu patrimônio cultural e da sociedade, existe um sentimento de orgulho entre os surdos, e eles gozam do estatuto de minoria cultural e linguística. Surdez é muito mais do que um fenômeno fisiológico. É um modo de vida. Nas últimas décadas, a linguagem tem desempenhado um papel cada vez mais centralizador na unificação cultural da comunidade surda.

TIPOS DE DEFICIÊNCIA AUDITIVA:

VAMOS APRENDER MAIS?

DEFICIÊNCIA AUDITIVA CONDUTIVA: Qualquer interferência na transmissão do som desde o conduto auditivo externo até a orelha interna (cóclea). A orelha interna tem capacidade de funcionamento normal mas não é estimulada pela vibração sonora. Esta estimulação poderá ocorrer com o aumento da intensidade do estímulo sonoro. A grande maioria das deficiências auditivas condutivas pode ser corrigida através de tratamento clínico ou cirúrgico.

• DEFICIÊNCIA AUDITIVA SENSÓRIO-NEURAL: Ocorre quando há uma impossibilidade de recepção do som por lesão das células ciliadas da cóclea ou do nervo auditivo. Os limiares por condução óssea e por condução aérea, alterados, são aproximadamente iguais. A diferenciação entre as lesões das células ciliadas da cóclea e do nervo auditivo só pode ser feita através de métodos especiais de avaliação auditiva. Este tipo de deficiência auditiva é irreversível.

• DEFICIÊNCIA AUDITIVA MISTA: Ocorre quando há uma alteração na condução do som até o órgão terminal sensorial associada à lesão do órgão sensorial ou do nervo auditivo. O audiograma mostra geralmente limiares de condução óssea abaixo dos níveis normais, embora com comprometimento menos intenso do que nos limiares de condução aérea.

• DEFICIÊNCIA AUDITIVA CENTRAL, DISFUNÇÃO AUDITIVA CENTRAL OU SURDEZ CENTRAL: Este tipo de deficiência auditiva não é, necessariamente, acompanhado de diminuição da sensitividade auditiva, mas manifesta-se por diferentes graus de dificuldade na compreensão das informações sonoras. Decorre de alterações nos mecanismos de processamento da informação sonora no tronco cerebral (Sistema Nervos o Central)

CAUSAS DA DEFICIÊNCIA AUDITIVA SENSÓRIO-NEURAL.

 

• Causas pré-natais: 
• de origem hereditárias (surdez herdada monogênica, que pode ser uma surdez isolada da orelha interna por mecanismo recessivo ou dominante ou uma síndrome com surdez); e uma surdez associada a aberrações cromossômicas. 
• de origem não hereditárias (causas exógenas), que podem ser: Infecções maternas por rubéola, citomegalovírus, sífilis, herpes, toxoplasmose. Drogas ototóxicas e outras, alcoolismo materno
Irradiações, por exemplo Raios X. Toxemia, diabetes e outras doenças maternais graves 
• Causas perinatais 
• Prematuridade e/ou baixo peso ao nascimento 
• Trauma de Parto - Fator traumático / Fator anóxico 
• Doença hemolítica do recém-nascido ( ictericia grave do recém-nascido) 
• Causas pós-natais 
• Infecções - meningite, encefalite, parotidite epidêmica (caxumba), sarampo 
• Drogas ototóxicas 
• Perda auditiva induzida por ruído (PAIR) 
• Traumas físicos que afetam o osso temporal

A ATUAÇÃO DO INTÉRPRETE EDUCACIONAL NA INCLUSÃO

Atuação do Intérprete Educacional na Inclusão
Embora ainda não haja distinção formal entre as áreas de atuação dos intérpretes da LIBRAS, a categoria vem progressivamente distinguindo sua atuação de acordo com a formação, experiência, afinidade e conhecimento da área onde atua. É importante destacar que a natureza de qualquer profissão está intimamente relacionada ao campo onde ela se dá, pois as inferências desenvolvidas e as necessidades ocasionadas pelo cotidiano são significativas e inegáveis. Para Quadros (2004, p. 35):
Tal distinção contribui para o esmero profissional, uma vez que é fato a impossibilidade de uma pessoa dominar todos os conhecimentos existentes no mundo, daí a busca pela especialização por áreas de atuação por parte de quem exerce esta profissão.
Pode-se afirmar que a presença do profissional intérprete de LIBRAS nas escolas com matrícula de alunos surdos passou a ser obrigatória no ano de 2006 e sua atuação está diretamente ligada ao processo de tradução e interpretação da LIBRAS-Língua Portuguesa. Todavia, para alguns profissionais da educação, pensar na presença de um intérprete na escola, e principalmente em sala de aula, ainda é motivo de inquietação.
É importante esclarecer que a atuação do profissional intérprete, quando na esfera educacional, é técnica e pedagógica, mas a sua ação pedagógica é pautada no processo de tradução e não no de ensino como alguns imaginam.
Segundo o supracitado Decreto nº 5.626/05, a função do intérprete é viabilizar ao aluno surdo o acesso aos conteúdos curriculares, em todas as atividades didático-pedagógicas, e agir como apoio a acessibilidade aos serviços e às atividades da instituição de ensino. Além disso, a Lei nº 12.319/10 ainda ressalva que:
Art. 7º O intérprete deve exercer sua profissão com rigor técnico, zelando pelos valores éticos a ela inerentes, pelo respeito à pessoa humana e à cultura do surdo e, em especial:
I – pela honestidade e discrição, protegendo o direito de sigilo da informação recebida;
II – pela atuação livre de preconceito de origem, raça, credo religioso, idade, sexo ou orientação sexual ou gênero;
III – pela imparcialidade e fidelidade aos conteúdos que lhe couber traduzir;
IV – pelas postura e conduta adequadas aos ambientes que frequentar por causa do exercício profissional;
V – pela solidariedade e consciência de que o direito de expressão é um direito social, independentemente da condição social e econômica daqueles que dele necessitem;
VI – pelo conhecimento das especificidades da comunidade surda.

Almejando o melhor aproveitamento do aluno, é fundamental que professor e intérprete desenvolvam uma parceria de trabalho. O intérprete poderá se preparar melhor se os temas discutidos em sala forem anteriormente debatidos entre eles e, nessa interação, o intérprete também poderá contribuir com o professor ao fazer comentários específicos relacionados à linguagem da criança, à interpretação em si e ao processo de interpretação quando estes forem pertinentes para o processo de ensino-aprendizagem (QUADROS, 2004, p. 62). Esse movimento dialético abre espaço para reflexão da práxis o que, por certo, a tornará mais consciente e eficaz.

OS OBSTÁCULOS DO MERCADO DE TRABALHO NA VIDA DOS SURDOS

O mercado de trabalho está aberto para receber os profissionais com surdez ou deficiência auditiva, mas não está totalmente preparado para incorporá-los, dizem especialistas em educação e recolocação profissional. Eles têm muita vontade de aprender e produzir, mas os que conseguem ter uma carreira de sucesso o fazem sozinhos e com muito esforço ou por meio da participação em programas de capacitação.

Com menor ou maior grau de surdez, eles precisam dominar a língua portuguesa para se firmar nas empresas, pois é a melhor forma de se comunicar com as pessoas ouvintes e conseguir completar os estudos.

 

A Lei de Cotas 8.213/91 (Artigo 93) abriu oportunidades em termos de quantidade de vagas, mas não exatamente de qualidade. A educação brasileira não acompanha a formação dessas pessoas que, apesar de brasileiras, não são usuários fluentes da língua portuguesa”, explica Jarbas Batista de Oliveira, diretor da escola de Educação Básica da Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação (Derdic) da PUC-SP.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem quase 6 milhões de pessoas com deficiência auditiva e em torno de 170 mil delas se declaram surdos – cerca de 35% dessas pessoas estão ocupadas. O Derdic da PUC-SP estima que o país tem cerca de 1 mil surdos em universidades.

 

Erroneamente, afirma o professor Oliveira, muitas organizações acreditam ser mais fácil contratar surdos porque eles não precisam de instalações de acessibilidade – como sinalização para cegos e rampas e elevadores para deficientes físicos. “Quando o surdo chega à empresa, porém, têm sérios problemas para se comunicar. Além do idioma, nem sempre ele se adapta rapidamente à dinâmica de hierarquia, deveres e prazos”.

É fundamental, portanto, o surdo se capacitar para ingressar no mercado de trabalho. “A colocação na carreira não vem de graça.

É preciso muito esforço e fundamental dominar o português, entre outras coisas, para avançar nos estudos e se comunicar com os ouvintes, já que é muito difícil encontrar intérprete de Libras nas instituições de ensino e nas empresas”, diz Alex Vincentin, diretor da Plura Consultoria e Inclusão Social, consultoria especializada na inclusão e capacitação de pessoas com deficiência. “Nem toda pessoa surda conhece ou fala português e o surdo alfabetizado em Libras que aprende português no ensino médio muitas vezes tem dificuldade com a escrita”.

 

Fonte: Jornal da Tarde.

CONSCIÊNCIA SOCIAL INCLUSIVA


A construção de uma consciência social inclusiva se afirma pela livre convivência e pelo conhecimento e reconhecimento da diversidade como pluralidade e respeito às diferenças.  A Libras, portanto, assume um papel lingüístico de permitir a comunicação, a interação social e a constituição da própria personalidade.  É uma característica diferenciadora dos animais.  A Libras como língua oficial é patrimônio da população brasileira, este status deve ser garantido não apenas por Decreto, mas acima de tudo, como motivação societária e sua utilização deve ser assumida em todos os currículos escolares e em todas as salas de aula como disciplina regular, tão mais do que as línguas estrangeiras, servindo de atributo social, político, econômico e cultural da população. 
A interação familiar possibilita a aquisição de valores culturais e morais imprescindíveis na formação da pessoa cidadã.  Acreditamos que quando todos que compõem a sociedade brasileira souberem se comunicar fluentemente em Libras e com os surdos, poderemos interagir idéias e costumes universais rompendo barreiras sociais, divergindo dos preconceitos e convergentes para a consciência de sociedade inclusiva.

Palavras-chave

SABER +

DEFICIÊNCIA AUDITIVA

14/03/2012 11:13
  O termo deficiente auditivo tem sido largamente utilizado por profissionais ligados à educação dos surdos. O uso da expressão deficiente auditivo, já foi muito criticado refletindo uma visão médico-organicista. Nela, o surdo é visto como portador de uma patologia localizada, uma...

SURDO, MERCADO DE TRABALHO, SOCIEDADE E SEUS PRECONCEITOS

As empresas ainda não abriram efetivamente as portas para os surdos, deixando-os em cargos de menor importância e não tem profissionais capacitados para lidar com esse colaborador mas, esse problema vem de uma tendência que as pessoas tem de não aceitar qualquer diferença, ainda há muito preconceito.
Para mudar esse cenário o papel das escolas é muito importante, da mesma forma que é para os ouvintes, se o surdo não tiver uma educação adequada, não serão capazes de se desenvolver e crescer profissionalmente.
O apoio e aceitação da familia são muito importantes para ajudar essa criança a, mesmo com dificuldades a superar as expectativas dela própria, da familia e da sociedade.
Temos que preparar o surdo desde cedo para enfrentar essas dificuldades, é imprescindível para que possa ter maior entendimento, a criança surda aprender primeiro libras para depois aprender a Lingua Portuguesa, mas infelizmente o nosso governo não pensa da mesma forma, está fechando todas as escolas de Libras porque acha que inclusão é obrigar a criança surda a ter a mesma educação que as ouvintes, não respeitando a diferença entre elas, se esquecem também que tem de haver uma preparação para receber esses alunos e hoje não há profissionais capacitados para receber esses alunos e com isso o surdo fica cada vez mais sem condições de enfrentar um mercado de trabalho tão competitivo.
Enquanto houver preconceito da sociedade e descaso das autoridades esses profissionais continuarão sendo contratados somente para cumprir cotas e não serão tratados como profissionais capazes que são,eles só precisam de uma oportunidade para estudar adequadamente e com isso conseguir uma boa colocação no mercado de trabalho e se tornar independente.
Está na hora dos governantes olharem com carinho para essas pessoas que merecem ser respeitadas e aceitas.

ESCUTANDO COM OS OLHOS

A chave para uma boa comunicação com uma pessoa surda é o claro e apropriado contato visual. É uma necessidade, quando os surdos se comunicam. De fato, quando duas pessoas conversam em língua de sinais é considerado rude desviar o olhar e interromper o contato visual. E como captar a atenção de um surdo? Em vez de usar o nome da pessoa é melhor dar um leve toque no ombro ou no braço dela, acenar se a pessoa estiver perto, ou se estiver distante, fazer um sinal com a mão para outra pessoa chamar a atenção dela. Dependendo da situação, pode-se dar umas batidinhas no chão ou fazer piscar a luz. Esses e outros métodos apropriados de captar a atenção dão reconhecimento à experiência dos Surdos e fazem parte da cultura surda. Para aprender bem uma língua de sinais, precisa-se pensar nessa língua. É por isso que simplesmente aprender sinais de um dicionário de língua de sinais não seria útil em ser realmente eficiente nessa língua. Muitos aprendem diretamente com os que usam a língua de sinais no seu dia-a-dia — os surdos. Em todo o mundo, os surdos expandem seus horizontes usando uma rica língua de sinais.

CULTURA SURDA

COMPREENDENDO O MUNDO DO SURDO

14/03/2012 11:02
  Compreendendo o mundo surdo Muitas crianças surdas que se tornam adultos surdos dizem que o que mais desejavam era poder comunicar-se com os pais. Por anos, muitos têm avaliado mal o conhecimento pessoal dos surdos. Alguns acham que os surdos não sabem praticamente nada, porque...

COMO REAGEM OS BEBÊS DE PAIS SURDOS

 

 

os bebês de pais surdos começam a ‘balbuciar’ com as mãos imitando a língua de sinais dos pais”, mesmo sendo ouvintes.- Jornal londrino The Times.

professora Laura Petitto, da Universidade McGill, em Montreal, Canadá, é da opinião de que os bebês nascem com sensibilidade a ritmos e padrões característicos a todos os idiomas, incluindo a língua de sinais. Ela disse que os bebês ouvintes que têm “pais surdos que sabem sinalizar, gesticulam de maneira diferente, seguindo um padrão rítmico específico, distinto de outros movimentos com as mãos. . . . É um balbucio, mas com as mãos”. Os bebês “Assim como os bebês de pais ouvintes começam a balbuciar com cerca de sete meses ... , expostos àlíngua de sinais produziram dois tipos de movimento com as mãos, ao passo que os que conviviam com pais ouvintes produziram apenas um tipo. Os pesquisadores usaram um sistema de rastreamento de posição para registrar os movimentos das mãos dos bebês na idade de 6, 10 e 12 meses.

LEI SOBRE O DIA NACIONAL DO SURDO

Lei nº 11.796, de 2008
Publicado em Segunda, 05 Setembro 2011 12:35 | | | Acessos: 466
Lei nº 11.796, de 29 de Outubro de 2008

Institui o Dia Nacional dos Surdos.

O Presidente da República Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Fica instituído o dia 26 de setembro de cada ano como o Dia Nacional dos Surdos.

Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 29 de outubro de 2008; 187º da Independência e 120º da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Novidades

NOVO DICIONÁRIO DEIT-LIBRAS ENCICLOPÉDICO TRILÍNGUE DE LIBRAS

13/03/2012 11:32
  De olho na inclusão dos quase 6 milhões de brasileiros surdos ou com deficiência auditiva, a Editora da USP (Edusp) lançou recentemente o Novo Deit-Libras: Dicionário Enciclopédico ilustrado trilíngue da Língua de Sinais Brasileira (Libras) baseado em linguística e neurociências...

LEI SOBRE O ATENDIMENTO Á PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

13/03/2012 09:29
    Lei nº 10.845, de 2004 Publicado em Segunda, 05 Setembro 2011 13:56 | | | Acessos: 187 LEI No 10.845, DE 5 DE MARÇO DE 2004 Institui o Programa de Complementação ao Atendimento Educacional Especializado às Pessoas Portadoras de Deficiência, e dá outras...

A LEI SOBRE OS INTÉRPRETES DE LIBRAS

13/03/2012 09:26
  Lei nº 12.319, de 2010 Publicado em Segunda, 05 Setembro 2011 13:18 | | | Acessos: 669 LEI Nº 12.319, DE 1º DE SETEMBRO DE 2010. Regulamenta a profissão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional...

ATENÇÃO

13/03/2012 02:00
Para você que tem interesse em aprender Libras - Língua Brasileira de Sinais, para você que ainda não tem este ministério em sua Igreja, contate-nos através do nosso E-mail, Facebook, teremos o maior prazer em atende-los. Ou Para você que pretende incluir esta língua em seu currículo.

Notícia aos visitantes

13/03/2012 02:00
  Na interdisciplina Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS vimos que a língua da comunidade surda brasileira (LIBRAS) possui a sua própria estrutura e gramática através do canal comunicação visual. Consiste de sinais que surgem da combinação de configurações de mão, movimentos e de pontos...

PROGRESSO NA CULTURA SURDA

Ao longo dos anos, as pesquisas interdisciplinares sobre surdez e sobre as línguas de sinais, realizadas no Brasil e em outros países, tem contribuído para a modificação gradual da visão dos surdos, compartilhada pela sociedade ouvinte em geral.

Esses estudos têm classificado os surdos em duas categorias:

  • Os portadores de surdez patológica, normalmente adquirida em idade adulta;
  • E aqueles cuja surdez é um traço fisiológico distintivo, não implicando, necessariamente, em deficiência neurológica ou mental; antes, caracterizando-os como integrantes de minorias lingüístico - culturais; este é o caso da maioria dos surdos congênitos.

O fato de integrarem um grupo lingüístico-cultural distinto da maioria lingüística do seu país de origem, equipara-os aimigrantes estrangeiros. Porém, o fato de não disporem do meio de recepção da língua oral, pela audição, coloca-os em desvantagem em relação aos imigrantes, com respeito ao aprendizado e desenvolvimento da fluência nessa língua. Essa situação justifica a necessidade da mediação dos intérpretes em um número infinito de contextos e situações do quotidiano dessas pessoas.

Devido ao bloqueio auditivo, seu domínio da língua oral nunca poderá se equiparar ao domínio da sua língua materna de sinais, ainda que faça uso da leitura labial, visto que, essa técnica o habilita, quando muito, a perceber apenas os aspectos articulatórios da fonologia da língua. Daí sua enorme necessidade da mediação do intérprete de língua de sinais.

No caso específico dos surdos brasileiros, cuja língua materna de sinais é a LIBRAS, os intérpretes que os assistem são chamados de “Intérpretes de LIBRAS”.

No Brasil, existem pelo menos duas situações em que a lei confere ao surdo o direito a intérprete de LIBRAS:

  • nos depoimentos e julgamentos de surdos (área penal);
  • e no processo de inclusão de educando os surdos nas classes de ensino regular (área educacional).

Devido as constantes modificações e progresso neste campo, nas concepções de ensino de língua de sinais, atualmente, tem-se dado ênfase ao mecanismo de aprendizado visual do surdo e a sua condição bilíngüe-bicultural. Contudo, o surdo ébilíngüe-bicultural no sentido de que convive diariamente com duas línguas e culturas: sua língua materna de sinais (cultura surda) e língua oral( cultura ouvinte), ou de LIBRAS, em se tratando dos surdos brasileiros.

 

TIPOS DE IDENTIDADE SURDA

 Antes de iniciar as explanações sobre as várias categorias de identidade surda, precisa-se entender o conceito de ouvintismo e sua diferença com o oralismo.

            Ouvintismo: ideologia dominante que trata-se de um conjunto de representações dos ouvintes, a partir do qual o surdo está obrigado a olhar-se e a narrar-se como se fosse ouvinte. Além disso, é nesse olhar-se, e nesse narrar-se que acontecem as percepções do ser deficiente, do não ser ouvinte; percepções que legitimam as práticas terapêuticas habituais. Forma atual de continuar o colonialismo sobre os surdos.

            Oralismo: filosofia dominante, foi e segue sendo hoje, em boa parte do mundo, uma ideologia dominante dentro da educação do surdo. A concepção do sujeito surdo ali presente refere exclusivamente uma dimensão clínica - a surdez como deficiência, os surdos como sujeitos patológicos - numa perspectiva terapêutica. A conjunção de idéias clínicas e terapêuticas levou em primeiro lugar a uma transformação histórica do espaço escolar e de suas discussões e enunciados em contextos médico-hospitalares para surdos.

            Surdo não é Deficiente, é apenas Diferente, com signos diferentes de ouvintes. Os surdos têm signos visuais enquanto os ouvintes têm signos auditivos. As pessoas surdas têm a sua comunicação visual, têm a sua própria língua, a língua de sinais permite que o surdo crie a sua linguagem interior, entender os conceitos da vida, e além disso também permite que o surdo tenha formação de linguagem e pensamento, ter orgulho de sua diferença, e além do mais é uma língua mais rica do que a falada.

Infelizmente a influência do poder ouvintista prejudica a construção da identidade surda, tornando evidente que as identidades surdas assumam formas multi-facetadas em vista das fragmentações a que estão sujeitas face à presença do poder ouvintista que lhe impõe regras, inclusive, encontrando no estereótipo surdo uma resposta para a negação da representação da identidade surda ao sujeito surdo.

            Levando em conta os fatores sociais, familiares, o poder ouvintista que determinam na construção da identidade do sujeito surdo, há categorias de identidades surdas, uma vez que existem diferenças entre os surdos:

  • Identidade Surda - são as pessoas que têm identidade surda plena, geralmente são filhos de pais surdos, têm consciência surda, são mais politizados, têm consciência da diferença, e têm a língua de sinais como a língua nativa. Usam recursos e comunicações visuais.
  • Identidade Surda Híbrida - são surdos que nasceram ouvintes e posteriormente se tornam surdos, conhecem a estrutura do português falado.
  • Identidade Surda de Transição - são surdos oralizados, mantidos numa comunicação auditiva, filhos de pais ouvintes, e tardiamente descobrem a comunidade surda, e nesta transição, os surdos passam pela desouvinização, isto é, passam do mundo auditivo para o mundo visual.
  • Identidade Surda Incompleta - são surdos dominados pela ideologia ouvintista, não conseguem quebrar o poder dos ouvintes que fazem de tudo para medicalizar o surdo, negam a identidade surda como uma diferença. São surdos estereotipados, acham os ouvintes como superiores a eles.
  • Identidade Surda Flutuante - são surdos que têm consciência ou não da própria surdez, vítima da ideologia ouvintista. São surdos conformados e acomodados a situações impostas pelo ouvintismo, não têm militância pela causa surda. São surdos que oscilam de uma comunidade a outra, não conseguem viver em harmonia, em nenhuma comunidade, por falta de comunicação com ouvintes e pela falta de língua de sinais com surdos.

 

 

    QUAL A FUNÇÃO DO INTÉRPRETE LIBRAS ? (Língua Brasileira de Sinais) 

 

Segundo o supracitado Decreto nº 5.626/05, a função do intérprete é viabilizar ao aluno surdo o acesso aos conteúdos curriculares, em todas as atividades didático-pedagógicas, e agir como apoio a acessibilidade aos serviços e às atividades da instituição de ensino. Além disso, a Lei nº 12.319/10 ainda ressalva que:

Art. 7º O intérprete deve exercer sua profissão com rigor técnico, zelando pelos valores éticos a ela inerentes, pelo respeito à pessoa humana e à cultura do surdo e, em especial:

I – pela honestidade e discrição, protegendo o direito de sigilo da informação recebida;

II – pela atuação livre de preconceito de origem, raça, credo religioso, idade, sexo ou orientação sexual ou gênero;

III – pela imparcialidade e fidelidade aos conteúdos que lhe couber traduzir;

IV – pelas postura e conduta adequadas aos ambientes que frequentar por causa do exercício profissional;

V – pela solidariedade e consciência de que o direito de expressão é um direito social, independentemente da condição social e econômica daqueles que dele necessitem;

VI – pelo conhecimento das especificidades da comunidade surda.

 

Almejando o melhor aproveitamento do aluno, é fundamental que professor e intérprete desenvolvam uma parceria de trabalho. O intérprete poderá se preparar melhor se os temas discutidos em sala forem anteriormente debatidos entre eles e, nessa interação, o intérprete também poderá contribuir com o professor aofazer comentários específicos relacionados à linguagem da criança, à interpretação em si e ao processo de interpretação quando estes forem pertinentes para o processo de ensino-aprendizagem (QUADROS, 2004, p. 62). Esse movimento dialético abre espaço para reflexão da práxis o que, por certo, a tornará mais consciente e eficaz.

 

POR QUE MUITOS ALUNOS SURDOS FRACASSAM NA ESCOLA?

 

® Cerca de 80 a 90% dos surdos do país não concluem/concluíram o 1º grau;

® Junto com o agravante da surdez, as teorias da carência cultural e as crítico-reprodutivistas são fatores a mais que comprometem ainda mais o desempenho escolar dos surdos;

® Há uma abordagem “omissa” da Educação acerca das diferenças culturais e características individuais generalizadas entre surdos oralizados e não oralizados, onde para cada um dos grandes grupos de surdos requer-se práticas pedagógicas diferenciadas;

® Qual o principal fator agravante que contribui para o fracasso escolar dos surdos? Os problemas lingüístico-cognitivos. Por quê? Um bebê que nasce surdo balbucia como um de audição normal, mas suas emissões começam a desaparecer à medida que não tem acesso à estimulação auditiva externa, fator de máxima importância para a aquisição da linguagem oral. Assim também, não adquire a fala como instrumento de comunicação, uma vez que não a percebendo, não se interessa por ela, e não tendo “feed back” auditivo, não possui modelo para dirigir suas emissões. Assim, na concepção geral do uso do método oralista (obviamente isso não é uma regra geral):

Surdez® falta de estímulos auditivos ® não domina uma língua oral ® não desenvolve a linguagem durante o período crítico do desenvolvimento humano ® sérios atrasos na linguagem e comunicação® não desenvolve o pensamento ® graves problemas lingüístico-cognitivos ® não atinge plenamente os estágios do desenvolvimento humano em cada faixa etária definida pela Teoria de Piaget ® dificuldades na leitura e na escrita ® isolamento social na comunidade ouvinte ®  mais as interações negativas de contexto sócio-histórico que se processam na escola e o estigma/estereótipo da surdez ® atraso escolar ® dificuldades de aprendizagem ® FRACASSO ESCOLAR!!! 

Soluções? ® soluções pedagógicas diferenciadas para cada grupo de surdos, estimulação e diagnóstico precoce da surdez. Reconhece-se, aqui, que se deve permitir ao surdo, se assim ele o reivindica, o direito de acesso à sua língua natural, que é a língua de sinais. A língua de sinais assume outro contexto de estruturação gramatical altamente complexa que permite ao surdo um “tipo” diferente de pensamento, baseado nas possibilidades inteiramente visuais (concepção espaço-temporal e esquema corporal). Embora haja sérias divergências quanto ao melhor método para a aquisição da linguagem ao surdo, a maioria dos educadores e surdos concordam no modelo do Bilingüismo como o melhor método de acesso à linguagem e educação do surdo.

 

A HISTÓRIA DE UM SURDO PARA OS OUVINTES

Uma vez um grupo de pessoas que organizaram uma competição, o objetivo era alcançar o topo de uma torre muito alta.
Uma multidão se ajuntou em volta da torre para ver a corrida e animar os competidores. Então a corrida começou!!!

Sinceramente: Ninguém naquela multidão toda realmente acreditava que aquelas pessoas pudessem chegar ao topo da torre.
Eles diziam coisas assim: “Oh como é difícil, eles nunca vão chegar ao topo da torre, ou então: “Eles não tem nenhuma chance de chegar até lá, a torre é muito alta!!!”

Bem, não demorou muito, e alguns dos competidores começaram a desanimar e desistir, um por um, só alguns poucos continuaram a subir mais e mais alto.
A multidão continuava a gritar: É muito alto, ninguém vai conseguir!!!

Mais alguns desistiram. Mas um continuou a subir, e a subir. Este não Desistia!
No final, todos os outros competidores tinham desistido de subir aquela torre, apenas aquele competidor que, depois de um grande esforço, foi o único a atingir o topo!

Bem, depois de um tempo todos os outros competidores queriam saber como ele tinha conseguido escalar aquela torre tão alta. Foi aí que um dos competidores perguntou ao campeão como ele conseguiu forças para atingir o topo.

Ele respondeu (EM LIBRAS) ‘’EU SOU SURDO””

“”NUNCA DE OUVIDOS Á PESSOAS COM TENDÊNCIAS NEGATIVAS OU PESSIMISTAS, PORQUE ELES TIRAM VOCÊ DE SEUS SONHOS E DESEJOS MAIS MARAVILHOSOS. AQUELES QUE O SENHOR COLOCOU NO SEU CORAÇÃO! SEMPRE SE LEMBRE DO PODER DAS PALAVRAS. PORQUE TUDO QUE VOCÊ FALAR, OUVIR E LER IRÁ AFETAR SUAS AÇÕES...””

A LÍNGUA DE SINAS NO MUNDO

Assim como entre os idiomas falados, é grande a variedade de línguas de sinais ao redor do mundo.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam. As línguas de sinais não são meramente intuitivas, nem partem exclusivamente de sinais de mímica. Crer que as línguas de sinais se limitassem à mímica seria como crer que a língua falada se limitasse à onomatopéia. Elas possuem códigos com o mesmo nível de abstração das línguas faladas e são aprendidas por aqueles que as utilizam, assim como um ouvinte aprende uma língua falada.

Muitos linguistas se dedicaram a estudar diferentes línguas gestuais, concluindo que estas apresentavam diferenças consideráveis entre si. Deve-se levar em conta que diferenças culturais são determinantes nos modos de representação do mundo. Assim, os surdos sentem as mesmas dificuldades que os ouvintes quando necessitam comunicar com outros que utilizam uma língua diferente. [1]

Cada país tem a sua própria língua gestual. Tomando como exemplo alguns países lusófonos, vemos que utilizam diferentes línguas de sinais: no Brasil existe a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), em Portugal existe a Língua Gestual Portuguesa (LGP), em Angola existe a Língua Angolana de Sinais (LAS), em Moçambique existe a Língua Moçambicana de Sinais (LMS).

Além disso, da mesma forma que acontece nas línguas faladas oralmente, existem variações linguísticas dentro da própria Língua de Sinais, que se podem considerar regionalismos e/ou dialetos. Essas variações se devem a culturas diferentes e influências diversas no sistema de ensino do país, por exemplo. Há até mesmo uma língua de sinais pretensamente universal, análoga ao Esperanto, conhecida como Gestuno, que é usada em convenções e competições internacionais.

A língua de sinais é ainda usada em situações em que pessoas sem quaisquer deficiências, ao nível da visão ou audição necessitam comunicar, sem poderem usar sons. Exemplos disso são a comunicação entre mergulhadores e certos rituais de iniciação entre aborígenes australianos, em que é proibido falar oralmente por um período de tempo.

Não se sabe quando as línguas de sinais se iniciaram, mas sua origem remonta possivelmente à mesma época ou a épocas anteriores àquelas em que foram sendo desenvolvidas as línguas orais. Uma pista interessante para esta possibilidade das línguas de sinais terem se desenvolvido primeiro que as línguas orais é o fato que o bebê humano desenvolve a coordenação motora dos membros antes de se tornar capaz de coordenar o aparelho fonoarticulatório. As línguas de sinais são criações espontâneas do ser humano e se aprimoram exatamente da mesma forma que as línguas orais. Nenhuma língua é superior ou inferior a outra, cada língua se desenvolve e expande na medida da necessidade de seus usuários.

Também é comum aos ouvintes pressupor que as línguas de sinais sejam versões sinalizadas das línguas orais; por exemplo, muitos acreditam que a LIBRAS é a versão sinalizada do português; que a Língua Americana de Sinais é a versão sinalizada do inglês; que a Língua Japonesa de Sinais é a versão sinalizada do japonês; e assim por diante. No entanto, embora haja semelhanças ou aspectos comum entre as línguas de sinais, devido a um certo contágio linguístico, as línguas de sinais são autónomas, não derivando das orais e possuindo peculiaridades que as distinguem umas das outras e das línguas orais.

A língua de sinais é tão natural e tão complexa quanto as línguas orais, dispondo de recursos expressivos suficientes para permitir aos seus usuários expressar-se sobre qualquer assunto, em qualquer situação, domínio do conhecimento e esfera de atividade. Mais importante, ainda: é uma língua adaptada à capacidade de expressão dos surdos. Por outro lado, a Lingua de Sinais, embora seja a lingua natural dos surdos, nao é a linguia materna de qualquer surdoLS é a abreviação de Língua de Sinais.