MOVIMENTO LIBRAS  

CNPJ 19.408.612/0001-46

CURSO DE LIBRAS 
LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS
PARA
EMPRESAS / ESCOLAS / IGREJAS / WORKSHOPS / SERVIÇO DE INTÉRPRETE DE LIBRAS / 
PALESTRAS  E CONGRESSOS
AULAS PARTICULARES
 

 "LIBRAS AO ALCANCE DE TODOS"

             DIRETORES: VAGNER E BETH LIBRAS           

CURSO DE LIBRAS NO SINDICATO DOS COMERCIARIOS DE SÃO PAULO  RUA FORMOSA, 99 - ANHANGABAÚ FAÇA JÁ SUA INSCRIÇÃO NÃO PERCA MAIS TEMPO, GARANTA JÁ SUA VAGA... FONE:  2121-5900/2111-1869 COM WANDERLEI

PROFESSORES: VAGNER E BETH LIBRAS

 

 

 

 

Webnode

Contate-nos

O DIREITO DO TRABALHO EM "LIBRAS"

Há muito tempo os surdos se manifestam reivindicando acesso à informação, mobilizando-se para driblar a segregação e o preconceito. Esta realidade vem se transformando aos poucos e a cada conquista uma vitória é comemorada com muita alegria, porque é a teoria se configurando prática e alcançando as necessidades mais primárias para uma inclusão social cada vez mais efetiva.  O Ministério Público do Trabalho (MPT), oferece uma biblioteca virtual acessível a todos os brasileiros. Além de apresentar seu conteúdo em português e em Libras (Língua Brasileira de Sinais), o site PCDLEGAL possibilita o acesso aos deficientes visuais que fazem uso de leitores de código HTML. O projeto é uma iniciativa do MPT, por meio da Coordenadoria Nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidade e Eliminação da Discriminação do Trabalho (Coordigualdade). O objetivo é aproximar o MPT da sociedade e oferecer conhecimento acessível a todos, em especial às pessoas com deficiências, sobre temas relevantes para o desenvolvimento da cidadania, como os direitos dos trabalhadores.  A primeira publicação disponibilizada nesse formato é a cartilha “Ministério Público do Trabalho e os Direitos dos Trabalhadores”, desenvolvida pelo MPT no Espírito Santo. Estruturada em 170 itens divididos em 38 tópicos, a cartilha apresenta, em linguagem simples e direta, os principais direitos trabalhistas.

 

SINAIS ICÔNICOS  A modalidade gestual-visual-espacial pela qual a LIBRAS é produzida e percebida pelos surdos leva, muitas vezes, as pessoas a pensarem que todos os sinais são o “desenho” no ar do referente que representam. É claro que, por decorrência de sua natureza linguística, a realização de um sinal pode ser motivada pelas características do dado da realidade a que se refere, mas isso não é uma regra. A grande maioria dos sinais da LIBRAS são arbitrários, não mantendo relação de semelhança alguma com seu referente.   Uma foto é icônica porque reproduz a imagem do referente, isto é, a pessoa ou coisa fotografada. Assim também são alguns sinais da LIBRAS, gestos que fazem alusão à imagem do seu significado. Isso não significa que os sinais icônicos são iguais em todas as línguas. Cada sociedade capta facetas diferentes do mesmo referente, representadas através de seus próprios sinais, convencionalmente, (FERREIRA BRITO, 1993).

SINAIS ARBITRÁRIOS  São aqueles que não mantêm nenhuma semelhança com o dado da realidade que representam.  Uma das propriedades básicas de uma língua é a arbitrariedade existente entre significante e referente. Durante muito tempo afirmou-se que as línguas de sinais não eram línguas por serem icônicas, não representando, portanto, conceitos abstratos. Isto não é verdade, pois em língua de sinais tais conceitos também podem ser representados, em toda sua complexidade.

OUVINTE E SURDOS

Os ouvintes são acometidos pela crença de que ser ouvinte é melhor que ser surdo, pois, na ótica ouvinte, ser surdo é o resultado da perda de uma habilidade 'disponível' para a maioria dos seres humanos. No entanto, essa parece ser uma questão de mero ponto de vista.
Segundo Montesquieu (apud Maupassant, 1997: 56-57), um órgão a mais ou a menos em nossa máquina teria feito de nós uma outra inteligência. Maupassant, em seu conto 'Carta de um louco', reflete sobre a tese acima, defendendo que 'todas as idéias de proporção são falsas, já que não há limite possível, nem para a grandeza nem para a pequenez (...) a humanidade poderia existir sem a audição, sem o paladar e sem o olfato, quer dizer, sem nenhuma noção do ruído, do sabor e do odor. Se tivéssemos, portanto, alguns órgãos a menos, ignoraríamos coisas admiráveis e singulares; mas se tivéssemos alguns órgãos a mais, descobriríamos em torno de nós uma infinitude de outras coisas de que nunca suspeitaremos por falta de meios de constatá-las'.
Se não há limite entre a grandeza e a pequenez, e nenhum ser humano é exatamente igual a outro, podemos concluir que ser surdo não é melhor nem pior que ser ouvinte, mas diferente. É por não se tratar necessariamente de uma perda, mas de uma diferença, que muitos surdos, especialmente os congênitos, não têm a sensação de perda auditiva. Os surdos sem o sentimento de perda auditiva são levados a descobrir a surdez.
Quebrar o paradigma da deficiência é enxergar as restrições de ambos: surdos e ouvintes. Por exemplo, enquanto um surdo não conversa no escuro, o ouvinte não conversa debaixo d'água; em local barulhento, o ouvinte não consegue se comunicar, a menos que grite e, nesse caso, o surdo se comunica sem problemas. Além disso, o ouvinte não consegue comer e falar ao mesmo tempo, educadamente, e sem engasgar, enquanto o surdo não sofre essa restrição. Se consideramos que os surdos não são 'ouvintes com defeito', mas pessoas diferentes, estaremos aptos a entender que a diferença física entre pessoas surdas e pessoas ouvintes gera uma visão não-limitada, não-determinística de uma pessoa ou de outra, mas uma visão diferente de mundo, um 'jeito Ouvinte de ser' e um 'jeito Surdo de ser', que nos permite falar numa cultura de visão e noutra da audição.

 

# A QUESTÃO MULTICULTURAL SURDA #

Todavia, pelo fato de surdos e ouvintes encontrarem-se imersos, normalmente, no mesmo espaço físico e partilharem de uma cultura ditada pela maioria ouvinte, no caso do Brasil, a cultura brasileira, surdos e ouvintes compartilham uma série de hábitos e costumes, ou seja, aspectos próprios da Cultura Surda, mesclados a aspectos próprios da Cultura ouvinte, fato que torna os surdos indivíduos multiculturais. Por esse motivo, Skliar (2001:28) é possível aceitar o conceito de Cultura Surda por meio de uma leitura multicultural, em sua própria historicidade, em seus próprios processos e produções, pois a Cultura Surda não é uma imagem velada de uma hipotética Cultura Ouvinte, não é seu revés, nem uma cultura patológica.'
Em suma, caracterizar a Cultura Surda como multicultural é o primeiro passo para admitir que a Comunidade Surda partilha com a comunidade ouvinte do espaço físico e geográfico, da alimentação e do vestuário, entre outros hábitos e costumes, mas que sustenta em seu cerne aspectos peculiares, além de tecnologias particulares (vide mais abaixo), desconhecidas ou ausentes do mundo ouvinte cotidiano.
Sobretudo, os surdos possuem história de vida e pensamentos diferenciados, possuem, na essência, uma língua cuja substância 'gestual', que gera uma modalidade visual-espacial, implica uma visão de mundo, não-determinística como dito anteriormente, mas, em muitos aspectos, diferente da que partilha a Comunidade Ouvinte, com sua língua de modalidade oral, cuja substância é o 'som'. Em concordância com essa visão, Felipe (2001:38) afirma que os surdos possuem 'uma forma peculiar de apreender o mundo que gera valores, comportamento comum compartilhado e tradições sócio-interativas. A essemodus vivendis dá-se o nome de 'Cultura Surda'.

A educação de surdos consiste num grande desafio, algo que inquieta professores e outros profissionais ligados à educação dessas pessoas. O grau de dificuldade existente no processo educacional do surdo está intimamente ligado ao fato de que durante séculos, o método de ensino utilizado nesse processo educacional, ter sido determinado por ouvintes e não por aqueles que, na prática sabem como aprendem melhor, como é mais fácil se comunicar e se fazer entender. Assim justificamos este estudo sobre a temática em questão, construído a partir de levantamento de dados e análise de documentos, que tem o objetivo de fornecer informações históricas sobre o processo educacional vivido pelos surdos desde a Idade Média, bem como conhecer métodos de ensino desenvolvidos para alfabetizar pessoas surdas como o Oralismo, a Comunicação Total e o Bilingüismo, uma nova linha de trabalho, uma nova proposta de ensino, analisando suas contribuições e influências. Palavras-chave: História; educação; Bilingüismo.   A linguagem prova clara da inteligência dos homens, permite ao mesmo, estruturar seu pensamento, traduzir o que sente registrar o que conhece e comunicar-se com outros homens. Ela marca o ingresso do homem na cultura, como um sujeito capaz de produzir transformações nunca antes imaginadas. A linguagem humana constitui uma característica marcante e isolada da espécie. A capacidade mental de alguns primatas antepassados dos homens, deve ter sido bem mais desenvolvida do que qualquer vivente daquela época, pois, por mais imperfeita que possa ter sido a forma de linguagem por ele difundida, seu uso contínuo e desenvolvimento agindo sobre suas mentes, proporcionaram as condições favoráveis à formulação ou formação do pensamento e, por conseqüência, o surgimento da Língua. Possuir uma Língua constitui um atributo que nos diferencia dos outros animais.  Todo ser humano, no convívio de uma comunidade lingüística, fala uma língua, a sua língua materna. Ninguém ensina uma criança a andar ou a falar. Aprender a falar é diferente de aprender a escrever. As crianças, na maioria das vezes, até os cinco anos de idade, aprendem a falar como aprendem a andar, naturalmente.

 

A comunicação é o ato ou efeito e emitir, transmitir e receber mensagens por meio de métodos e/ou processos convencionados, quer através da linguagem escrita e falada, quer de outros sinais, signos ou símbolos, quer de aparelhamento técnico especializado, sonoro e/ou virtual.  E os conjuntos linguísticos diferentes, com elementos determinadores internacionais diferenciados, padrões estes culturalmente fixados, supõe a possibilidade de que todos estejam, em suas ações transculturais recíprocas, orientando-se por regras e adequações. Que esforços estão sendo feitos para a compreensão da cultura internacional do surdo?  Existem surdos que conseguem aprender a falar e outros que aprender a Língua de Sinais. Estes desenvolvem a habilidade espacial no cérebro de forma mais significativa do que o outro. A possibilidade de ter um desenvolvimento mai s natural no espaço pode favorecer o processo educacional da criança surda. É uma forma de aproveitar o potencial dos surdos, pois eles estabelecem  de uma forma visual espacial, relações diretas com a imagem que o pensamento lhes permite.  “” possuir linguagem é de fundamental importância para qualquer ser humano no que se refere ao seu desenvolvimento cognitivo. Se a LIBRAS é a língua natural dos surdos (assim como o português é a língua natural dos ouvintes Brasileiros), é através dela que um surdo se desenvolve e se comunica. Precisamos, portanto, respeita-lo e, por que não?, aprende-la.

 

A comunicação precoce com os surdos é importantíssima para o desenvolvimento cognitivo e psicossocial. E o primeiro passo é saber os gestos dos SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO, enfatizando a leitura oral/facial, principalmente partindo do concreto, mostrando o objeto que o surdo visualiza a imagem e faz o sinal classificador. O segundo passo é conhecer o ALFABETO MANUAL para a comunicação com o filho, ensinando o nome, sobrenome, os nomes dos membros da família, nome da rua onde mora, bairro etc...

É importante ressaltar que o surdo, mais do que qualquer outra pessoa, precisa a prender a ler, escrever, cantar e entender. Precisa estudar – estudar muito.  O surdo que viveu no “isolamento” da comunicação, hoje enfrenta muitos problemas e não consegue fazer parte ativa da sociedade onde vive. Ou seja, só consegue viver “feliz” na comunidade surda. Já os surdos cujos pais deram apoio, atenção e estímulo, hoje são bem sucedidos e se comunicam em qualquer lugar, seja  na agência bancária, nas compras, em viagens, em reuniões sociais, eventos etc.  Por isso apoie seu filho, dando a ele total reconhecimento e apoio, leve-o para ter um relacionamento com outras pessoas, ouvinte e surdos.  Com isso você terá um filho participante da Sociedade, feliz e dinâmico

O SURDO NA VIDA PROFISSIONAL

O trabalho na vida de um surdo é um fator essencial, pois é a partir desta experiência que o surdo adquire independência e autonomia, indispensáveis para o ser humano. Existem projetos com parcerias de empresas e indústrias que promulgam a inserção do surdo na comunidade profissional.
 A Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, da Constituição de 1988, regula às Pessoas com Necessidades Especiais (PNE’s) o direito de acesso ao mercado de trabalho (público e privado), conforme trecho abaixo:
“A Constituição Federal veta a discriminação no tocante a salários e critérios de admissão para os trabalhadores com qualquer tipo de deficiência (art. 7, XXXI) e instituiu a reserva de 20% de cargos e empregos públicos para PNE’s (art. 37, VIII). Já a Lei 8.213/91 (art. 93), a chamada Lei de Cotas, estabeleceu que todas as empresas privadas com mais de 100 funcionários devem preencher entre 2% e 5% de suas vagas com trabalhadores que tenham algum tipo de necessidade especial. Esse percentual varia em função do número de funcionários da instituição: empresas com até 200 funcionários devem ter 2% de suas vagas preenchidas por PNE’s; entre 201 e 500 funcionários, 3%; entre 501 e 1000 funcionários, 4%; empresas com mais de 1001 funcionários, 5% das vagas.” (ARAÚJO e SCHMIDT, 2006).
Com o apoio desta Lei, as pessoas surdas estão cada vez mais conquistando seu espaço na sociedade, adquirindo experiência, profissionalizando e alcançando seus objetivos. 


 

O MEC está promovendo uma grande mudança na educação dos surdos no Brasil, cujo objetivo mais relevante é a inclusão da população surda nas escolas de ouvintes. Para alcançar essa meta o MEC iniciou a capacitação de professores ouvintes no uso da LIBRAS e reconheceu as figuras do professor e do instrutor surdos.  Muitos especialistas alimentam os discursos de inclusão, sem perceberem as consequências deste processo que só tem contribuído mais e mais para a frustração educacional dos alunos surdos. Estes especialistas não têm nenhuma experiência na prática em sala de aula com surdos e acabam por considerá-los no mesmo patamar de deficientes visuais, mentais e outros, sem se dar conta de que as pessoas surdas possuem uma identidade linguística e cultural que as diferencia dos demais portadores de necessidades educativas especiais.

 

Não raro é possível vivenciar situações em que os que ouvem chamam aos que não ouvem de "surdo-mudo", "mudo", "mudinho", na crença de que todo surdo é mudo. A verdade, porém, é que bem poucos surdos são mudos, e há muitas pessoas mudas que não são surdas. O mudo é a pessoa privada de algum órgão do aparelho fonador que o impeça de produzir sons, por exemplo, ter nascido sem cordas vocais. Como não pode produzir espécie alguma de som, consequentemente, ele não utiliza a fala. A fala, enquanto atividade que envolve a produção de sons, também não é empregada por boa parte dos surdos, o motivo é simples: eles podem produzir som - entendido, nesse caso, como barulhos, ruídos -, mas como não podem captá-lo, ficam, na maioria das vezes, impossibilitados de produzir ou reproduzir sons da fala. Na condição de atividade linguística oral, a fala é aprendida por meio da audição. Assim, a surdez dificulta ou impede a aprendizagem dos sons ditos linguísticos. Para compreender a diferença, basta pensar numa cena em que um surdo dá uma topada numa pedra. Ele vai, possivelmente, urrar de dor, fará barulho, sua expressão de dor será tão ruidosa quanto à de um ouvinte. A diferença reside no fato, malvisto pelos politicamente corretos, de que o ouvinte empregará uma (ou umas) expressãozinha de baixo calão para extravasar sua dor/raiva. O exemplo acima é apenas um possível. Surdos também podem produzir muito barulho - sons vocais - para chamar a atenção de um ouvinte, pelo motivo que for. Embora o usual seja encontrar surdos que não se utilizam da língua oral, há os que após anos de tratamento com fonoaudiólogos e professores de português conseguem se comunicar muito bem por meio da fala. Seus diálogos, nesse caso, são sempre travados frente a frente com o receptor, de forma que o surdo possa efetuar a leitura labial. Enganam-se os que pensam que a leitura labial é uma constante entre os surdos. Tal habilidade requer gastos dispendiosos, paciência e muitos anos de treino para ser adquirida e, o pior, nem sempre pode ser empregada - muitos fatores acabam por prejudicar a leitura labial, como o uso de barba e/ou bigode, a distância entre as pessoas envolvidas no ato comunicacional, a forma particular como algumas pessoas articulam certas palavras da língua etc. Pelos motivos apontados acima, o meio natural de comunicação entre surdos e entre surdos e ouvintes é o uso da língua brasileira de sinais - Libras -, já reconhecida por lei como a língua oficial de comunicação dos surdos brasileiros. Trata-se de um sistema linguístico visual, em que as palavras são articuladas em sinais, ou melhor, os sinais são palavras. Estes, por sua vez, organizam-se em frases e estas, em texto/discurso. Ao “sistema de comunicação” empregado pelos que não ouvem, chamamos língua, e não linguagem. O português e a Libras são “sistemas de comunicação” distintos, são línguas diferentes, cada uma com suas próprias regras gramaticais. E, não, línguas de sinais não são universais. No Brasil, aliás, não existe apenas a Libras, há também a língua de sinais empregada pelos índios caapores-urubus, consideravelmente distinta daquela. Infelizmente a Libras ainda é uma desconhecida para a população ouvinte e mesmo para uma parcela significativa de surdos, circunstância ocasionada, em relação a esses últimos, por alguns fatores históricos, sociais e "acidentais" - desculpe, leitor, a falta de um termo melhor. Fatores aos quais pretendo me ater em um próximo texto sobre os surdos, que, lembre-se bem, raramente são mudos. 

FONTE: Prof. Cristiane S. Rodriguesferida

 O desenvolvimento da expressão corporal é de máxima importância para o surdo em qualquer idade, mas principalmente quando este é criança. É a partir da estimulação e desenvolvimento recebido na infância, que a criança surda terá maiores possibilidades de comunicação, interação e convivência social, assim como de sua realização pessoal.    Tem-se a Educação Física, portanto, como uma aliada no desenvolvimento dos níveis motores, perceptivo, cognitivo e sócio-cultural para todas as pessoas e em especial para os surdos, porque suas aulas possuem características diferenciadas, são desenvolvidas no “pátio” ou no ginásio, permite maior liberdade, os alunos tornam-se mais espontâneos, mais criativos e produzem mais e com maior facilidade, mantendo uma constante troca de relações sociais. Nesta troca de relações, libera-se a criatividade, as emoções e produzem-se formas diferenciadas de movimentos e expressões tornando o aluno surdo mais ativo, produtivo e integrado.    Destaca-se a criatividade e a espontaneidade dentre as características da Educação Física já citadas, já que a criatividade proporciona novas descobertas, novas percepções, revela novas formas e movimentos, onde estão interligados, principalmente os aspectos emocional, cognitivo e o corporal, e juntamente com ela percebe-se a manifestação da espontaneidade, através da demonstração das expressões corporais, a criação de novos gestos, formando uma linguagem corporal única e individual, que exprime um sentimento positivo e importante para a sua formação e desenvolvimento.

    E é dessa forma, que a Educação Física torna-se importante e necessária, e a capacitação de seus profissionais para atuarem nesta área torna-se imprescindível, visto que a atuação é também competência deste profissional, além de constituir uma área de trabalho e de uma linha de pesquisa emergente. Dessa forma, não nos resta dúvidas com relação à importância e a influência que a atividade física, ou a prática esportiva ou recreativa, ou o exercício físico, representam para a formação de todo e qualquer ser humano, e aqui em especial para a criança surda, pois além de possibilitar que ela se movimente descobrindo-se, permite também que ela descubra o mundo a sua volta desenvolvendo-se física, mental, emocional, lingüística e socialmente. É neste sentido que está a relação e a grande influência da Educação Física para o surdo e a contribuição que esta pode proporcionar para o melhor desenvolvimento de sua capacidade de comunicação e de sua melhor integração social.    Por desconhecimento, receio ou mesmo preconceito, a maioria das pessoas com deficiência foram e são excluídas das aulas de Educação Física (EF). A participação nessa aula pode trazer muitos benefícios a essas crianças, particularmente no que diz respeito ao desenvolvimento das capacidades afetivas, de integração e inserção social.

 

Todos os dias, acordamos, lavamos o rosto, tomamos nosso café da manhã e saímos para trabalhar. Ao lavarmos o rosto, o barulho da água saindo pela torneira nos anima para começar o dia. Na cozinha, a torradeira apita e nos avisa que a torrada está pronta. No caminho para o trabalho, o som dos automóveis nos orienta para atravessarmos a rua.  Mas... e se você não pudesse ouvir? Não se animaria para trabalhar, queimaria a torrada e não conseguiria atravessar a rua?  Você sabe de quem estamos falando? Sim, estamos nos referindo às pessoas surdas. Pessoas que não fazem de sua condição um limite para alcançar seus objetivos e sim uma ponte para descobrir novas fronteiras, novas formas de ver e viver o mundo.  O mundo do surdo é especial e diferente. É um mundo cercado de luz, cores, movimento, expressões de tristeza e alegria e tudo o que se pode captar com os olhos.  Algumas características atribuídas às pessoas surdas como agressividade, falta de educação, egocentrismo, isolamento, timidez, na maioria dos casos, trata-se de um único problema: falta de comunicação. Alguém que não entende e que não é capaz de se fazer entender pode desenvolver atitudes radicais, que, muitas vezes, são incompreendidas pela sociedade e pela própria família. Perdendo o referencial familiar e da sociedade, de uma forma geral, o surdo perde a noção de seu espaço e de sua função no mundo, sentindo-se inútil e um fardo a ser carregado.

 

 

A ABORDAGEM BILÍNGUE NA ESCOLARIZAÇÃO DE PESSOAS COM SURDEZ

A abordagem educacional por meio do bilingüismo visa capacitar a pessoa com surdez pra a utilização de duas línguas no cotidiano escolar e na vida social, quais sejam: a língua de sinais e a língua da comunidade ouvinte.  Os dois  enfoques, oralista e comunicação total de flagraram um processo que não favoreceu o pleno desenvolvimento das pessoas com surdez, por focalizar o domínio das modalidades orais, negando a língua natural desses alunos e provocando perdas consideráveis nos aspectos cognitivos, sócio-afetivos, lingüísticos, políticos, culturais e na aprendizagem.  As pessoas com surdez não podem ser reduzidas ao chamado mundo surdo, com uma identidade e uma cultura surda.  Na abordagem bilíngüe, a Libras e a Língua Portuguesa, em suas variantes de uso padrão, quando ensinados no âmbito escolar, são deslocadas de seus lugares especificamente lingüística e devem ser tomadas em seus componentes histórico-cultural, textual e pragmático, além de seus aspectos formais, envolvendo a fonologia, morfologia, sintaxe, léxico e semântica. Para isso ocorra, não se discute o bilingüismo com olhar fronteiriço ou territorializado, pois a pessoa com surdez não é estrangeira em próprio país, embora possa ser usuária de Libras, um sistema lingüístico com característica e status próprios.

 

 A falta de uma preparação melhor a respeito das diferenças torna nossa sociedade insalubre e despreparada para lidar com situações que ainda são tabus em pleno século XXI, o preconceito contra a pessoa com deficiência. O desconhecimento pode nos levar a erros bastante comuns. Por exemplo: o conceito de que todo surdo é mudo não é verdade. Existem surdos oralizados, quer dizer, apesar de uma deficiência auditiva, conseguem verbalizar palavras, mesmo que com alguma dificuldade. Existem também aqueles que ouvem pouco, mas que também estão enquadrados na turma dos deficientes auditivos. Por isso, quando se deparar com algum surdo que entenda o que você fala, não o marginalize.   Além disso, alguns são exímios na leitura labial. Pessoas que possuem um familiar com surdez lidam melhor com a situação, pois convivem com tais pessoas e têm noção de sua vivência, bem como capacitação e limites. Ter contato com os surdos e mudos, muda toda nossa realidade para melhor. Primeiro porque paramos de sentir pena, segundo porque nos faz ver que o preconceito existe e a luta para anulá-lo ainda é grande. Daí, passamos a engrossar este cordão. Ainda não foi comprovado cientificamente, mas é visivelmente notável que as pessoas com algum tipo de deficiência possuem uma característica peculiar, a de aprender com os outros “sentidos” melhor do que os que não têm nenhum tipo de deficiência, e a partir de então desempenhar funções ou atividades melhores do que tais pessoas sem deficiência. Como exemplo, podemos citar Beethoven, que após ficar surdo produziu suas melhores obras e o marcaram mundialmente como um dos melhores compositores de todos os tempos.   Pena que muitas pessoas deixam passar despercebidos tais acontecimentos e continuam a subestimar a capacidade e inteligência de pessoas com surdez. São pessoas como todas as outras, com as mesmas capacidades de aprender e de contribuir com o nosso mundo. Somente com uma sociedade melhor preparada, ou seja, melhor capacitada para entender a realidade, estaremos aptos a vencer os preconceitos e tornar nossa sociedade mais humana

Reis (1997) observou em seus estudos com pais que o que mais os angustia com relação ao filho surdo não é a surdez, mas as dificuldades comunicativas acarretadas por esta. Infelizmente, os pais ainda sofrem por causa desse obstáculo existente na sua relação com o filho surdo, conseqüência do direcionamento oral, clínico e educacional inserido na vida da criança surda. Se os pais recebessem orientações adequadas quanto à importância da LIBRAS para o desenvolvimento da criança, sobre as possibilidades que essa língua oferece para a criança se comunicar com eles de forma clara, contar-lhes sobre suas brincadeiras, aprender seus ensinamentos e adquirir conhecimento, com certeza seriam poupados dessa criança e de seus pais transtornos e prejuízos, e principalmente os problemas emocionais a que estes são submetidos.  É imprescindível para essa criança e para sua família que o contato com a língua de sinais seja estabelecido o mais rápido possível. Quando a família aceita a surdez e a LIBRAS como uma modalidade comunicativa importante e passa a utilizá-la com a criança, esta irá apresentar condição para realizar novas aquisições, impulsionando seu desenvolvimento lingüístico. A família, então, exerce papel determinante para o estabelecimento da língua de sinais, como língua funcionante no discurso da criança surda nos primeiros anos de vida. Quando a criança não recebe o suporte familiar, apresentará, muitas vezes, resultados insatisfatórios quanto ao desenvolvimento de linguagem e comunicação, o que irá afetá-la emocionalmente. A família é o alicerce para a criança e quando esta base não está firme advirão conseqüências para o desenvolvimento, gerando comportamentos agressivos e frustrações.  Segundo Kyle (1999), a língua de sinais é natural para o surdo, pois é adquirida de forma rápida e espontânea, por isso a criança surda precisa ter acesso à língua de sinais o mais cedo possível, antes mesmo do seu ingresso na escola. Daí a necessidade de a criança surda, filha de pais ouvintes, bem como de sua família terem contato com adultos surdos, usuários de língua de sinais. Cárnio et al. (2000) ressaltam que não se pode negar que a crianças surdas filhas de pais ouvintes serão expostas constantemente à língua oral. Dessa forma algumas dessas crianças poderão adquirir simultaneamente a língua de sinais e a língua de seus pais. O bilingüismo possibilita ao surdo adquirir/aprender a língua que faz parte da comunidade surda. O trabalho bilíngüe educacional respeita as particularidades da criança surda, estabelecendo suas capacidades como meio para essa criança realizar seu aprendizado. Esta proposta também oferece o acesso à língua oral e aos conhecimentos sistematizados, priorizando que a educação deve ser construída a partir de uma primeira língua, a de sinais, para em seguida ocorrer a aquisição da segunda língua, o português (oral e/ou escrito).

O Projeto de Educação Bilíngüe para os Surdos busca a aceitação da surdez sem almejar transformações culturais e de identificação do sujeito surdo. Segundo essa proposta, o indivíduo ao adquirir uma língua natural é capaz de se desenvolver plenamente, vivenciando, aprendendo e se comunicando, além de se identificar com sua cultura. Assim, a concepção bilíngüe lingüística e cultural luta para que o sujeito surdo tenha o direito de adquirir/aprender a LIBRAS e que esta o auxilie, não só na aquisição da segunda língua (majoritária), mas que permita sua real integração na sociedade, pois ao adquirir uma língua estruturada o surdo pode criar concepções e oportunidades, participando ativamente do convívio em seu meio.  Dentro dessa proposta, Lacerda & Mantelatto (2000) afirmam que o bilingüismo visa à exposição da criança surda à língua de sinais o mais precocemente possível, pois esta aquisição propiciará ao surdo um desenvolvimento rico e pleno de linguagem e, conseqüentemente, um desenvolvimento integral. Um dos grandes benefícios do bilingüismo para o surdo é a oportunidade de utilizar concomitantemente os recursos das duas línguas adquiridas, mas é importante entendermos a ressalva de Góes (1999), ao referir-se à limitação da surdez para o aprendizado da língua oral.

Decorrente desse fato podem surgir dificuldades quanto ao seu uso, o que porém não impossibilita a aquisição em alto nível da modalidade escrita. Mas para que o indivíduo surdo seja aceito como bilíngüe é preciso que ocorra primeiro a aceitação da LIBRAS pela sociedade, na qual esta não é tida como língua, e sim como "gestos" e "mímicas", desconhecendo-se sua estrutura lingüística, bem como seus constituintes fonológicos, morfológicos e sintáticos.  Compartilhamos da idéia de Reis (1997) de que a linguagem será construída nas interações estabelecidas pela criança, pois a aquisição do sistema lingüístico surge da reorganização de seus processos mentais. A autora também afirma que a linguagem apresenta grande importância na formação da consciência, promovendo a ampliação da percepção de mundo, assegurando o processo de abstração e generalização, sendo, então, o elo de transmissão de informação e cultura entre a criança e o mundo.  Telles (1998, p. 7) afirma que "a formação do pensamento representacional é assegurada pelo desenvolvimento processual harmônico da função simbólica, sendo a linguagem uma das mais satisfatórias". Com isso a autora refere que por intermédio das significações e concepções construídas por meio de um desenvolvimento pleno do sujeito, este é capaz de fazer parte integrante das relações que constroem e fortalecem sua cultura e comunidade.

 

 

A LIBRAS permite ao surdo uma forma de comunicação diferente que deve ser respeitada, pois trata-se de uma língua legalmente reconhecida, apesar de apenas uma minoria utilizá-la. Além disso, são os ouvintes que fazem dela um problema,  uma vez que não conseguem entendê-la. Várias pesquisas já demonstraram que a língua de sinais cumpre com os aspectos linguísticos, uma vez que possui todo o processo próprio da língua, que leva a comunicação.  Foi enfatizado também que a primeira língua a ser adquirida pelo surdo é a LIBRAS, e que sua difusão é muito importante para que as pessoas tenham conhecimento da influência  que ela exerce na comunicação dos surdos.

Percebe-se que há pouco uso da LIBRAS pelos ouvintes que trabalham diretamente com os surdos em sala de aula. Os professores alegam não ser esta a disciplina deles, e não se esforçam para estabelecer contato com o surdo.  No que diz respeito ao preconceito, ele existe, visto que o surdo, na maioria das vezes, não consegue estabelecer contato com o ouvinte. Por outro lado, a discriminação é algo sutil no caso dos surdos, pensa-se que o domínio da língua de sinais é suficiente para incluí-los na sociedade. Assim, a inclusão passa por uma transformação muito mais profunda no pensar, ver e agir de cada um. A discriminação vem do ato de encarar o outro como alguém menor ou menos capaz do que o eu. Isto, no entanto, é algo cultural, que nenhuma lei no mundo sozinha pode mudar.  Portanto, a linguagem de sinais deve passar a ser reconhecida na prática social como uma verdadeira língua, com organização e estrutura próprias, passando do status de mímica para o de língua.

O conceito de inclusão vem se apresentando como exemplo de (re-)conhecimento social, beleza e desejável numa ampla reforma educacional.  Na prática, porém, funciona como exclusão.  Exclusão da relação inter e intrapessoal e da comunicação, exclusão da real participação, convivência e interação, tanto no ambiente escolar, como muito mais ainda no ambiente familiar que não desperta do luto da deficiência, permanece no argumento da perfeição e de que o filho de forma compensatória é capaz de realizar, sem perceber-se como modelo híbrido na formação da personalidade autônoma. 
Existe toda uma discussão filosófica, educacional e psicológica na constituição da personalidade e da educação das pessoas para conviver em sociedade.  A criticidade e a revolução educacional são caminhos que estruturam e se baseiam na fundamentação ideológica do que é ensinar-aprender e muito mais ainda no papel da escola como emancipadora e estimuladora da autonomia apoiados invariavelmente pelo espaço familiar.
Repensar o papel do binômio família-escola na educação de surdos é, acima de tudo, fundamentar e conceituar a acessibilidade e a inclusão social que carecem de conhecimento integrado entre os saberes populares e científicos

É essencial para as crianças surdas utilizarem a Língua de Sinais de sua comunidade com seus pais, com os profissionais da área educacional e com as pessoas de convívio mais próximo para que garanta o desenvolvimento psíquico, social, político e psicológico.  É de fundamental importância a interação entre as crianças na sociedade, sem formação de guetos nem de comunidades isoladas, onde todos convivem e interagem física e linguisticamente.
A convivência interpessoal e dialética deve ser percebida com naturalidade e refletida sobre os papéis sociais cuja vida, dignamente vivida, funciona como referencial histórico e cultural e não como modelo para ninguém.  É preciso atribuir perspectivas e possibilidades humanas entendendo o surdo como um ser eficiente, que se comunica por outro canal e, conseqüentemente, tem outra língua.

 

O movimento multicultural abrangeu minorias dos mais variados tipos, que reclamavam o direito de uma cultura própria. Essas minorias englobavam minorias étnicas e estenderam-se às minorias com necessidades especiais, que se negavam a ser consideradas como cidadãos de segunda classe. Foi neste ambiente que os Surdos encontraram um caminho para que sua língua fosse "ouvida".
No século XIX os Surdos reivindicaram os seus direitos e a sua língua já foi reconhecida. Entre esses direitos estava a utilização da sua língua na educação dos Surdos, que eles fossem reconhecidos não como deficientes, mas como diferentes e que sua cultura fosse respeitada. Assim, dentro da comunidade ouvinte, eles construíram uma comunidade própria, com a sua língua, a sua cultura e tentaram estabelecer-se como grupo minoritário que pudesse ser aceite numa visão multicultural.
Os Surdos têm experiências diferentes da cultura ouvinte, a partir da perda auditiva, da sua língua e tudo o que implica o uso de uma língua com características tão diferentes no seu comportamento do dia-a-dia. Eles têm uma história de Surdos que se destacaram em aspectos da vida pública, da sua educação, do desenvolvimento das suas comunidades e têm regras de comportamento, costumes e tradições.
De acordo com a complexidade humana, com os factores sociais pertencentes à sociedade como um todo e com os factores educacionais e familiares, no entanto, o Surdo pode ter uma identidade cultural (e Orgulho Surdo) ou não, de acordo com o seu próprio critério de se admitir pertencente ao mundo ouvinte e/ou ao mundo Surdo, ou pode ainda circular por ambos.[5]
O movimento de reconhecimento da cultura, comunidade e identidade dos Surdos, além de afirmar a sua autenticidade, conseguiu mobilizar alguns responsáveis pela educação dos Surdos para a reformulação da situação da educação do Surdo. Essa nova proposta de trabalho recebeu o nome de Bilinguismo.
A língua gestual não pode constituir-se apenas numa ferramenta para aceder a outra língua, ou funcionar como um prémio de consolação para os Surdos; enquanto língua, tem um estatuto e um lugar privilegiado na definição de uma identidade e na expressão de uma cultura.[3]

Para a maioria das crianças, a língua oficial do país onde vivem é, simultaneamente, língua materna e língua de escolarização – não o é, no entanto, para os Surdos. Para essa população, a língua de aquisição espontânea e natural terá de ser uma língua gestual. Há que lembrar, contudo, que a língua de escolarização, em que se aprende a ler, e se estuda, é uma língua oral (no nosso caso, a Língua Portuguesa), o que faz com que a escola precise de ensinar estas crianças a ler e a escrever, isto é, a conhecer o Português escrito. O uso de uma língua gestual e de uma língua oral torna imperioso que na educação da criança se tenha sempre presente o desenvolvimento de competências que lhe permitam funcionar, eficaz, cómoda e adequadamente nas duas línguas e nas duas comunidades.
A linguagem escrita é uma modalidade linguística de cariz secundário, no entanto, a impossibilidade de ler e escrever numa língua (sem o conhecimento da estrutura gramatical e do vocabulário da língua) é um problema real ao ensino das crianças surdas. Ao contrário do que acontece com as crianças ouvintes, a aprendizagem da leitura e da escrita, por parte dos Surdos, não pode partir da mobilização do conhecimento da língua oral; antes, é através da aprendizagem do vocabulário escrito e pelo ensino explícito da estrutura gramatical da língua oral que a criança surda, quando desconhecedora da língua oral, tem acesso ao conhecimento dessa língua, e assim extrai significado do material escrito – estamos assim diante da aprendizagem de uma segunda língua e não de um uso secundário de uma língua oral.
O grande objectivo do ensino da linguagem escrita é tornar o aluno autónomo na procura e uso de informação, que lhe permita a integração dessa informação na sua vida escolar e social.
É ainda imprescindível a aquisição da língua gestual nos primeiros anos de vida da criança, sob pena das seguintes consequências:
o Surdo perderá a oportunidade de usar a linguagem;
não irá recorrer ao planeamento para a solução de problemas;
não adquirirá independência da situação visual concreta;
não controlará seu próprio comportamento e o ambiente;
não terá vida social adequada.[4]

Assim como em muitas outras línguas, na LIBRAS, fazer uma tradução coerente de conteúdos filosóficos não é fácil, sobretudo por conta de sua modalidade particular, ou seja, a espaço-visual, já que para o surdo o desenvolvimento de sua linguagem e consequentemente do pensamento se dá a partir do campo visual. Dessa forma, encontra-se a grande dificuldade de expressar em sinais os conceitos filosóficos, pois como diz Silvio Gallo defendendo a definição de Deleuze e Guattari, na obra O que é filosofia? (1992), afirma: a tarefa da filosofia é a de “produzir conceitos” (2003, p. 2), e acrescenta:
Se a filosofia consiste na atividade de criar conceitos, que é isso então que ela cria? Podemos dizer que o conceito é uma forma eminentemente racional de equacionar um problema ou conjunto de problemas, exprimindo com isso uma visão coerente do vivido. Sendo assim, o conceito não é abstrato nem transcendente, mas imanente, uma vez que parte necessariamente de problemas experimentados, isto é, na medida em que não se cria conceito no vazio (GALLO, 2003, p. 3-4).


Nessa perspectiva, a proposta pedagógica de educação bilíngue para surdos propõe levar o conteúdo filosófico para o espaço de enunciação da LIBRAS, ou seja, para a janela imaginária frente ao corpo ou próxima ao corpo, onde são articulados os sinais dentro do raio de alcance das mãos, onde contém todos os pontos de articulação dos sinais. Assim, como nos diz Audrei Gesser, os surdos podem muito bem fazer uso de tais recursos já que eles, assim como os ouvintes, são capazes de expressar os mais variados conceitos abstratos:
Tal como os falantes de línguas orais, os falantes de línguas de sinais podem discutir filosofia, política, literatura, assuntos cotidianos etc. nessa língua, além de transitar por diversos gêneros discursivos, criar poesias, fazer apresentações acadêmicas, peça teatrais, contar e inventar histórias e piadas, por exemplo. (GESSER, 2011. p.23)

Aqui, com essa proposta, o objetivo não é apenas que o surdo venha a conhecer o conteúdo histórico da filosofia, mas também que a filosofia possa se tornar um instrumento crítico para a sua leitura visual da realidade, pois assim como a filosofia é para o ouvinte esse instrumento, poderá ser também para o surdo, desde que o método de ensinagem mostre não só o conteúdo, mas o valor para a vida, destacando, sobretudo o respeito ao outro em todos os sentidos, como diz o método Progressista Libertador de Paulo Freire.
Portanto, em uma relação de igual para igual, ou seja, horizontalmente, em que visa levar professores e alunos a atingir um nível de consciência da realidade em que vivem na busca da transformação social. Pois, para Paulo Freire, aprender é compartilhar conhecimentos e para aprender é preciso ver sentido para a vida prática, fazer parte do projeto de vida do indivíduo. Por isso, para se trabalhar a filosofia é necessário que haja um interesse por parte do aluno. Consequentemente, que ela o cative a uma reflexão que o permita e aqui de forma particular o sujeito surdo, procurar conhecer o sentido de sua própria experiência existencial humana. Para os surdos, com certeza, o visual é o cativante indispensável para a construção do seu conhecimento.

• Antecedentes familiares de deficiência auditiva, levantando-se se há consangüinidade entre os pais e/ou hereditariedade. 
• Infecções congênitas suspeitadas ou confirmadas através de exame sorológico e/ou clínico (toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes e sífilis) 
• Peso no nascimento inferior a 1500g e/ou crianças pequenas para a idade gestacional (PIG) 
• Asfixia severa no nascimento, com Apgar entre 0-4 no primeiro minuto e 0-6 no quinto minuto. 
• Hiperbilirrubinemia com índices que indiquem exanguíneo transfusão. 
• Ventilação mecânica por mais de dez dias 
• Alterações crânio-faciais, incluindo as síndromes que tenham como uma de suas características a deficiência auditiva. 
• Meningite, principalmente a bacteriana. 
• Uso de drogas ototóxicas por mais de cinco dias. 
• Permanência em incubadora por mais de sete dias. 
• Alcoolismo ou uso de drogas pelos pais, antes e durante a gestação.

A terapia com surdos é uma tarefa penosa, que requer muita dedicação e paciência, pois além do surdo, o trabalho se estende à família, um dos principais focos dos conflitos da pessoa surda. Poucos se dão conta da dimensão do sofrimento psicológico e moral do surdo. A falta de comunicação, o isolamento, o preconceito, fazem do surdo um ser dependente do ouvinte, ainda que tenha conseguido avançar em sua educação e desenvolvimento cognitivo. Essa dependência reduz sua auto-estima, produzindo conflitos que muitas vezes são interpretados equivocadamente como comportamentos típicos do surdo, como: agressividade, intolerância, individualismo, incapacidade intelectual, quando na verdade essa visão resulta do desconhecimento do mundo dos surdos. Contudo, não se pode negar que a cada dia os surdos progridem em suas conquistas e afirmação como cidadãos.

Abordagens clínicas e terapêuticas

Muitas vezes me perguntam qual a abordagem terapêutica que adoto no atendimento ao surdo. É uma curiosidade natural. Afinal os psicólogos seguem geralmente uma tendência teórica pela qual tem afinidade e preferência. Mas eu afirmo que se nos limitarmos a uma única abordagem terapêutica no caso dos surdos, vamos restringir nosso campo de ação.Há um universo muito amplo de variáveis e especificidades no tratamento psicológico do surdo.

É preciso considerar:

a)     Faixa etária

b)     Período de aquisição da surdez ( pré ou pós-lingual)

c)     Nível de capacidade auditiva ( leve, moderada, severa, profunda, uni ou bilateral)

d)     Outras sequelas ( motoras, neurológicas, surdocegueira)

e)     Ambiente familiar

f)      Nível de oralidade/ leitura labial e sinalização em língua de sinais

g)     Nível socioeconômico

h)     Preferências sexuais (atualmente existem associações de surdos gays)

i)       Envolvimento com drogas e atividades ilícitas

Essa gama de condições e peculiaridades exigem do terapeuta uma postura profissional eclética, além da possibilidade de ter que intervir com aconselhamento em conflitos familiares, judiciais e nas relações de trabalho.Não basta, portanto, dar consultas no consultório, e torcer para que o surdo resolva seus problemas. É fundamental que o terapeuta esteja aberto a uma visão holística do atendido, em suas dimensões física, mental e espiritual ( no sentido de espiritualidade e não de religiosidade).  Não se descarta, portanto, o uso de técnicas e procedimentos da terapia comportamental, cognitiva, gestaltista, e mesmo psicanalítica, e de outras abordagens. Cada caso requer procedimentos próprios e compatíveis com a especificidade do cliente. Sem falar na necessidade do trabalho interdisciplinar, com o fonoaudiólogo, o psicopedagogo, o psiquiatra e outros profissionais.  Na condição de terapeuta de surdos, muitas vezes precisei participar de audiências na justiça, em processos criminais e  de direito de família, para justificar laudos, esclarecer condutas do cliente diante do juiz, bem como visitar empresas para dialogar com empregados e chefes ouvintes, com o objetivo de melhorar as relações de trabalho.

 

  • Não é correto dizer que alguém é surdo-mudo.. Muitas pessoas surdas não falam porque não aprenderam a falar. Muitas fazem a leitura labial, e podem fazer muitos sons com a garganta, ao rir, e mesmo ao gestualizar. Além disso, sua comunicação envolve todo o seu espaço, através da expressão facial-corporal, ou seja o uso da face, mãos, e braços, visto que, a forma de expressão visual-espacial é sobretudo importante em sua língua natural.  Falar de maneira clara, pronunciando bem as palavras, sem exageros, usando a velocidade normal, a não ser que ela peça para falar mais devagar.  Usar um tom normal de voz, a não ser que peçam para falar mais alto. Gritar nunca adianta.  Falar diretamente com a pessoa, não de lado ou atrás dela.
  • Fazer com que a boca esteja bem visível. Gesticular ou segurar algo em frente à boca torna impossível a leitura labial. Usar bigode também atrapalha.  Quando falar com uma pessoa surda, tentar ficar num lugar iluminado. Evitar ficar contra a luz (de uma janela, por exemplo), pois isso dificulta a visão do rosto.
  • Se souber alguma língua de sinais, tentar usá-la. Se a pessoa surda tiver dificuldade em entender, avisará. De modo geral, as tentativas são apreciadas e estimuladas.  Ser expressivo ao falar. Como as pessoas surdas não podem ouvir mudanças sutis de tom de voz, que indicam sentimentos de alegria, tristeza, sarcasmo ou seriedade, as expressões faciais, os gestos ou sinais e o movimento do corpo são excelentes indicações do que se quer dizer.
  • A conversar, manter sempre contato visual, se desviar o olhar, a pessoa surda pode achar que a conversa terminou.  Nem sempre a pessoa surda tem uma boa dicção. Se houver dificuldade em compreender o que ela diz, pedir para que repita. Geralmente, os surdos não se incomodam de repetir quantas vezes for preciso para que sejam entendidas.  Se for necessário, comunicar-se através de bilhetes. O importante é se comunicar. O método não é tão importante.
  • Quando o surdo estiver acompanhado de um intérprete, dirigir-se a ele, não ao intérprete.  Alguns preferem a comunicação escrita, alguns usam linguagem em código e outros preferem códigos próprios. Estes métodos podem ser lentos, requerem paciência e concentração.  Em suma, os surdos são pessoas que têm os mesmos direitos, os mesmos sentimentos, os mesmos receios, os mesmos sonhos, assim como todos. Se ocorrer alguma situação embaraçosa, uma boa dose de delicadeza, sinceridade e bom humor nunca falham.

 

Você consegue imaginar-se criança, querendo dizer pra sua mãe que sente alguma dor,
Sem que ela te entenda. Ou mesmo, você sentir algum medo, e ela achar que você
Esta com dor de barriga e te dar aquelas gotinhas no copo e dizer: “Você vai sarar...”
Mas o que você realmente esta pedindo é a sua companhia; ou ainda você querer dizer
O quanto a ama e que ela é importante para você e isto parecer impossível?
A vida do “SURDO” é cheia de momentos como estes, desde criança e como adultos também.
Começando com o termo “DEFICIENTE AUDITÍVO”, a sociedade trata o surdo como se fosse
Incapaz.  Conhecemos as necessidades de muitas pessoas com deficiência, mas para os surdos não há
Condições mínimas de atendimento. Em repartições públicas, hospitais, lojas e locais adaptados que lidam com questões de acessibilidade, raramente há alguém preparado para atendê-los. 
O que você sabe sobre “SURDEZ”? Aquele Alfabeto Brasileiro de Sinais que você já deve ter visto é quase nada. Você pensa que a comunicação do surdo é daquela forma?
Mesmo os profissionais da área, precisam saber mais. Eles sabem sobre ouvido, mas será que sabem sobre a “Pessoa Surda”?
Pais e familiares precisam saber o que fazer, afinal de contas um filho surdo não nasce com um manual de instruções.
Nosso objetivo é que o “Surdo” conquiste sua total cidadania. O primeiro passo é a informação. O reconhecimento de uma língua própria, a “LIBRAS” já foi uma vitória. Você tem ideia do que é LIBRAS?
Por isso quero te convidar a conhecer este mundo maravilhoso, humano e verdadeiro, o mundo dos SURDOS, você vai ficar encantado, assim como eu, e ao mesmo tempo surpreso.

‘’QUE TAL VENHA FAZER VOCÊ A DIFERENÇA”

• apóia o desenvolvimento do aluno com deficiência, transtornos gerais de desenvolvimento e altas habilidades
• disponibiliza o ensino de linguagens e códigos específicos de comunicação e sinalização
• oferece tecnologia assistiva – TA
• adéqua e produz materiais didáticos e pedagógicos, tendo em vista as necessidades especificas dos alunos
• oportuniza ampliação e suplementação curricular (para alunos com altas habilidades)
O AEE deve se articular com a proposta da escola comum, embora suas atividades se diferenciem das realizadas em salas de aula de ensino comum.

Art. 13. São atribuições do professor do Atendimento Educacional Especializado:
I – identificar, elaborar, produzir e organizar serviços, recursos pedagógicos, de acessibilidade e estratégias considerando as necessidades específicas dos alunos público-alvo da Educação Especial;
II – elaborar e executar plano de Atendimento Educacional Especializado, avaliando a funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos pedagógicos e de acessibilidade;
III – organizar o tipo e o número de atendimentos aos alunos na sala de recursos multifuncionais;
IV – acompanhar a funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos pedagógicos e de acessibilidade na sala de aula comum do ensino regular, bem como em outros ambientes da escola;
V – estabelecer parcerias com as áreas intersetoriais na elaboração de estratégias e na disponibilização de recursos de acessibilidade;
VI – orientar professores e famílias sobre os recursos pedagógicos e de acessibilidade utilizados pelo aluno;
VII – ensinar e usar a tecnologia assistiva de forma a ampliar habilidades funcionais dos alunos, promovendo autonomia e participação;
VIII – estabelecer articulação com os professores da sala de aula comum, visando à disponibilização dos serviços, dos recursos pedagógicos e de acessibilidade e das estratégias que promovem a participação dos alunos nas atividades escolares.

"FIXA"

Tradução Fixa: são traduções de textos ou “falas” já conhecidas como a oração do Pai Nosso, textos escritos conhecidos, poesias da cultura ouvinte adaptadas para Libras, textos do Estatuto dos Direitos Humanos, Estatuto dos Direitos da Criança, leis, documentos oficiais, atas, peças teatrais com textos de falas decoradas etc. Nessas situações, provavelmente, o intérprete-tradutor terá in loco o material a ser traduzido.  Entretanto, cuidado: ainda que o texto seja o mesmo, cada sinalizador imprimirá seu registro linguístico personalizado, seu ritmo, sua poesia, sua personalidade, inclusive podendo ser diferente em comparação à última vez em que ele mesmo sinalizou esse mesmo texto – dificilmente falamos a mesma coisa da mesma forma duas vezes!

 

"PREPARADA"

Tradução Preparada: é a situação considerada ideal para uma boa tradução porque o intérprete terá condições de se preparar com antecedência. A quantidade dessa preparação varia de acordo com o que cada situação requer, podendo ser breve ou extensa. Veja a seguir alguns exemplos em que a preparação se faz importante.  Defesas de teses, apresentação de TCCs, monografias, palestras científicas etc. devem ser lidas e estudadas com muita antecedência.  Apresentações de peças teatrais: os tradutores devem participar de todos os ensaios porque serão “co-atores” durante toda a encenação.  Palestrantes de cidades diferentes das cidades dos tradutores, ainda que enviem textos com antecedência, devem estudar juntos, pois há sinais específicos que são diferentes para cada região do país.  É importante enfatizar que o intérprete-tradutor deve estar aberto e preparado para mudanças espontâneas do sinalizador, mesmo dentro da proposta tradução preparada, tais como: ilustrações que surgem na hora, pequenas dramatizações, novas anáforas, acréscimo de novas idéias, sinais, personagens, linha de pensamento, novas ênfases e entonações etc., além do fator nervosismo do palestrante, que também poderá alterar a sua “fala”.

A forte ênfase no papel da linguagem verbal no funcionamento cognitivo humano gerou distintas representações, principalmente no caso dos surdos, uma vez que a dificuldade encontrada por eles na linguagem foi vista, por vezes, como geradora de obstáculos ao desenvolvimento do pensamento. Um desses obstáculos seria o de que a linguagem de sinais levaria a uma redução no universo intelectual ao mundo concreto, restringindo, assim, as funções de caráter abstrato. Por isso, o oralismo dominou em todo o mundo até a década de 1970. Porém, segundo Góes (1999, p.26), as discussões teóricas sobre cognição e linguagem começaram a alterar-se a partir da década de 80, com base em outros aportes, tais como a teoria de L. S. Vygotski. Com isso, passa a expandir-se uma nova proposta, que parte do pressuposto que a comunicação deve ser privilegiada e não a língua propriamente dita. Assim, a deficiência não torna a criança um ser que tem possibilidades a menos, ou seja, ela tem possibilidades diferentes, e não menores (Góes, 1999, p. 34).  Partindo disso, entra em questão um novo fator, pois, junto com uma língua distinta para os surdos, surge também uma nova cultura, ou seja, junto ao bilingüismo, veio o biculturalismo, revelando um processo antes ignorado, que é o processo de construção da identidade cultural surda, uma vez que o surdo tem contato com dois grupos culturais distintos, o ouvinte e o surdo. Assim sendo, estréia uma nova tendência, a de vincular o processo educacional às experiências culturais dos surdos, para que seu desenvolvimento alcance maior êxito. Como conseqüência, a discussão sobre as formas de atenção às pessoas e aos grupos surdos tem sido deslocada do campo da educação especial para o campo antropológico, pois a educação deveria dar acesso aos bens culturais de acordo com as características singulares decorrentes da surdez.  Mesmo com todo esse processo de luta pelo direito à diferença, ou seja, por uma política afirmativa da cultura surda, no atendimento educacional ainda se faz presente, em menor escala, a dominação da oralização, seja ela na prática ou na memória dos que vivenciaram essa dominação.

 

Surgiu a ideia em escrever sobre a comunicação, uma vez que observamos o cotidiano das pessoas que tem pressa em resolver as coisas de maneira “eficaz”, porque tempo é dinheiro! Porém, aparecem os desentendimentos prejudicando os negócios que não são fechados, os relacionamentos que se rompem, esses acontecimentos são devido à falha de comunicação, o qual cada um interpreta de uma forma diferente. Mas, por que estamos falando sobre a comunicação?    Observamos que os surdos que se comunicam apenas por Libras, o processo cognitivo é totalmente diferente daqueles que possuem a língua portuguesa como nativa. Embora que o LIBRAS, atualmente é língua oficial usada pelos surdos, sancionada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2002, que dá a conotação de ideias dependendo do contexto, possui aproximadamente 6 mil verbetes contra os 500 mil da língua portuguesa, é uma diferença gritante! Daí a dificuldade de comunicação entre os ouvintes (incluindo os deficientes auditivos oralizados) e os surdos que só se comunicam por esse meio. Sem o vasto vocabulário, as complicações de entendimento para dar a continuidade na comunicação fazem com que os ouvintes, aparentemente, se afastem do surdos e estes, se fecham e acabam indo para seus grupos, os quais se identificam.  É um círculo vicioso. E quanto aos deficientes auditivos oralizados, como ficam? Aparentemente, com a generalização que a sociedade se deu em relação aos surdos, ficam prejudicados. Estes sujeitos, com perseverança, acreditaram em seu potencial e suas habilidades, deslancharam na lingua portuguesa, em sua maioria convivem com os ouvintes e são ávidos pela literatura, procuram se aperfeiçoar na compreensão escrita e verbal, como? Treinando e buscando no dicionário, as palavras desconhecidas. Deste modo, a vida torna-se mais leve e fácil e obviamente, os deficientes auditivos oralizados, batalham por um emprego e salário melhor. 

No mercado de trabalho, por exemplo, é exigente no quesito do conhecimento da lingua nativa: o português e são descartados, os sujeitos que não apresentam o mínimo de conhecimento dessa língua. Aparentemente, as pessoas que são leitores vorazes, são os que tem chances maiores de encontrar trabalho, porque a comunicação empresarial é imprescindível para o sucesso do negócio.  Muitas empresas acabaram criando vagas operacionais com salários baixos, devido à falta de conhecimento que existem deficientes auditivos ou não com nível superior, os quais são em minoria, podem perfeitamente ser aproveitados, alavancando no crescimento e sucesso do negócio e consequentemente, melhora a diversidade dentro das corporações. Todos ganham, mas, para isso acontecer, os salários e os benefícios precisam ser atrativos. Contudo, a língua portuguesa é rica em termos de vocabulário e é complexa na gramática, vai depender de cada indivíduo melhorar a comunicação. Como? Ter sacrifício e tempo para leitura, principalmente livros, visando o aumento de vocábulos e o progresso na interpretação de texto, os quais ajudam tanto na compreensão escrita como na verbal.  Consequentemente, a pessoa vai  se beneficiar e ter sucesso nas relações intrapessoais e interpessoais, seja familiar, afetiva, profissional e social.  

fonte: deficienteonline.com.br

A presença de professores surdos na trajetória escolar de crianças igualmente surdas é extremamente importante, uma vez que esses professores serão a grande referência para os alunos e seus familiares.  É sabido que a maioria dos surdos nasce em famílias de pessoas ouvintes, que desconhecem as necessidades e potencialidades da comunidade surda e abordam o fato como limitações e impossibilidades.  Ao se depararem com professores surdos, os pais de crianças surdas começam a compreender melhor o universo da surdez, passam a entender o significado da Língua de Sinais no desenvolvimento da pessoa surda e visualizar novas perspectivas de futuro para seu filho surdo.  A criança surda, ao passar a viver em um ambiente linguístico rico e ter contato com adultos surdos,  tem possibilidade de formar um sentimento positivo em relação a sua identidade surda, reconhecendo-se como diferente e não como deficiente ou ouvinte imperfeito. Um professor é uma referência para a criança. É um exemplo de que o surdo pode ter uma profissão, ser uma pessoa independente, ter objetivos e projetos de vida, que é uma pessoa capaz e não um "coitadinho".   Acredito que os professores surdos e ouvintes têm um papel fundamental no desenvolvimento educacional e social de seus alunos.  Ao analisar meus 11 anos de trabalho como professor na Escola para Crianças Surdas Rio Branco, não tenho dúvidas quanto à importância do papel do professor surdo para cada um dos alunos.  A começar pelo aprendizado da Libras (Língua Brasileira de Sinais), a ser entendida e percebida como língua natural e de direito do surdo. Também noto uma percepção maior para a questão do surdo por importantes organismos internacionais, como a ONU.

Fonte:  Jornal do Brasil -  Alexandre Jurado Melendes *

 

Somente a partir da segunda metade do século XX, a comunidade surda, mais especificamente, teve o reconhecimento de suas expressões lingüísticas, a Língua de Sinais. Assim, mostrou?se uma nova língua que, independente do falar local, mantém?se como língua mãe. A Libras como qualquer outra língua, também possui expressões que diferem de região para região (os regionalismos) - o que a legitima ainda mais como língua. Como os sinais não são aleatórios nem criados exclusivamente por quem está se comunicando, eles possuem o que os especialistas chamam de parâmetros, ou seja, são formados a partir da combinação da posição das mãos, movimento, direção. O encontro da língua de sinais com a lingüística é deveras próximo, visto que ao partir da enunciação pela significação dos símbolos, ambos objetivam, que independente da oralidade, posto que tanto o conhecimento como a aprimoramento da inteligência se dão por mecanismos mentais, podendo apenas ser registradas graficamente e somente em segunda instância, oralizados. Desse modo, se a expressão pantomima exerce a comunicação, logo há um discurso sendo desenvolvido em dois âmbitos: oral e possivelmente escrito, considerando o processo de alfabetização contemporâneo dos surdos.
Os pronunciamentos do governo e as propagandas políticas já trazem uma janela no vídeo com o intérprete de Libras. Alguns programas televisivos de igrejas também utilizam esse recurso. São "janelas" que estão permitindo que os surdos tenham acesso ao conteúdo que está sendo divulgado na televisão. Mas são também "janelas" para despertar a curiosidade dos ouvintes para esse universo. Essas iniciativas, aliadas aos cursos de Libras para os "ouvintes", começam a permitir a interação entre os dois lados. 
Uma das primeiras alternativas a serem tomadas para a desmistificação e conhecimento sobre a libras foi a inclusão da disciplina de Libras nos cursos de formação de professores. Entretanto essa atitude é pequena para que a pessoa tenha competência no uso da língua de sinais, mas permite um conhecimento prévio da língua e das questões envolvidas com os surdos. Ela espera que isso seja o início de um interesse das pessoas em aprenderem mais, buscarem novos conhecimentos ou o seu aprofundamento e quebrarem os preconceitos. 
Quando se promove a Inclusão, não se "joga" uma criança na sala de aula, nem a deixa sob a custódia de um estagiário ou babá. Quando se promove a Inclusão, ensina-se a todos os alunos sem distinção, a Inclusão pressupõe o respeito ao direito à educação com qualidade, pressupõe o respeito ao modo e tempo de aprendizagem do aluno, pressupõe dar condições de igualdade de acesso ao conhecimento etc., logo, qualquer dessas falas são despropositadas e nada têm que ver com Inclusão.
A inclusão é um movimento dos diversos grupos de pessoas em situação de vulnerabilidade, que, ao longo dos séculos sempre lutaram para ser reconhecidas como pessoas humanas e que, no presente, vêm logrando êxito.

O Alfabeto de Libras – ( Língua Brasileira de Sinais), teve sua origem ainda no império. Em 1856, o conde francês Ernest Huet, desembarcou no Rio de Janeiro com o alfabeto manual francês e alguns sinais. O material trazido pelo conde, que era surdo, foi adaptado e deu origem à Libras. Este sistema foi amplamente difundido e assimilado no Brasil.  No entanto, a oficialização em lei da Libras só ocorreu um século e meio depois, em abril de 2002 – nesse período, o Brasil trocou a monarquia pela república, teve seis constituições e viveu a ditadura militar. O longo intervalo deve-se a uma decisão tomada no Congresso Mundial de Surdos, na cidade italiana de Milão, em 1880. No evento , ficou decidido que a língua de sinais deveria ser abolida, ação que o Brasil implementou em 1881.  A Libras quase mudou de nome e só voltou a vigorar em 1991, no Estado de Minas Gerias, com uma lei estadual. Só em agosto de 2014, com o Programa Nacional de Apoio à Educação do Surdo. Os primeiros 80 professores foram preparados para lecionar a Língua Brasileira de Sinais. A regulamentação da  Libras em âmbito federal só se deu em 24 de abril de 2002, com a lei n° 10.436

 

Receber atendimento em uma agência bancária, supermercado ou posto de saúde, geralmente, é tarefa corriqueira e que não necessita, na maioria dos casos, de imensos esforços – fora as longas filas, que muitas vezes podem causar estresse e cansaço. Após o atendimento, a comunicação entre atendente e cliente, na maioria dos casos, dá-se livre de maiores infortúnios. Porém, e quando algum dos envolvidos nesta comunicação não escuta? Quando o mesmo necessita de linguagem? 
Esse é um dos maiores incômodos das pessoas com surdez, seja completa ou parcial. Lucas Keller Botti, um jovem professor universitário de Lingua Brasileira de Sinais (Libras) de Ibiporã, sofre na pele esse problema desde o nascimento. “Muitos surdos não sabem contar dinheiro. No caixa dos supermercados, não nos dão atenção o suficiente e ficamos sem saber o que fazer, sem entender”, comentou. Botti é completamente surdo, mas consegue falar de forma bem articulada, embora com esforço – tanto que quase não precisou de intérprete enquanto foi entrevistado.
A lista das mais variadas dificuldades continua. “Nos bancos, muitas vezes não há atendentes que compreendam o que queremos dizer, assim como nos postos de saúde, nos centros de assistência social”, explicou. Problemas envolvendo a intimidade dos surdos também podem ocorrer. Em atendimentos psicológicos, por exemplo, pode causar constrangimento ao paciente. Em postos de saúde, um atendimento errado, por falta de comunicação entre o usuário surdo e o atendente, pode levar a complicações sérias – ou até à morte.
Essas situações acarretam desgaste físico e emocional aos surdos. Acessos de raiva são frequentes nesses casos, e a reação de quem se depara com isso é a pior possível: o riso, o deboche, o descaso.

Surdez é mais do que uma condição médica. Para os indivíduos que são surdos, a surdes não é apenas ter "ouvidos doentes". Eles pertencem a uma comunidade, uma cultura. Neste sentido, a surdez é única entre os tipos de deficiência. O sentido da cultura é mais forte entre aqueles que a linguagem gestual é o seu idioma principal. É este vínculo linguístico, talvez mais do que outros fatores, que liga os membros desta comunidade. Em muitos aspectos, o caráter social da cultura surda pode ser comparado à da cultura Afro-americana. Da mesma forma que existe um forte sentimento de orgulho entre os Afro-americanos em respeito ao seu patrimônio cultural e da sociedade, existe um sentimento de orgulho entre os surdos, e eles gozam do estatuto de minoria cultural e linguística. Surdez é muito mais do que um fenômeno fisiológico. É um modo de vida. Nas últimas décadas, a linguagem tem desempenhado um papel cada vez mais centralizador na unificação cultural da comunidade surda.

• Causas pré-natais: 

• de origem hereditárias (surdez herdada monogênica, que pode ser uma surdez isolada da orelha interna por mecanismo recessivo ou dominante ou uma síndrome com surdez); e uma surdez associada a aberrações cromossômicas. 
• de origem não hereditárias (causas exógenas), que podem ser: Infecções maternas por rubéola, citomegalovírus, sífilis, herpes, toxoplasmose. Drogas ototóxicas e outras, alcoolismo materno
Irradiações, por exemplo Raios X. Toxemia, diabetes e outras doenças maternais graves 
• Causas perinatais 
• Prematuridade e/ou baixo peso ao nascimento 
• Trauma de Parto - Fator traumático / Fator anóxico 
• Doença hemolítica do recém-nascido ( ictericia grave do recém-nascido) 
• Causas pós-natais 
• Infecções - meningite, encefalite, parotidite epidêmica (caxumba), sarampo 
• Drogas ototóxicas 
• Perda auditiva induzida por ruído (PAIR) 
• Traumas físicos que afetam o osso temporal

Atuação do Intérprete Educacional na Inclusão
Embora ainda não haja distinção formal entre as áreas de atuação dos intérpretes da LIBRAS, a categoria vem progressivamente distinguindo sua atuação de acordo com a formação, experiência, afinidade e conhecimento da área onde atua. É importante destacar que a natureza de qualquer profissão está intimamente relacionada ao campo onde ela se dá, pois as inferências desenvolvidas e as necessidades ocasionadas pelo cotidiano são significativas e inegáveis. Para Quadros (2004, p. 35):
Tal distinção contribui para o esmero profissional, uma vez que é fato a impossibilidade de uma pessoa dominar todos os conhecimentos existentes no mundo, daí a busca pela especialização por áreas de atuação por parte de quem exerce esta profissão.
Pode-se afirmar que a presença do profissional intérprete de LIBRAS nas escolas com matrícula de alunos surdos passou a ser obrigatória no ano de 2006 e sua atuação está diretamente ligada ao processo de tradução e interpretação da LIBRAS-Língua Portuguesa. Todavia, para alguns profissionais da educação, pensar na presença de um intérprete na escola, e principalmente em sala de aula, ainda é motivo de inquietação.
É importante esclarecer que a atuação do profissional intérprete, quando na esfera educacional, é técnica e pedagógica, mas a sua ação pedagógica é pautada no processo de tradução e não no de ensino como alguns imaginam.
Segundo o supracitado Decreto nº 5.626/05, a função do intérprete é viabilizar ao aluno surdo o acesso aos conteúdos curriculares, em todas as atividades didático-pedagógicas, e agir como apoio a acessibilidade aos serviços e às atividades da instituição de ensino. Além disso, a Lei nº 12.319/10 ainda ressalva que:
Art. 7º O intérprete deve exercer sua profissão com rigor técnico, zelando pelos valores éticos a ela inerentes, pelo respeito à pessoa humana e à cultura do surdo e, em especial:
I – pela honestidade e discrição, protegendo o direito de sigilo da informação recebida;
II – pela atuação livre de preconceito de origem, raça, credo religioso, idade, sexo ou orientação sexual ou gênero;
III – pela imparcialidade e fidelidade aos conteúdos que lhe couber traduzir;
IV – pelas postura e conduta adequadas aos ambientes que frequentar por causa do exercício profissional;
V – pela solidariedade e consciência de que o direito de expressão é um direito social, independentemente da condição social e econômica daqueles que dele necessitem;
VI – pelo conhecimento das especificidades da comunidade surda.

Almejando o melhor aproveitamento do aluno, é fundamental que professor e intérprete desenvolvam uma parceria de trabalho. O intérprete poderá se preparar melhor se os temas discutidos em sala forem anteriormente debatidos entre eles e, nessa interação, o intérprete também poderá contribuir com o professor ao fazer comentários específicos relacionados à linguagem da criança, à interpretação em si e ao processo de interpretação quando estes forem pertinentes para o processo de ensino-aprendizagem (QUADROS, 2004, p. 62). Esse movimento dialético abre espaço para reflexão da práxis o que, por certo, a tornará mais consciente e eficaz.

O mercado de trabalho está aberto para receber os profissionais com surdez ou deficiência auditiva, mas não está totalmente preparado para incorporá-los, dizem especialistas em educação e recolocação profissional. Eles têm muita vontade de aprender e produzir, mas os que conseguem ter uma carreira de sucesso o fazem sozinhos e com muito esforço ou por meio da participação em programas de capacitação.Com menor ou maior grau de surdez, eles precisam dominar a língua portuguesa para se firmar nas empresas, pois é a melhor forma de se comunicar com as pessoas ouvintes e conseguir completar os estudos.  “A Lei de Cotas 8.213/91 (Artigo 93) abriu oportunidades em termos de quantidade de vagas, mas não exatamente de qualidade. A educação brasileira não acompanha a formação dessas pessoas que, apesar de brasileiras, não são usuários fluentes da língua portuguesa”, explica Jarbas Batista de Oliveira, diretor da escola de Educação Básica da Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação (Derdic) da PUC-SP.  De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem quase 6 milhões de pessoas com deficiência auditiva e em torno de 170 mil delas se declaram surdos – cerca de 35% dessas pessoas estão ocupadas. O Derdic da PUC-SP estima que o país tem cerca de 1 mil surdos em universidades.

Erroneamente, afirma o professor Oliveira, muitas organizações acreditam ser mais fácil contratar surdos porque eles não precisam de instalações de acessibilidade – como sinalização para cegos e rampas e elevadores para deficientes físicos. “Quando o surdo chega à empresa, porém, têm sérios problemas para se comunicar. Além do idioma, nem sempre ele se adapta rapidamente à dinâmica de hierarquia, deveres e prazos”. É fundamental, portanto, o surdo se capacitar para ingressar no mercado de trabalho. “A colocação na carreira não vem de graça.  É preciso muito esforço e fundamental dominar o português, entre outras coisas, para avançar nos estudos e se comunicar com os ouvintes, já que é muito difícil encontrar intérprete de Libras nas instituições de ensino e nas empresas”, diz Alex Vincentin, diretor da Plura Consultoria e Inclusão Social, consultoria especializada na inclusão e capacitação de pessoas com deficiência. “Nem toda pessoa surda conhece ou fala português e o surdo alfabetizado em Libras que aprende português no ensino médio muitas vezes tem dificuldade com a escrita”.

Fonte: Jornal da Tarde.

As empresas ainda não abriram efetivamente as portas para os surdos, deixando-os em cargos de menor importância e não tem profissionais capacitados para lidar com esse colaborador mas, esse problema vem de uma tendência que as pessoas tem de não aceitar qualquer diferença, ainda há muito preconceito.
Para mudar esse cenário o papel das escolas é muito importante, da mesma forma que é para os ouvintes, se o surdo não tiver uma educação adequada, não serão capazes de se desenvolver e crescer profissionalmente.
O apoio e aceitação da familia são muito importantes para ajudar essa criança a, mesmo com dificuldades a superar as expectativas dela própria, da familia e da sociedade.  Temos que preparar o surdo desde cedo para enfrentar essas dificuldades, é imprescindível para que possa ter maior entendimento, a criança surda aprender primeiro libras para depois aprender a Lingua Portuguesa, mas infelizmente o nosso governo não pensa da mesma forma, está fechando todas as escolas de Libras porque acha que inclusão é obrigar a criança surda a ter a mesma educação que as ouvintes, não respeitando a diferença entre elas, se esquecem também que tem de haver uma preparação para receber esses alunos e hoje não há profissionais capacitados para receber esses alunos e com isso o surdo fica cada vez mais sem condições de enfrentar um mercado de trabalho tão competitivo.
Enquanto houver preconceito da sociedade e descaso das autoridades esses profissionais continuarão sendo contratados somente para cumprir cotas e não serão tratados como profissionais capazes que são,eles só precisam de uma oportunidade para estudar adequadamente e com isso conseguir uma boa colocação no mercado de trabalho e se tornar independente.
Está na hora dos governantes olharem com carinho para essas pessoas que merecem ser respeitadas e aceitas.

 Antes de iniciar as explanações sobre as várias categorias de identidade surda, precisa-se entender o conceito de ouvintismo e sua diferença com o oralismo.

            Ouvintismo: ideologia dominante que trata-se de um conjunto de representações dos ouvintes, a partir do qual o surdo está obrigado a olhar-se e a narrar-se como se fosse ouvinte. Além disso, é nesse olhar-se, e nesse narrar-se que acontecem as percepções do ser deficiente, do não ser ouvinte; percepções que legitimam as práticas terapêuticas habituais. Forma atual de continuar o colonialismo sobre os surdos.            Oralismo: filosofia dominante, foi e segue sendo hoje, em boa parte do mundo, uma ideologia dominante dentro da educação do surdo. A concepção do sujeito surdo ali presente refere exclusivamente uma dimensão clínica - a surdez como deficiência, os surdos como sujeitos patológicos - numa perspectiva terapêutica. A conjunção de idéias clínicas e terapêuticas levou em primeiro lugar a uma transformação histórica do espaço escolar e de suas discussões e enunciados em contextos médico-hospitalares para surdos.

            Surdo não é Deficiente, é apenas Diferente, com signos diferentes de ouvintes. Os surdos têm signos visuais enquanto os ouvintes têm signos auditivos. As pessoas surdas têm a sua comunicação visual, têm a sua própria língua, a língua de sinais permite que o surdo crie a sua linguagem interior, entender os conceitos da vida, e além disso também permite que o surdo tenha formação de linguagem e pensamento, ter orgulho de sua diferença, e além do mais é uma língua mais rica do que a falada.  Infelizmente a influência do poder ouvintista prejudica a construção da identidade surda, tornando evidente que as identidades surdas assumam formas multi-facetadas em vista das fragmentações a que estão sujeitas face à presença do poder ouvintista que lhe impõe regras, inclusive, encontrando no estereótipo surdo uma resposta para a negação da representação da identidade surda ao sujeito surdo.              Levando em conta os fatores sociais, familiares, o poder ouvintista que determinam na construção da identidade do sujeito surdo, há categorias de identidades surdas, uma vez que existem diferenças entre os surdos:

  • Identidade Surda - são as pessoas que têm identidade surda plena, geralmente são filhos de pais surdos, têm consciência surda, são mais politizados, têm consciência da diferença, e têm a língua de sinais como a língua nativa. Usam recursos e comunicações visuais.
  • Identidade Surda Híbrida - são surdos que nasceram ouvintes e posteriormente se tornam surdos, conhecem a estrutura do português falado.
  • Identidade Surda de Transição - são surdos oralizados, mantidos numa comunicação auditiva, filhos de pais ouvintes, e tardiamente descobrem a comunidade surda, e nesta transição, os surdos passam pela desouvinização, isto é, passam do mundo auditivo para o mundo visual.
  • Identidade Surda Incompleta - são surdos dominados pela ideologia ouvintista, não conseguem quebrar o poder dos ouvintes que fazem de tudo para medicalizar o surdo, negam a identidade surda como uma diferença. São surdos estereotipados, acham os ouvintes como superiores a eles.
  • Identidade Surda Flutuante - são surdos que têm consciência ou não da própria surdez, vítima da ideologia ouvintista. São surdos conformados e acomodados a situações impostas pelo ouvintismo, não têm militância pela causa surda. São surdos que oscilam de uma comunidade a outra, não conseguem viver em harmonia, em nenhuma comunidade, por falta de comunicação com ouvintes e pela falta de língua de sinais com surdos.

 

 

Segundo o supracitado Decreto nº 5.626/05, a função do intérprete é viabilizar ao aluno surdo o acesso aos conteúdos curriculares, em todas as atividades didático-pedagógicas, e agir como apoio a acessibilidade aos serviços e às atividades da instituição de ensino. Além disso, a Lei nº 12.319/10 ainda ressalva que:  Art. 7º O intérprete deve exercer sua profissão com rigor técnico, zelando pelos valores éticos a ela inerentes, pelo respeito à pessoa humana e à cultura do surdo e, em especial:

I – pela honestidade e discrição, protegendo o direito de sigilo da informação recebida;

II – pela atuação livre de preconceito de origem, raça, credo religioso, idade, sexo ou orientação sexual ou gênero;

III – pela imparcialidade e fidelidade aos conteúdos que lhe couber traduzir;

IV – pelas postura e conduta adequadas aos ambientes que frequentar por causa do exercício profissional;

V – pela solidariedade e consciência de que o direito de expressão é um direito social, independentemente da condição social e econômica daqueles que dele necessitem;

VI – pelo conhecimento das especificidades da comunidade surda.

Almejando o melhor aproveitamento do aluno, é fundamental que professor e intérprete desenvolvam uma parceria de trabalho. O intérprete poderá se preparar melhor se os temas discutidos em sala forem anteriormente debatidos entre eles e, nessa interação, o intérprete também poderá contribuir com o professor aofazer comentários específicos relacionados à linguagem da criança, à interpretação em si e ao processo de interpretação quando estes forem pertinentes para o processo de ensino-aprendizagem (QUADROS, 2004, p. 62). Esse movimento dialético abre espaço para reflexão da práxis o que, por certo, a tornará mais consciente e eficaz.

 

O que é Libras 
Libras é a sigla da Língua Brasileira de Sinais

As Línguas de Sinais (LS) são as línguas naturais das comunidades surdas.
Ao contrário do que muitos imaginam, as Línguas de Sinais não são simplesmente mímicas e gestos soltos, utilizados pelos surdos para facilitar a comunicação. São línguas com estruturas gramaticais próprias.
Atribui-se às Línguas de Sinais o status de língua porque elas também são compostas pelos níveis lingüísticos: o fonológico, o morfológico, o sintático e o semântico.
O que é denominado de palavra ou item lexical nas línguas oral-auditivas são denominados sinais nas línguas de sinais.  O que diferencia as Línguas de Sinais das demais línguas é a sua modalidade visual-espacial.
Assim, uma pessoa que entra em contato com uma Língua de Sinais irá aprender uma outra língua, como o Francês, Inglês etc. Os seus usuários podem discutir filosofia ou política e até mesmo produzir poemas e peças teatrais.
Informações Técnicas

1 LIBRAS
A LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) tem sua origem na Língua de Sinais Francesa. 
As Línguas de Sinais não são universais. Cada país possui a sua própria língua de sinais, que sofre as influências da cultura nacional.
Como qualquer outra língua, ela também possui expressões que diferem de região para região (os regionalismos), o que a legitima ainda mais como língua.
2 Sinais
Os sinais são formados a partir da combinação da forma e do movimento das mãos e do ponto no corpo ou no espaço onde esses sinais são feitos. Nas línguas de sinais podem ser encontrados os seguintes parâmetros que formarão os sinais:
2.1 Configuração das mãos: São formas das mãos que podem ser da datilologia (alfabeto manual) ou outras formas feitas pela mão predominante (mão direita para os destros ou esquerda para os canhotos), ou pelas duas mãos.
Os sinais DESCULPAR, EVITAR e IDADE, por exemplo, possuem a mesma configuração de mão (com a letra y). A diferença é que cada uma é produzida em um ponto diferente no corpo.
2.2 Ponto de articulação: é o lugar onde incide a mão predominante configurada, ou seja, local onde é feito o sinal, podendo tocar alguma parte do corpo ou estar em um espaço neutro.
2.3 Movimento: Os sinais podem ter um movimento ou não. Por exemplo, os sinais PENSAR e EM-PÉ não têm movimento; já os sinais EVITAR e TRABALHAR possuem movimento.
2.4 Expressão facial e/ou corporal: As expressões faciais / corporais são de fundamental importância para o entendimento real do sinal, sendo que a entonação em Língua de Sinais é feita pela expressão facial.
2.5 Orientação/Direção: Os sinais têm uma direção com relação aos parâmetros acima. Assim, os verbos IR e VIR se opõem em relação à direcionalidade.

3 Convenções da LIBRAS
3.1 A grafia: os sinais em LIBRAS, para simplificação, serão representados na Língua Portuguesa em letra maiúscula. Ex.: CASA, INSTRUTOR.
3.2 A datilologia (alfabeto manual): usada para expressar nomes de pessoas, lugares e outras palavras que não possuem sinal, estará representada pelas palavras separadas por hífen. Ex.: M-A-R-I-A, H-I-P-Ó-T-E-S-E.
3.3 Os verbos: serão apresentados no infinitivo. Todas as concordâncias e conjugações são feitas no espaço. Ex.: EU QUERER CURSO.
3.4 As frases: obedecerão à estrutura da LIBRAS, e não à do Português. Ex.: VOCÊ GOSTAR CURSO? (Você gosta do curso?)
3.5 Os pronomes pessoais: serão representados pelo sistema de apontação. Apontar em LIBRAS é culturalmente e gramaticalmente aceito.
Para conversar em LIBRAS não basta apenas conhecer os sinais de forma solta, é necessário conhecer a sua estrutura gramatical, combinando-os em frases

Lei nº 11.796, de 2008
Publicado em Segunda, 05 Setembro 2011 12:35 | | | Acessos: 466
Lei nº 11.796, de 29 de Outubro de 2008

Institui o Dia Nacional dos Surdos.
O Presidente da República Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º Fica instituído o dia 26 de setembro de cada ano como o Dia Nacional dos Surdos.
Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 29 de outubro de 2008; 187º da Independência e 120º da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

São conjuntos de elementos visuais, entre os quais se podem encontrar ou definir relações para a visualização da imagem mental. Essa comunicação não-verbal, a icônica, não fala apenas no plano consciente, mas, consegue chegar às profundezas do inconsciente. Baseando-se em sistemas de classificação, os surdos visualizam uma imagem mental configurando com as mãos, e retratam a imagem para manter uma comunicação com mais clareza de detalhes. Os traços essenciais desses sistemas com movimentos e ritmos de imagens, articulados num ícone apresentam relações análogas para a comunicação, que é formada a partir de cortes, descrição de um objeto, pedaço de uma cena ou ação, e as relações de umas com as outras, formando um painel de mosaicos com fluência e ritmo.  Não há forma sem significado, nem significado sem forma. Essa semântica, esse significado peculiar é que retrata tanto a ação como a descrição em estruturas funcionais. Porém o significado de uma forma depende do repertório, e este é o significado real da linguagem. Mas, esse repertório varia de pessoa para pessoa, dependendo da vivência e da cultura de cada um, e a cultura depende da faixa sócio-econômica em que se situa a pessoa, pois a formação e a informação dependem de muitos outros fatores.

Os Sistemas de Classificação nos permite explicar com clareza, frases, palavras, coisas e situações que não possuem sinal próprio.   A divisão que apresentamos a seguir é meramente didática, pois os sistemas se interligam e se intra-relacionam intrinsecamente. Essa tomada de imagens segue certa sequência que não se pode traduzir palavra por palavra, pois a estrutura da Língua Portuguesa é diferente da Língua de Sinais.

a) Sistema Descritivo: Toda e qualquer descrição, poderá valer-se do uso de figuras geométricas. Esta descrição deverá expor minuciosamente os elementos visuais (forma, tamanho, textura e se precisar, a cor) e traçar a figura geométrica do desenho do objeto.

b) Sistema Específico: Este sistema deve retratar características especiais, com explicações minuciosas, esmiuçar as particularidades das partes do corpo dos seres animais. Ex: forma e tamanho dos pelos(comprido, curto arrepiado).

c) Sistema Funcional: Deverá reproduzir a imagem da ação, a maneira como um corpo ou parte do corpo age e atua. Esse movimento, configurado com as mãos, deverá retratar o comportamento e/ou funcionamento de qualquer corpo. Ex: mordida de animais, movimento dos olhos, trejeitos.

d) Sistema de Locação: Deverá reproduzir a imagem de como um corpo se relaciona num determinado lugar, definindo posições, localizações e expressões dessa correspondência. Ex: sobre a mesa, no ar, no céu, etc.

e) Sistema Instrumental: Deverá reproduzir a imagem de como se serve, se utiliza alguma coisa. Ex: vassoura varrendo, gaveta abrindo, abrindo tampa de garrafa ou vidros, ferramentas.

f) Sistema de Pluralização: Esse sistema classifica números determinados ou indeterminados de alguma coisa, pessoa ou animal. Ex: pessoa(s) ou animal(is) indo e vindo.

g) Sistema de Elementos da Natureza: Reproduz a imagem de elementos que não são sólidos. Ex: o ar, a fumaça, a água líquida, a chuva, o fogo, a luz etc.

 

Ao refletir sobre a importância das Libras na vida das pessoas surdas, pode-se perceber que a utilização da Linguagem Brasileira de Sinais é um meio de garantir a preservação da identidade surda, bem como contribui para a valorização e reconhecimento da cultura surda que, por tanto tempo, foi o alvo da hegemonia da cultura ouvinte. Relevando a surdez como uma experiência visual, popularizando a linguagem de sinais, garante-se ao surdo a possibilidade de reconhecimento e legitimação desta forma de comunicação, desprezando qualquer forma de padronização, de comportamento ou tentativa de normalização do sujeito surdo.
Cabe ressaltar também que a utilização das libras facilita a comunicação entre os surdos, que passam a se compreender como uma comunidade que tem características comuns e devem ser reconhecidas como tal. Além de propiciar a facilidade de comunicação entre os surdos, a Libras também propicia uma melhor compreensão entre surdos e ouvintes, uma vez que, já está previsto em lei a presença de intérpretes de Libras em diferentes instituições sociais, como, por exemplo, escolas e universidades. Outro aspecto positivo da Libras é a sua utilização em programas de televisão, palestras, eventos sociais diversos, etc., uma prática que vem sendo cada vez mais comum e que tem a tendência de alcançar outros âmbitos sociais, já que, a comunidade surda tem um número bastante expressivo de pessoas e que estão reivindicando seus direitos como cidadãos, praticando a verdadeira forma de inclusão social.

A compreensão dos conceitos de diversidade e diferença, além de considerar a construção da identidade surda como um movimento político, social e histórico, a utilização da Libras vem a colaborar para a alteridade surda, prevalecendo a inclusão social dos surdos tão almejada, desprezando toda e qualquer forma de discriminação e preconceito com esse grupo, que sofreu por um longo tempo com a ignorância e visão equivocada dos ouvintes que impunham um padrão errôneo e unilateral de normalidade, observando a surdez como uma deficiência que deveria ser tratada clinicamente com intuito de superar o déficit auditivo.
Além da legitimação da cultura surda, a utilização da Libras da voz a esta cultura, possibilita o entendimento de suas necessidades, anseios e expectativas podendo assim, facilitar o atendimento a essas necessidades, sendo a forma mais expressiva de exercício da cidadania. Dessa forma, pode-se concluir que a utilização da linguagem brasileira de sinais deve ser cada vez mais popularizada e incentivada, não apenas nas instituições escolares, como também na sociedade em geral, colaborando para a melhoria da qualidade de vida dos surdos, desprezando perspectivas meramente filantrópicas, mas sim como uma forma de assegurar os direitos como cidadão e o respeito às diferenças.

Os níveis de limiares utilizados para caracterizar os graus de severidade da deficiência auditiva podem ter algumas variações entre os diferentes autores. Segundo critério de Davis e Silverman, 1966:

• Audição Normal - Limiares entre 0 a 24 dB nível de audição.
• Deficiência Auditiva Leve - Limiares entre 25 a 40 dB nível de audição.
• Deficiência Auditiva Moderna - Limiares entre 41 e 70 dB nível de audição.
• Deficiência Auditiva Severa - Limiares entre 71 e 90 dB nível de audição.
• Deficiência Auditiva Profunda - Limiares acima de 90 dB.

Indivíduos com níveis de perda auditiva leve, moderada e severa são mais freqüentemente chamados de deficientes auditivos, enquanto os indivíduos com níveis de perda auditiva profunda são chamados surdos.

SOBRE OS INTÉRPRETES DE LIBRAS

O intérprete de LIBRAS tem a obrigação de exercer sua profissão com o máximo de qualidade e responsabilidade, sabendo que dela depende a contribuição para a plena garantia de comunicação, acesso à informação e educação de uma pessoa. Todavia, sua inserção no espaço escolar não pode ser vista como uma panaceia. Lacerda (2002), refletindo sobre sua pesquisa, afirma que “[a] presença do intérprete em sala de aula e o uso da língua de sinais não garantem que as condições específicas de surdez sejam contempladas e respeitadas nas atividades pedagógicas”.
É preciso que professores e demais comunidade escolar estejam aptos a receber os alunos surdos de modo a efetivar sua inclusão, ou seja, é necessário que além de contar com a presença de intérpretes a escola desenvolva um Projeto Político Pedagógico adequado a esta nova realidade inclusiva, adaptando seu currículo, repensando sua metodologia de ensino, seu sistema de avaliação e capacitando seus profissionais.
Sendo assim, o intérprete atuará como um profissional aliado no processo de ensino aprendizagem dos alunos surdos, agindo diretamente no campo da tradução/interpretação dos discursos elaborados entre educadores e educandos, seja este direcionado de ouvinte para surdo ou de surdo para ouvinte. Para Masutti (2007) o trabalho do intérprete de LIBRAS fundamenta-se na incansável e dinâmica busca pela equivalência entre o que se organiza como material visual (línguas de sinais) e o que se organiza como material fonético (línguas orais).

A difusão do alfabeto dactilológico de uma só mão entre os ouvintes gerou a pressuposição de que esse alfabeto é a própria língua de sinais, que há uma única língua de sinais e que essa língua é universal. No entanto, o alfabeto dactilológico é apenas um suplemento das línguas de sinais, cuja função é a soletração de palavras das línguas orais, tais como, nomes próprios, siglas, empréstimos, etc.

De acordo om o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), o alfabeto dactilológico usado atualmente no Brasil é um conjunto de 27 formatos, ou configurações diferentes de uma das mãos, cada configuração correspondendo a uma letra do alfabeto do português escrito, incluindo o “Ç”.

É muito aconselhável soletrar devagar, formando as palavras com nitidez. Entre as palavras soletradas, é melhor fazer uma pausa curta ou mover a mão direita para o lado esquerdo, como se estivesse empurrando a palavra já soletrada para o lado. Normalmente o alfabeto manual é utilizado para soletrar os nomes de pessoas, de lugares, de rótulos, etc., e para os vocábulos não existentes na língua de sinais.

Os sinais de pontuação, tais como, vírgulasponto final e de interrogação, às vezes, são desenhados no ar. Preposições e outras classes de palavras de que a língua não dispõe são inseridas na sinalização por meio da dactilologia, ou do alfabeto manual.


É difícil pensarmos que pessoas são excluídas do meio social em razão das características físicas que possuem, como cor da pele, cor dos olhos, altura, peso e formação física. Já nascemos com essas características e não podemos, de certa forma, ser culpados por tê-las.
A inclusão está ligada a todas as pessoas que não têm as mesmas oportunidades dentro da sociedade. Mas os excluídos socialmente são também os que não possuem condições financeiras dentro dos padrões impostos pela sociedade, além dos idosos, os negros e os portadores de deficiências físicas, como cadeirantes, deficientes visuais, auditivos e mentais. Existem as leis específicas para cada área, como a das cotas de vagas nas universidades, em relação aos negros, e as que tratam da inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
O mundo sempre esteve fechado para mudanças, em relação a essas pessoas, porém, a partir de 1981, a ONU (Organização das Nações Unidas) criou um decreto tornando tal ano como o Ano Internacional das Pessoas Portadoras de Deficiências (AIPPD), época em que passou-se a perceber que as pessoas portadoras de alguma necessidade especial eram também merecedoras dos mesmos direitos que os outros cidadãos.
As diferenças enriquecem a vida de todos
A princípio, eles ganharam alguma liberdade através das rampas, que permitiram maior acesso às escolas, igrejas, bares e restaurantes, teatros, cinemas, meios de transporte, etc. Aos poucos, o mundo foi se remodelando para dar-lhes maiores oportunidades.
Hoje é comum vermos anúncios em jornais, de empresas contratando essas pessoas, sendo que de acordo com o número de funcionários da empresa, existe uma cota, uma quantidade de contratação exigida por lei. Uma empresa com até 200 funcionários deve ter em seu quadro 2% de portadores de deficiência (ou reabilitados pela Previdência Social); as empresas de 201 a 500 empregados, 3%; as empresas com 501 a 1.000 empregados, 4%; e mais de 1.000 empregados, 5%.
Nossa cultura tem uma experiência ainda pequena em relação à inclusão social, com pessoas que ainda criticam a igualdade de direitos e não querem cooperar com aqueles que fogem dos padrões de normalidade estabelecido por um grupo que é maioria. E diante dos olhos deles, também somos diferentes.
E é bom lembrar que as diferenças se fazem iguais quando essas pessoas são colocadas em um grupo que as aceite, pois nos acrescentam valores morais e de respeito ao próximo, com todos tendo os mesmos direitos e recebendo as mesmas oportunidades diante da vida.

 A palavra 'cultura' possui vários significados. Relacionando esta palavra ao contexto de pessoas surdas, ela representa identidade porque pode-se afirmar que estas possuem uma cultura uma vez que têm uma forma peculiar de apreender o mundo que os identificam como tal. (...)            (...) A lingüista surda Carol Padden estabeleceu uma diferença entre cultura e comunidade. Para ela, "uma cultura é um conjunto de comportamentos aprendidos de um grupo de pessoas que possui sua própria língua, valores, regras de comportamento e tradições". Ao passo que "uma comunidade é um sistema social geral, no qual pessoas vivem juntas, compartilham metas comuns e partilham certas responsabiliades umas com as outras".            Para esta pesquisadora, "uma Comunidade Surda é um grupo de pessoas que mora numa localização particular, compartilha as metas comuns de seus membros e, de vários modos, trabalha para alcançar estas metas." Portanto, nessa Comunidade pode ter também ouvintes e surdos que não são culturalmente Surdos. Já "a Cultura Surda é mais fechada do que a Comunidade Surda. Membros de uma Cultura Surda se comportam como as pessoas Surdas, usam a língua das pessoas de sua comunidade e compartilham das crenças das pessoas Surdas entre si e com outras pessoas que não são Surdas."            Mas ser uma pessoa surda não equivale a dizer que esta faça parte de uma Cultura e de uma Comunidade Surda, porque sendo a maioria dos surdos, 95%, filhos de pais ouvintes, muitos destes não aprendem a LIBRAS e não conhecem as Associações de Surdos, que são as Comunidades Surdas, podendo tornarem-se somente pessoas portadoras de deficiência auditiva.            As pessoas Surdas, que estão politicamente atuando para terem seus direitos de cidadania e lingüísticos respeitados, fazem uma distinção entre ser 'Surdo' e ser 'Deficiente Auditivo'. A palavra 'deficiente', que não foi escolhida por elas para se denominarem, estigmatiza a pessoa porque a mostra sempre pelo que ela não tem, em relação às outras e, não o que ela pode ter de diferente e, por isso, acrescentar às outras pessoas. (...)

 

TRADUTOR:    Pessoa que traduz de uma língua para outra. Tecnicamente, tradução refere-se ao processoenvolvendo pelo menos uma língua escrita. Assim, Tradutor é aquele que traduz um texto escrito de uma língua para outra.  TRADUTOR-INTÉRPRETE:    Pessoa que traduz e interpreta o que foi dito e/ ou escrito

TRADUTOR-INTÉPRETE DE LÍNGUA DE SINAIS:   Pessoa que traduz e interpreta a língua de sinais para a língua falada  e vice-versa em quaisquer modalidades que se apresentar (oral ou escrita)  TRADUÇÃO-INTERPRETAÇÃO SIMULTÂNEA:    É o processo de Tradução-Interpretação de uma língua para outra que   acontece simultaneamente, ou seja, ao mesmo tempo. Isso significa que o tradutor-intérprete precisa ouvir/ ver a enunciação em uma língua (língua fonte), processá-la e passar para outra língua (língua alvo) no tempo da enunciação.  TRADUÇÃO-INTERPRETAÇÃO CONSECUTIVA:   É o processo de tradução-interpretação de uma língua para outra que acontece   de forma consecutiva, ou seja, o tradutor-intérprete ouve / vê o enunciado em uma língua (língua fonte), processa a informação e,  posteriormente, faz a passagem para outra língua (língua alvo)

Felipe (1989), afirma que há dois tipos de bilingüismo social mostrando a necessidade de uma determinada comunidade; por algum motivo, precisar utilizar as duas línguas obrigatoriamente. Já o bilingüismo individual é quando o indivíduo tem opção de aprender outra língua além da sua língua materna.
Como os surdos estão inseridos em duas comunidades eles precisam ter contato com as duas línguas mantendo o bilingüismo social e isso proporcionará um maior desenvolvimento, pois um língua, quebrando assim o bloqueio da comunicação. É bom lembrar o que Felipe (1989) nos diz:
"a comunidade surda não é um ambiente onde se encontram pessoas surdas consideradas "deficientes", que têm problemas de comunicação: mas tem um lugar onde há participação e articulação política do surdos que se organizam em busca de melhorias e lutam por seus direitos cidadania e também por seus direitos lingüísticos"...
Para os surdos o ensino deve ser baseado na visão e não na audição. Ao trabalhar com o surdo, devemos usar materiais com visual, procurar passar o conteúdo mais importante. Solicitar dos pais a participação, usar a escrita como forma de passar as informações, colocar no grupo de trabalho pessoas que tenham mais disponibilidade e paciência, aprender alguns sinais básicos da Libra. Ter disponibilidade e acreditar que o surdo tem capacidade de se comunicar, aceitar sua escrita e lembrar que ela somente tem dificuldades no comunicar, mas com capacidade e vontade de aprender. Ao falar com o surdo devemos falarde frente e usar frases curtas, com o tom de voz normal e articulando bem as palavras, não usando muitos gestos e nem qualquer objeto na boca. Podendo assim permitir que ele faça a leitura labial. Ser expressivo, demonstrar seus sentimentos, não cutucar, tocar delicadamente a pessoa e ao mudar de assunto, avisar. Caso perceba que a comunicação não esteja sendo compreendida, use outra forma de comunicação, a escrita, o desenho e objetos são importantes. A lei dá abertura para as adaptações curriculares, podendo assim todo o sistema educacional adaptar sua metodologia para atender a todos sem distinção.   Conforme (Projeto Escola Viva, 2002),
"As necessidades especiais revelam que tipos de estratégias, diferentes das usuais, são necessárias para permitir que todos os alunos, inclusive as pessoas com deficiência participem integralmente das oportunidades educacionais, com resultados favoráveis, dentro de uma programação tão normal quanto possível".
Algumas estratégias são de competência de instâncias político-administrativas superiores e por isto denominam-se "adaptações curriculares de grande porte". As outras, com modificações menores, são de competência do professor em sua sala de aula, tem a denominação de adaptações curriculares de pequeno porte.
Essas estratégias e adaptações vêm facilitar a aprendizagem. Conforme Sassaki (1997, p.117), "essa preparação deverá ocorrer em sala de aula, em setores operacionais da escola e na comunidade. Deverá haver ação conjunta do diretor e dos professores da escola, das autoridades educacionais, dos líderes do movimento dos portadores de deficiência e representantes da comunidade". Assim não só a escola se torna inclusiva, mas toda sociedade contribuindo com a inclusão e desenvolvendo juntas; escola e sociedade a criatividade, flexibilidade, sensibilidade, técnicas de parcerias para um futuro melhor.

 

O surgimento do Emprego Apoiado aconteceu nos Estados Unidos, a mais de trinta anos, e com o passar do tempo essa metodologia vem tomando fôlego e provocando mudanças nos paradigmas da sociedade, prova disso é que rapidamente ela se espalhou pela Europa demonstrando que a um jeito de fazer inclusão de forma objetiva, clara e eficaz.         Conquistou também espaço para efetivação enquanto política social, em vários países, como Estados Unidos e países Europa, bem como aprovação para financiamento em esfera governamental.       Segundo o site do ITS (instituto de Tecnologia Social), o Emprego Apoiado foi incluído naRevista de Inovação Social de Stanford como uma das “dez recentes inovações sociais”.Trata-se de uma metodologia consolidada, e institucionalizada em vários países da Europa e nos Estados Unidos (país de origem). Consideramos como uma metodologia solidificada porque, em termos de inclusão de pessoas com deficiência no mundo do trabalho, o Emprego Apoiado conta com uma vasta fundamentação teórica e uma experiência prática com mais de 25 anos, gerando resultados positivos no âmbito de inclusão econômica de pessoas comincapacidade mais significativa.         A ideia do Emprego Apoiado é simples, prática e eficiente, pois está pautada na participação da pessoa, nos apoios, nas competências, no planejamento individualizado, no trabalho mútuo. Não no romantismo e na esperança de programas para tornar o indivíduo mais próximo da “normalidade”. O emprego Apoiado erradica esta ideia e proporciona a interação entre a pessoa, o processo, o contexto e a realidade, levando em consideração suas especificações e multidimensionalidade, permitindo que a pessoa viva em comunidade, pois acredita que, uma vez dispondo dos apoios necessários a pessoa torna-se pertencente em seu meio ecológico (Convenção dos direitos da pessoa com deficiência – ONU 2006 e ratificada pelo Brasil em 2008, defende o direito da participação da pessoa no meio comum) A fim de possibilitar às pessoas com deficiência viver de forma independente e participar plenamente de todos os aspectos da vida, as Estados partes tomarão as medidas apropriadas para assegurar as pessoas com deficiência o acesso, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, ao meio físico, ao transporte, à in­formação e comunicação, inclusive aos sistemas e tecnologias da informação e comunicação, bem como a outros serviços e instalações abertos ao público ou de uso público, tanto na zona urbana como na rural. Essas medidas, que incluirão a identificação e a eliminação de obstáculos e barreiras à acessibilidade, serão aplicadas, entre out­ros. (Convenção sobre os direitos da pessoa com deficiência, 2006, p.57). 

           O Emprego Apoiado não caracteriza-se como um programa de assistencialismo, mas sim, de respeito e valorização das capacidades das pessoas, incentivando a autodeterminação e empoderamento, ou seja, quando um empreendedor emprega uma pessoa com deficiência, ambos necessitam de satisfação no que se refere a suas atividades, a produção e a positividade nas relações com a equipe. Essas atitudes torna a prática do Emprego Apoiado um sucesso, considerando que a construção progressiva em conjunto enriquece e valoriza o trabalho, reestrutura as relações, tornando-os mais produtivos, participantes e contribuindo com a sociedade e com  a economia.

          Trabalhar significa possibilitar que a pessoa pertença ao meio comum como cidadão, o Emprego Apoiado é uma metodologia inclusiva que valoriza a participação da pessoa com deficiência e o seu pertencimento na comunidade em que vive, visa buscar os recursos naturais e tecnológicos para que a pessoa com incapacidade mais significativatenha autonomia e independência em casa, na comunidade, no trabalho, na escola, entre outros.

VEJA MAIS EM WWW.MOVIMENTOLIBRAS.WEBNODE.COM

 

É um sistema de escrita visual direta de sinais, desenvolvido pela norte-americana Valerie Sutton (1998), e sistematicamente descrito e desenvolvido em Capovilla e Sutton (2001). Estudiosa da dança, Sutton criou um sistema de notação de coreografias conhecido como DanceWriting. Na década de 70 começou a fazer experiências no registro da fascinante Língua de Sinais. Hoje, SignWriting é usado em todo o mundo. Há também um programa de computador chamado SignWriter (Gleaves & Sutton, 1995), especialmente delineado para esta escrita. No Brasil, SignWriting vem sendo usado em cursos de informática e língua de sinais para crianças surdas (Stampf 1998), escrever estórias de contos infantis em LIBRAS (Strobel 1995), para documentar a gramática da LIBRAS (Quadros 1999), e para documentar os sinais da LIBRAS no Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilingue de LIBRAS (Capovilla, Raphael e Luz, 2001b e 2001c).  Os sistemas de escrita alfabéticos representam os fonemas de que se compõem as palavras, enquanto que o SignWriting representa os quiremas de que se compõem os sinais. Ele emprega diferentes símbolos para representar os diversos componentes da LIBRAS tais como as configurações de mão; sua localização no espaço, e sua orientação, os tipos formas, frequências e dimensões dos movimentos, expressões faciais e corporais. Uma descrição detalhada pode ser encontrada no Dicionário Enciclopédico Trilingue de LIBRAS, CAPOVILLA Fernando & RAPHAEL Walkíria, ou no endereço www.signwriting.org.

Diferentemente das línguas orais, que podem ser registradas na modalidade escrita, as línguas sinalizadas, historicamente, eram e ainda são, até hoje, na maioria das vezes, registradas fielmente, com o recurso de vídeo.

A escrita de sinais, Sign Writing, foi criada para que, os registros das línguas sinalizadas não dependessem das traduções das línguas orais, que possuem outras estruturas gramaticais e culturais, ocasionando assim distorções. Signwriting é um sistema rico que mostra a forma das línguas de sinais.

 

 

A pouca qualificação profissional de professores e intérpretes atrelados a um contexto curricular defasado e carente de significados em sala de aula, repercute-se no abandono da escolarização e nos baixos níveis de satisfação, auto-estima e valoração do papel social da escola.
Numa sala inclusiva onde todos recebiam os mesmos conteúdos diários surgiram dezenas de conflitos, as críticas à metodologia e a postura dos professores e intérpretes em sala de aula como: excesso de termos para conceituação, comunicação verbalizada rápida, sem direcionamento físico para os surdos com verbalização de costas para a sala e sem articulação labial fonética acessível para leitura labial, vocabulário rebuscado e repleto de sinônimos descontextualizados à Libras.  Estes foram alguns dos pontos mais críticos observados pelos surdos na avaliação pedagógica.   Abaixo alguns relatos de surdos sobre a qualidade do ensino e as necessidades para obter aprendizagem:   “Também os professores falam muito, não tem claro, mas os surdos sempre olham o intérprete, não tem claro, não é igual aos professores. As matérias são muito difícil... os surdos não dá memória essa as matérias diferentes, também os ouvintes não tenha ajudam”(Depoimento de um pré-vestibulando)

Outros conflitos na relação com os ouvintes que chegavam à sala mais cedo e guardavam lugar para os colegas que “tomavam” os lugares dos surdos que queriam sentar na frente.  Mas os surdos não se esforçavam para chegar cedo, sempre atrasados quase 1 hora.
 “Na aula, os ouvintes surdos conclusão atrapalha um pouco mas professores falam muito rápido e muito escreve complicado quadro”. (Depoimento de um pré-vestibulando)  
Muitos desistiram do curso para trabalhar ou porque não acreditavam nas suas potencialidades acadêmicas.  No final apenas oito chegaram ao vestibular. Nenhum sequer passou na primeira fase. 
“Acho impossível falou os surdos tem 10% de redação igual ouvinte nossos surdos estamos dificuldade de fazer uma redação perfeito como podemos fazer isso. Nós estamos com medo perder para futuro universidade acho perdemos este ano vestibular”. (Depoimento de um pré-vestibulando)  
Assim concordamos com o professor SKLIAR quando afirma que 
A escola atual não proporciona oportunidades para o desenvolvimento das identidades pessoais, ao contrário, dá-se prioridade às habilidades técnicas que são sugeridas pela lógica contemporânea do mercado. Esta lógica impõe, por exemplo, a inclusão de surdos em escolas regulares, justificando tal decisão com argumentos do politicamente correto, do fazer surdos mais eficazes, mais eficientes.

Mudança na Lei (BPC) abre espaço para trabalho de pessoas com deficiência
o No Dia Nacional de Luta das Pessoa com Deficiência (21/09), os beneficiários do BPC (Beneficio de Prestação Continuada) teve um motivo a mais para comemorar: a possibilidade de ingressar no mercado de trabalho sem a o risco de perder o beneficio. A notícia foi dada no encontro Panorama Atual da Empregabilidade da Pessoa com Deficiência, realizado na terça-feira, 20/09, no Centro Publico de Economia Solidária, em Osasco.   
A lei que cria essa possibilidade é a 12.470, a qual foi publicada no Diário Oficial da União em 1 de setembro. De acordo com o texto, os beneficiários do BPC que ingressarem no mercado de trabalho ficam com o beneficio suspenso. Mas extinta a relação trabalhista poderá ser requerida a continuidade do beneficio que foi suspenso, sem necessidade de realização de perícia médica ou da reavaliação da deficiência e do grau de incapacidade. Se os beneficiários forem contratados como aprendizes, acumulam o salário e o benefício, limitado ao período de dois anos.
Tais mudanças foram apresentadas no encontro pelo coordenador de Gestão de Políticas Públicas da Gerência Regional do Trabalho e Emprego de Osasco, Ronaldo Freixeda, que vê a mudança como a grande chave para garantir com que as pessoas com deficiência exerçam seu direito de cidadão: trabalhem. "E um incentivo para que possam ir para o mercado de trabalho", afirma Freixeda.
De acordo com o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome, recebem o BPC 1,27 milhões de pessoas com deficiência em idade para trabalhar.
RAIS - Os participantes do encontro também foram convidados a compreenderem e utilizarem os dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) como instrumento de trabalho pela inclusão. Alexandre Guerra, coordenador do Observatório do Trabalho apresentou dados da RAIS de 2009 que mostram que as pessoas com deficiências são apenas 0,7% dos trabalhadores no mercado formal.
As informações também jogam abaixo preconceitos como o de baixa escolaridade de pessoas com deficiência. Tanto quem tem, como quem não tem alguma deficiência tem níveis de escolaridade muito semelhantes. "É um argumento furado", resume Guerra.
Todas essas informações estão detalhadas no livro “Pessoas com Deficiência no Trabalho Formal: Por que não?”, lançado recentemente pelo Espaço da Cidadania.
Fiscalização – Porém, ainda que os números sejam pequenos, correm o risco de ficarem menores, caso não sejam retomados os investimentos em pessoal e em infra-estrutura na Gerência de Osasco, que responde pelo maior percentual de contratações no país.
A denúncia foi feita pelo presidente do CISSOR (Conselho Intersindical de Saúde e Seguridade Social), José Elias de Góes. “Os órgãos que deveriam fiscalizar estão sucateados. A Gerência está na iminência de ser despejada [do prédio que ocupa em Osasco] e há poucos fiscais”, alertou.
As informações foram passadas aos 125 participantes do encontro, que também conheceram o Osasco Inclui, da Prefeitura de Osasco, se informaram sobre fontes alternativas para recrutamento e trocaram experiências sobre inclusão.

Nota do Espaço da Cidadania:

• Apenas 25% das vagas da Lei de Cotas são respeitadas no país.
• Apesar de existir 17 milhões de pessoas com deficiência em idade de trabalhar com carteira registrada apenas 306 mil estão nesta condição representando apenas 0,7% dos trabalhadores formais.

• O baixo percentual de contratação reflete o alto nível de preconceito cultural e barreiras atitudinais existentes nas organizações e na sociedade, aliado à frouxidão do sistema de fiscalização trabalhista frente a esta questão.

Para educar o surdo, muitos autores discutem a respeito da busca por melhores práticas. Conforme KIRK & GALLAGHER (1996), boa parte da educação enfatiza métodos e procedimentos especiais para ensinar as habilidades de comunicação e linguagem, esperando que as mesmas, uma vez adquiridas, permitam aos alunos dominarem o currículo regular.  Esse descaso pela escolaridade do surdo é decorrente da interpretação que foi construída a respeito da sua educação, que não se situa no campo do direito, mas da obrigação moral.

Segundo ALMEIDA (2000, p.3), "Surdos e ouvintes têm línguas diferentes, mas podem viver numa única comunidade, desde que haja um esforço mútuo de aproximação pelo conhecimento das duas línguas, tanto por ouvintes como por surdos".  Faz parte das expectativas dos surdos e de seus pais, que estudem em escolas para ouvintes. A permanência do surdo na escola regular é à custa do acobertamento das dificuldades encontradas pelo mesmo. Os professores das salas regulares não estão preparados para o trato com os surdos, a maioria não sabe nem mesmo como comunicar-se. É necessário que exista uma formação adequada para o professor trabalhar com os surdos. Além disso, as escolas precisam se adequar a eles, e não eles se adaptarem a elas.  Muitos pais procuram a escola regular para seus filhos surdos porque a escola especial não apresenta um modelo pedagógico eficiente, uma vez que subestima suas capacidades cognitivas. No entanto, para o surdo é importante estar inserido numa comunidade onde ele possa ser compreendido. Quando um aluno surdo estuda numa escola regular, suas dificuldades de aprendizagem acabam sendo vistas como problemas de cognição. Nós, seres humanos, temos a tendência de nos reunirmos com nossos iguais. Com os surdos não é diferente, eles buscam um grupo em que possam se sentir à vontade, onde se utilize a mesma língua, a língua de sinais.  Muitas vezes, as metodologias de ensino aplicadas aos surdos resumem-se apenas  ao ensino de palavras. Por acharem que os surdos têm dificuldade de abstração, trabalha-se com a escolarização de baixa qualidade, uma vez que  são considerados incapazes de aprender.  Os surdos precisam de uma escola que atenda às suas necessidades especiais, que seja capaz de desenvolver a Língua de Sinais como primeira língua e que seja vista como uma postura política e ideológica de respeito ao grupo.

 

A inclusão de surdos em escola regular é um assunto muito complexo, onde a situação deve ser pensada como um todo, a partir da realidade de cada local. Para conseguir analisar a situação amplamente, necessita-se conhecer melhor sobre o surdo, sua situação cotidiana de inclusão/exclusão na sociedade como um todo, discutir práticas e teorias partindo de uma questão sociocultural (não apenas audiológica), onde o surdo é um sujeito que possui uma língua natural, a Língua de Sinais.  "Na inclusão o que está em jogo é a ruptura com o conceito estático do homem, de mundo, de conhecimento; é a necessidade de cruzar experiências, de compartilhar caminhos, de compreender a complexidade e a diversidade através da abertura de canais para o diferente, o que não é meu, nem igual ao meu, mas por isso mesmo, merece respeito. E esse respeito descortina a possibilidade da descoberta de coisas. pessoas, situações, - insuspeitáveis, fascinantes. - É certo que esse caminho provoca ferimentos pela insegurança, pela quebra de certezas, de normas estáveis."

Há uma diversidade de fatores e experiências em cada indivíduo e, quando fala-se de inclusão de surdos, além da diversidade, retrata-se o diferente (língua, cultura, tradições,...). Neste convívio, entre duas comunidades (surda e ouvinte), há sempre a situação de uma nova língua, ou seja, para o ouvinte, a língua de sinais e para o surdo, a língua portuguesa. Retratando da segunda língua, pode-se reportar à Poersch (1995), "há três fatores para o aprendizado de uma segunda língua: - fatores motivacionais, fatores construídos no sujeito aprendiz devido ao contexto comunicacional lingüístico em que ele se insere; - atenção, que é derivada da motivação, ou seja, dependerá da maneira como o aprendiz tem contato com a língua a ser aprendida (métodos e técnicas utilizadas no ensino, oportunidades e qualidades da utilização da língua); - memória, que provém da atenção e está relacionada à aptidão do indivíduo para o aprendizado de novas línguas".  Na inclusão, é importante lembrar de alguns fatores primordiais quando pensamos em surdos:  Oportunizar o aprendizado favorecendo a diferença sócio-lingüística e valorizando a comunicação espaço/visual em todos os momentos deste processo, já que, segundo Skliar (1998), "... todos os mecanismos de processamento da informação, e todas as formas de compreender o universo em seu entorno, se constróem como experiência visual".A língua de sinais não deve ser encarada pelo professor como um instrumento de trabalho, mas sim, como parte da cultura da comunidade surda, sendo sua língua oficial.  Deve-se favorecer o aprendizado do indivíduo surdo utilizando a língua de sinais, se ao iniciar o trabalho de inclusão esta não for possível, utilizar todos os recursos de comunicação (não simultaneamente), para que a partir destes tenha-se a certeza de que o surdo adquiriu o conhecimento. A partir disto pode-se reportar ao livro "O vôo da gaivota" da autora surda Emmanuelle Laborit (1996): "Utilizo a língua dos ouvintes, minha segunda língua, para expressar minha certeza absoluta de que a Língua de Sinais é nossa primeira Língua, aquela que nos permite ser seres humanos comunicadores. Para dizer, também, que nada deve ser recusado aos Surdos, que todas as linguagens podem ser utilizadas, a fim de se ter acesso à vida."

 

Será o ensino regular a melhor opção para uma criança com necessidades educativas especiais?


O Suporte Emocional
Em primeiro lugar, deve reconhecer-se que o contacto e o convívio, formal e informal, entre os diversos alunos, com e sem deficiências, é um meio para que os comportamentos, típicos de cada um e/ou de cada deficiência se normalizem. 
É uma oportunidade para a construção de relações afectivas, que podem vir a revelar-se, ao longo dos anos, como um suporte emocional fundamental na construção da personalidade dos alunos com deficiência. Faz com que ganhem forças para superar modificações sociais, geralmente mais autónomas e diversificadas. Por sua vez os alunos ditos “normais” poderão desenvolver uma maior capacidade da aceitação da diferença.

Suporte Social e instrução 
Num envolvimento normal, as pessoas com deficiência podem ter um suporte social e/ ou um suporte instruidor. A convivência com colegas, o apoio destes nas actividades da escola contribui para um suporte social. O suporte instruidor deriva da aprendizagem cooperativa, da aprendizagem por imitação, etc. Estes suportes são bastante importantes no desenvolvimento dos alunos com deficiência mental acentuada. No entanto, especialistas concluem que não se têm valorizado suficientemente o papel que as redes de suporte social podem fazer com estas crianças, bem como com as suas famílias.
O apoio de especialistas pode ir reduzindo as distâncias entre crianças normais e crianças com deficiência, os professores de apoio que trabalham fora da sala de aula, com pequenos grupos de alunos, podem passar a dar apoio dentro dela. Este caminho implica a organização do trabalho interagindo, solidariamente, os dois professores (normal e de ensino especial) assim, podem definir e construir a melhor forma de trabalharem. 
Algumas pessoas entendem que o apoio na sala de aula pode ter algumas consequências negativas nas aprendizagens, como por exemplo, uma quebra de atenção por parte do aluno durante a realização de uma tarefa, situações de discriminação, etc. 
No entanto, o objectivo fundamental é criar melhores condições de aprendizagem para todos os alunos, a presença de outros recursos na sala de aula, no caso um segundo professor, pode constituir uma ajuda importante. 
O aluno com necessidades especiais necessitará sempre de apoio extra aula, o apoio na sala de aula é importante mas não é o suficiente, este deve ser alargado a outros espaços/ambientes.

Cooperação e Organização da Sala de Aula
Uma boa organização na sala de aula exige a presença de regras claras, quer no que respeita ao comportamento, como na forma de execução das tarefas e actividades de aprendizagem. No entanto, todo esse processo de organização e funcionamento deve passar pelo respeito mútuo, pela aceitação e compreensão das necessidades do outro, por um processo aberto e dinâmico de negociação onde o aluno se sente responsável e participante. 

Inclusão e suporte social às familias
A implementação da inclusão escolar não deve ignorar o funcionamento das famílias com crianças deficientes. O facto de crianças com necessidades educativas especiais frequentarem uma escola regular é uma fonte geradora de stress.

Stress Familiar e a escola a escolherem
Como já referimos anteriormente as famílias de pessoas com necessidades educativas especiais, embora consideradas competentes e capazes de responder às necessidades dos seus filhos, são particularmente vulneráveis ao stress. Assim, a deficiência influencia as relações familiares a vários níveis tais como a ruptura matrimonial, os desentendimentos entre pais e filhos, a qualidade da relação entre irmãos, o aumento das dificuldades económicas, num maior isolamento, etc. 

Mudar a escola tornando-a mais receptiva à diferença (mais inclusiva) é difícil, se esta não se ajustar às expectativas e necessidades das famílias e dos alunos será um factor/fonte considerável de stress e violência para o aluno e para a família.
O aumento do stress familiar, motivado pela decisão da criança com deficiência frequentar uma escola regular, parece resultar de vários factores, tais como:
• Do confronto diário com a diferença entre os seus filhos e as crianças ditas “normais”;
• Do sentimento de discriminação;
• Das dificuldades encontradas na adaptação social e escolar dos seus filhos;
• Do receio da integração levar à perda de outros serviços prestados à criança e à família;
• Do receio de colocarem os seus filhos num envolvimento que consideram “não preparado” para os receber e onde estarão “menos protegidos”.

A diversidade de apoios sociais, formais e informais, parecem reduzir o stress familiar. Uma investigação mostrou que as famílias que apresentam menos stress são as que recebem ajudas a vários níveis. Os parentes e amigos podem desempenhar um papel fundamental no alargamento das relações sociais das famílias com crianças deficientes. Também os profissionais são um apoio importante com que as famílias deverão contar, apesar da história de relações entre pais e profissionais nem sempre tenha sido positiva.

 

Bem, essas pessoas que nomeamos como “SURDOS” e ainda hoje muitas pessoas ainda tem uma ideia que “SURDOS” ainda são “MUDOS”. Talvez isso seja ainda muita falta de informação e conhecimento.  “SURDOS NÃO SÃO MUDOS”, apenas não foram ensinados a falar, muitos pais de surdos, ao saberem que seus filhos nascem ou por alguma doença perdem a audição, são ainda infelizmente tratados como pessoas incapazes, infelizes, e são totalmente excluídas da sociedade e do convívio com outras pessoas consideradas “NORMAIS” e também com outros surdos. Esses pais colocam seus filhos trancados dentro de um quarto, e são impedidos de manterem relacionamentos normais, com isso esses “SURDOS” crescem com um preconceito interior, com um sentimento de impossibilidade. Mas para você que não tem conhecimento sobre esse tipo de “DEFICIENTE”, surdo é uma pessoa normal, com sentimentos, desejos e sonhos, assim como qualquer pessoa dita ”COMUM”, mas em meio a uma  sociedade materialista e consumista, ainda essas pessoas surdas passam por um grande preconceito, sofrem por terem muitas portas fechas, tanto na vida pessoal quanto em uma vida social. São tratados como incapazes pelas empresas, sofrem discriminação nas escolas, e são muitas vezes excluídos da sociedade tida como “PERFEITA”.

Saiba “SURDO NÃO É DEFICIENTE , ELE Á APENAS DIFERENTE”.

Mas graças á Deus esta ideia vem mudando gradualmente, e podemos ver as comunidades surdas crescendo cada vez mais, tendo um maior relacionamento com as pessoas “NORMAIS”, empresas estão entendendo e percebendo quão capazes são essas pessoas, escolas “BILINGUES” estão sendo criadas, enfim pessoas tidas como Deficientes estão sendo mais valorizadas e elogiadas por seu desempenho.

 

 

As graves limitações provocadas pela surdez, bem como suas conseqüências psicossociais, foram significativamente aliviadas no século XX por meio de terapias educacionais, aparelhos auditivos (amplificadores) e técnicas cirúrgicas restauradoras.  Surdez é a perda total ou parcial da capacidade auditiva. Decorre de fatores genéticos, traumáticos ou tóxicos. Quando surge devido a condições inadequadas de trabalho, o que é freqüente, classifica-se como doença profissional. Pode limitar-se a um único ouvido, ou manifestar-se como surdez específica para certas freqüências sonoras, o que muitas vezes prejudica seriamente a percepção da fala.
As deficiências auditivas podem ser causadas por problemas de transmissão do som entre o ouvido e o tímpano — no caso da surdez de condução — ou por lesões em células sensoriais ou no ouvido interno — na chamada surdez neurossensorial. A capacidade auditiva ainda pode ser reduzida ou mesmo eliminada por alterações nas áreas cerebrais correspondentes à audição.  A surdez de condução pode ser produzida por malformações congênitas, passíveis de correção cirúrgica, obstruções do conduto auditivo externo (geralmente por cerume ou por corpos estranhos), redução da movimentação da membrana do tímpano ou por imobilização parcial ou total dos ossículos do aparelho auditivo.
A idade é a causa mais importante da surdez neurossensorial. O desenvolvimento da perda auditiva para freqüências altas parece ser decorrência natural do envelhecimento. Drogas, alérgenos e ruídos são responsáveis por perdas auditivas neurossensoriais e até mesmo pela surdez total. A quinina e os derivados do ácido salicílico (aspirina) são há muito tempo conhecidos como causadores de perdas auditivas, principalmente em indivíduos sensíveis. Antibióticos, como a dihidroestreptomicina e a kanamicina e, em menor grau, a estreptomicina e a neomicina, são comprovadamente ototóxicos.
Fenômenos alérgicos podem comprometer o ouvido médio e a trompa de Eustáquio, o que leva a perdas relativamente acentuadas da audição. Ruídos intensos podem levar à perda temporária da audição, principalmente para sons agudos; quando ouvidos por longo tempo, podem provocar lesões permanentes. A lesão produzida depende tanto da intensidade quanto da duração do som. Para produzir lesões instantâneas, a intensidade sonora deve ultrapassar os 150 decibéis.

A surdez congênita determina a mudez: por não ser capaz de ouvir as palavras, desde o nascimento, o indivíduo é incapaz de aprender a falar naturalmente. Essa situação se reverte por meio de terapias de educação e correção da surdez
Durante muito tempo, os surdos foram discriminados como portadores de deficiências mentais, devido à dificuldade de relacionamento. O médico italiano Gerolamo Cardano, no século XVI, foi o primeiro a se preocupar seriamente com o problema e afirmou que os surdos-mudos podiam ser postos em condições de “ouvir lendo e falar escrevendo”. Mais tarde, o espanhol Juan Pablo Bonet escreveu o primeiro livro sobre o assunto, no qual explicava como exercitar o surdo-mudo para a emissão de sons.
O abade francês Charles-Michel de l”Épée foi, no entanto, quem sistematizou definitivamente a educação do surdo, no século XVIII. Sem desprezar o uso da palavra, L”Épée criou uma linguagem de sinais manuais que denominou “método silencioso”. Posteriormente, desenvolveu-se o “método oral”, baseado no emprego da palavra e na leitura labial. No século XIX, houve grande controvérsia entre os defensores de um e outro métodos, mas, a partir do século XX, cresceu a tendência a empregá-los simultaneamente.
No Brasil, somente em 1857, por iniciativa do imperador D. Pedro II, criou-se, no Rio de Janeiro, o primeiro estabelecimento destinado a ministrar educação para surdos o Instituto Nacional dos Surdos, ainda hoje a mais importante escola desse gênero no país, com o nome de Instituto Nacional de Educação dos Surdos.

 

A identidade surda foi reconhecida há muito pouco tempo, sendo esta uma luta da comunidade surda. A escola para surdos passou por modelos educacionais (oralismo, comunicação total, bilingüismo, pedagogia surda) demonstrando na história da educação dos surdos uma constante luta, onde os surdos lutaram para conquistar seus direitos, como o reconhecimento de sua própria língua, a Língua de Sinais.
A luta pelas conquistas na educação ainda continua, pois são poucas as escolas ainda no Brasil que possuem incluídos professores surdos, o que foi comprovado que para os alunos surdos seria uma melhor, pois assim contribui para uma harmonia ainda melhor entre professor-aluno.
As possibilidades de mudanças propostas pelos surdos são de que:
“as escolas respeitem a língua e a cultura surda e os preparem para o mercado de trabalho e meio social, que os professores trabalhem e desenvolvam em aula fatos culturais próprios dos surdos, tendo por base a Língua de Sinais.”(Texto:Pedagogia Surda)
Acredito que pelo desenrolar da história da comunidade surda, suas lutas e conquistas ainda sejam necessárias uma maior inclusão e aceitação social do surdo como uma comunidade que possui identidade e língua própria para sua comunicação e que os ouvintes devem aprender com os surdos para que realmente ocorra uma comunicação entre a língua de ouvintes e língua de surdos.
Como cita Harlan Lane:
“Se o sistema audista continuar a por de parte os próprios surdos, silenciar a sua narrativa e evitar a sua colaboração teremos de esperar que os adultos surdos sigam a via que tipicamente tem sido seguida por outras minorias lingüísticas frustradas. <
>,”
(LANE, Harlan. A Máscara da Benevolência: a comunidade surda amordaçada. Lisboa: Instituto Piaget, 1992.)
É necessário, entretanto que nesta luta todos se engaje, um bom começo é a disciplina de LIBRAS nos cursos de graduação para professores. Pela educação e informação talvez possamos mudar estas estatísticas de preconceito em que ainda os surdos hoje sofrem em nossa sociedade.

Cada vez mais, as pessoas portadores de deficiência têm conseguido avanço na inclusão social. Contudo, infelizmente, segundo o CONADE (Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiência Física) as pessoas passam ainda por muitas dificuldades de comunicação e aceitação no ambiente de trabalho.A inclusão social do surdo já começa quando a pessoa se relaciona com o mundo, adquirindo experiência com outras pessoas e trocando informações. Para o surdo que nasce em uma família na qual só tem ouvintes, a troca de informações e experiências tornam-se mais complicadas e atrasam seu desenvolvimento. Mesmo sem querer, o surdo fica isolado. Desta forma, sua experiência é apenas visual: os adultos ouvintes conversam entre eles e o surdo só observa os movimentos labiais, ficando sem entender. O mundo para ele é diferente.  A língua de sinais é a linguagem que o surdo utiliza para a sua comunicação. Essa língua faz parte da sua cultura, ele necessita dela para auxiliar na sua formação, para que ele tenha uma profissão digna e seja independente economicamente e se realize profissionalmente.  Com a formação, o surdo terá mais facilidade no mercado de trabalho e oportunidade de mostrar sua competência. Só dependerá de as empresas abrirem as portas para ele, dando oportunidades.

Mesmo com leis de inclusão social para os deficientes, ainda há uma grande resistência com os surdos dentro do mercado de trabalho. Enorme é a dificuldade de capacitação e especialização em seus diversos níveis, começando em casa e se expandindo nas escolas e entidades que oferecem cursos profissionalizantes. As empresas deveriam confiar e investir mais nesses profissionais, que tanto têm para oferecer. Precisamos nos conscientizar que todos têm direito ao ensino. Em 2012, sabendo da importância da capacitação para todos, a Dtcom começou a disponibilizar tradução em libras para seus cursos (disponíveis no AVA - Ambiente Virtual de Aprendizagem) e está se preparando cada vez mais para oferecer conteúdos específicos para esse público.

 

DEFICIÊNCIA AUDITIVA CONDUTIVA: Qualquer interferência na transmissão do som desde o conduto auditivo externo até a orelha interna (cóclea). A orelha interna tem capacidade de funcionamento normal mas não é estimulada pela vibração sonora. Esta estimulação poderá ocorrer com o aumento da intensidade do estímulo sonoro. A grande maioria das deficiências auditivas condutivas pode ser corrigida através de tratamento clínico ou cirúrgico.
• DEFICIÊNCIA AUDITIVA SENSÓRIO-NEURAL: Ocorre quando há uma impossibilidade de recepção do som por lesão das células ciliadas da cóclea ou do nervo auditivo. Os limiares por condução óssea e por condução aérea, alterados, são aproximadamente iguais. A diferenciação entre as lesões das células ciliadas da cóclea e do nervo auditivo só pode ser feita através de métodos especiais de avaliação auditiva. Este tipo de deficiência auditiva é irreversível. 
• DEFICIÊNCIA AUDITIVA MISTA: Ocorre quando há uma alteração na condução do som até o órgão terminal sensorial associada à lesão do órgão sensorial ou do nervo auditivo. O audiograma mostra geralmente limiares de condução óssea abaixo dos níveis normais, embora com comprometimento menos intenso do que nos limiares de condução aérea.

• DEFICIÊNCIA AUDITIVA CENTRAL, DISFUNÇÃO AUDITIVA CENTRAL OU SURDEZ CENTRAL: Este tipo de deficiência auditiva não é, necessariamente, acompanhado de diminuição da sensitividade auditiva, mas manifesta-se por diferentes graus de dificuldade na compreensão das informações sonoras. Decorre de alterações nos mecanismos de processamento da informação sonora no tronco cerebral (Sistema Nervos o Central)

Assim como entre os idiomas falados, é grande a variedade de línguas de sinais ao redor do mundo.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam. As línguas de sinais não são meramente intuitivas, nem partem exclusivamente de sinais de mímica. Crer que as línguas de sinais se limitassem à mímica seria como crer que a língua falada se limitasse à onomatopéia. Elas possuem códigos com o mesmo nível de abstração das línguas faladas e são aprendidas por aqueles que as utilizam, assim como um ouvinte aprende uma língua falada.  Muitos linguistas se dedicaram a estudar diferentes línguas gestuais, concluindo que estas apresentavam diferenças consideráveis entre si. Deve-se levar em conta que diferenças culturais são determinantes nos modos de representação do mundo. Assim, os surdos sentem as mesmas dificuldades que os ouvintes quando necessitam comunicar com outros que utilizam uma língua diferente. [1]  Cada país tem a sua própria língua gestual. Tomando como exemplo alguns países lusófonos, vemos que utilizam diferentes línguas de sinais: no Brasil existe a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), em Portugal existe a Língua Gestual Portuguesa (LGP), em Angola existe a Língua Angolana de Sinais (LAS), em Moçambique existe a Língua Moçambicana de Sinais (LMS).

Além disso, da mesma forma que acontece nas línguas faladas oralmente, existem variações linguísticas dentro da própria Língua de Sinais, que se podem considerar regionalismos e/ou dialetos. Essas variações se devem a culturas diferentes e influências diversas no sistema de ensino do país, por exemplo. Há até mesmo uma língua de sinais pretensamente universal, análoga ao Esperanto, conhecida como Gestuno, que é usada em convenções e competições internacionais.

A língua de sinais é ainda usada em situações em que pessoas sem quaisquer deficiências, ao nível da visão ou audição necessitam comunicar, sem poderem usar sons. Exemplos disso são a comunicação entre mergulhadores e certos rituais de iniciação entre aborígenes australianos, em que é proibido falar oralmente por um período de tempo.

Não se sabe quando as línguas de sinais se iniciaram, mas sua origem remonta possivelmente à mesma época ou a épocas anteriores àquelas em que foram sendo desenvolvidas as línguas orais. Uma pista interessante para esta possibilidade das línguas de sinais terem se desenvolvido primeiro que as línguas orais é o fato que o bebê humano desenvolve a coordenação motora dos membros antes de se tornar capaz de coordenar o aparelho fonoarticulatório. As línguas de sinais são criações espontâneas do ser humano e se aprimoram exatamente da mesma forma que as línguas orais. Nenhuma língua é superior ou inferior a outra, cada língua se desenvolve e expande na medida da necessidade de seus usuários.

Também é comum aos ouvintes pressupor que as línguas de sinais sejam versões sinalizadas das línguas orais; por exemplo, muitos acreditam que a LIBRAS é a versão sinalizada do português; que a Língua Americana de Sinais é a versão sinalizada do inglês; que a Língua Japonesa de Sinais é a versão sinalizada do japonês; e assim por diante. No entanto, embora haja semelhanças ou aspectos comum entre as línguas de sinais, devido a um certo contágio linguístico, as línguas de sinais são autónomas, não derivando das orais e possuindo peculiaridades que as distinguem umas das outras e das línguas orais.

A língua de sinais é tão natural e tão complexa quanto as línguas orais, dispondo de recursos expressivos suficientes para permitir aos seus usuários expressar-se sobre qualquer assunto, em qualquer situação, domínio do conhecimento e esfera de atividade. Mais importante, ainda: é uma língua adaptada à capacidade de expressão dos surdos. Por outro lado, a Lingua de Sinais, embora seja a lingua natural dos surdos, nao é a linguia materna de qualquer surdoLS é a abreviação de Língua de Sinais.